sexta-feira, 19 de abril de 2013

Mas e onde está o legado esportivo?



Faz alguns dias o Brasil recebeu com espanto a interdição do Engenhão por problemas estruturais, mais precisamente por problemas na sua cobertura. Esse fato é importante para revelar algo que em tempos de muita gastança e construções bilionárias para a copa do mundo e olimpíadas está sendo esquecido: o legado esportivo.

No pan-americano realizado no Rio em 2007 foi vendida a ideia do tal legado, mas as maravilhosas obras que iriam alavancar o esporte olímpico brasileiro se transformaram em problemas tão logo acabaram as competições. E agora o fato chegou ao seu ápice com a interdição bisonha do “moderno” engenhão, um estádio de apenas 6 anos que custou aos cofres públicos o valor de 360 milhões de reais.

Vejam amigos, nesses últimos meses que antecedem a copa e olimpíadas às barbaridades estão acontecendo aos montes. Desde a privatização do maracanã em um jogo de cartas marcadas e tem se falado até em uma possível reformulação após o mundial a fim de se adaptar as exigências olímpicas. E as bizarrices continuam com a transformação da pista de atletismo Célio de Barros, importante ponto de treinos para atletas, em estacionamento para o novo Maracanã e o que não dizer do velódromo do Rio, outro legado do pan novinho em folha, que será desativado.

As autoridades que tem nas mãos o futuro do esporte brasileiro precisam entender uma coisa: obra não é legado esportivo. Ainda mais quando feita as pressas no “jeitinho brasileiro” e isso sem levar em conta o fato de alguns desses parques esportivos se transformarem em verdadeiros “elefantes brancos” sem a demanda necessária para sua existência logo após a copa, como por exemplo, a Arena Amazônia.

Legado esportivo é aproveitar esses eventos para dar subsídios de forma que o nosso esporte se modernize e se desenvolva. É dar condições para as meninas do futebol feminino atuarem dentro do seu país com campeonatos regulares e bem organizados, é não esquecer dos atletas de várias modalidades que estão largados a sua sorte – e isso inclui os medalhistas da ultima olimpíada - sem lugares  para treinar e se desenvolver minimamente como atletas.

E quanto ao futebol brasileiro organizado pela CBF de Marin que arruma um amistoso em homenagem ao garoto Kevin Espada onde todos são homenageados e o garoto, bom, esse é esquecido. O pior é que se porventura a seleção ganhar a copa do mundo, eles irão se vangloriar do “belo” trabalho que tem desenvolvido e todos irão esquecer do quão é atrasado o futebol brasileiro e de como ele podia ser tão melhor sendo uma referência não apenas dentro de campo (isso se você contar que o futebol brasileiro ainda é uma referência de futebol, algo que já não é mais faz tempo).

Infelizmente o Brasil vai perdendo a grande oportunidade de desenvolver e estruturar seu esporte com esses eventos. Não acreditem na mentira do Brasil como uma potência olímpica até 2016, isso só vai acontecer quando as autoridades que comandam o esporte abrirem os olhos para o atleta e suas necessidades mais básicas.