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| A faixa diz muito sobre o descontentamento da torcida Foto: Divulgação |
No ano passado em uma
derrota do Arsenal no início de temporada para o Chelsea falei da repetição de resultados que o clube passa ano após ano. Sempre eliminado na Champions,
termina em terceiro ou quarto lugar na Premier League caindo geralmente de
rendimento na passagem de ano.
E parece que este é mais
um ano em que a história se repete com a única diferença que o time chegou de
fato a acreditar na taça. Está certo que ainda tem bola para rolar e o clube do
norte de Londres tem chances. Porém, ser derrotado por um Manchester United
cheio de garotos, sofrendo com lesões de vários jogadores e tomando gols bobos
não enche ninguém de confiança nesse time.
E novamente o problema
do Arsenal tem que ser analisado mais a fundo ou simplesmente na figura que
comando o clube por 20 anos. Acho que chegou a hora de o senhor de cabelos brancos deixar o comando.
Muitos comentaristas e
torcedores brasileiros que geralmente vejo comentando os seguidos insucessos do
Arsenal tratam o Arséne Wenger como um técnico ultrapassado. Quase um
desrespeito! Ora bolas! Ao contrário deles, não concordo, embora concorde que
sua saída seja benéfica para ambos os lados.
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| Wenger e o trófeu da Premier League em 2004. Imagem parece distante. Foto: Stuart Mac Farlane/Arsenal FC/ Getty Images |
O que os mais novos em campeonato
inglês e agora Premier League não entendem que a chegada do Arséne Wenger ao
clube não foi qualquer coisa. Foi à chegada de uma revolução na maneira de
pensar o futebol dentro clube. Pergunte a qualquer torcedor do Arsenal que
tenha seus mais de trinta e que se acostumaram as chacotas do tipo Boring
Arsenal ou One-nil to the Arsenal que inclusive virou hit de arquibancada entre
os torcedores gunners.
Meus amigos esses eram
tempos de futebol sisudo, chato e burocrático como conta o premiado livro Febre
de Bola do Nick Hornby. Para quem é torcedor do Arsenal e quer entender uma
grande parte da história do clube e também do futebol inglês esse é um livro
altamente recomendável.
Este é um trecho do
livro que explica exatamente o que eu falo. Aqui Hornby conta a primeira vez
que o garoto foi ao antigo Highbury para um confronto entre Arsenal e Stoke City
em 1968. “Acho que nós,
torcedores do Arsenal, temos profunda consciência de que o futebol jogado no
Highbury muitas vezes não é muito bonito de ver e que, portanto, nossa
reputação de time mais chato da história do universo não é tão distorcida
quanto fingimos ser; mas, quando o time é vitorioso, muito disso é perdoado. O
time do Arsenal que vi naquela primeira tarde era, há algum tempo, um
espetacular fracasso”.
Wenger mudou essa reputação.
Trouxe novos métodos de treinos, um estilo envolvente, toque de bola, renovação
na maneira de pensar o clube trazendo garotos e formando seu estilo até
vingarem e serem muito úteis. O time campeão inglês invicto e vice da Europa
não foram pontos fora da curva e sim, o ápice de um trabalho que rendeu até
menos títulos do que deveria.
Vi diversos
comentaristas e pessoas falando que a manutenção do técnico é uma espécie de
gratidão pelo título invicto em 2004, mas estes sabem pouco da importância do francês.
O problema da gratidão pode até existir, mas não é apenas pelo título invicto.
É muito mais pela história importante construída na história do clube.
Uma gratidão que vai se
tornando parasita e comendo o Arsenal em suas entranhas. Uma renovação é mais
do que necessário assim como foi antigamente. Não se trata de diminuir a
história do francês no clube, mas de não manchar mais do que está. Pode ser bom
para ambos uma mudança, pois o futebol se ganha com bola na rede e não com
posse de bola. Por vezes até um one-nil to the Arsenal serve.











