domingo, 31 de janeiro de 2016

A pelada, um derby na Espanha e uma reflexão

Barcelona abre boa vantagem sobre o rival Atlético de Madrid
Foto: Pau Barrena/AFP/Getty Images
Outro dia fui convidado para jogar uma pelada. Só havia um conhecido e que aliás foi quem me convidou. Sem jogar faz tempo, eu me preocupei em marcar e daí para frente o que vi foi um show de futebol freestyle dos horrores. Sabe aqueles campeonatos em que o principal é fazer um monte de coisas mirabolantes com a bola? Pois é, no jogo era cidadão com a bola que driblava um, dois e perdia. Depois esse mesmo que roubou a bola ia lá e queria driblar outro e perdia a bola também. E era assim, não existia jogo, um perde e ganha danado.

Aquilo foi me irritando, me enervando e daí fui lá, peguei a bola e toquei para o companheiro de time e passei. Esperava a bola, todo pimpão, crente no gol que ia fazer, sozinho, sem ninguém me marcando, mas aí........... um pouco mais de drible, pedaladas, rolinhos e o cara perde a bola e gol para o time adversário.

Enfim, encerrando essa história depois de uma bela bolada na cara minha atuação acabou mediocremente irritado no meu canto. Mas no sábado, depois dessa introdução a minha vida boleira, foi vendo o duelo entre Barcelona e Atlético de Madrid que comecei a refletir em algumas coisas nesse tal de futebol e como ele jogado no Brasil.

Observando o jogo foram cerca de 25 minutos fenomenais do Atlético de Madrid. Pressão na saída de bola do Barcelona, time compacto, inteligente, tático e preciso. Esse foi os colchoneros no Camp Nou lutando pela liderança da liga espanhola. O problema? Só durou 25 minutos e uma partida de futebol são noventa. A pilha exagerada e os erros pontuais em momentos cruciais foram fundamentais para a derrota da equipe do Diego Simeone.

O jogo tático e intenso, a defesa impecável, as bolas paradas trabalhadas incansavelmente pelo argentino levaram o Atlético de Madrid a um nível que fazia tempo que não alcançava. Hoje, os colchoneros voltaram a brigar de maneira intensa com o Barcelona e Real Madrid por títulos sem a grana dos gigantes milionários. Tudo graças ao jogo tático do Simeone e ao talento que o argentino garimpa.

Descontrole de Filipe Luís e sua expulsão definiram o
 resultado a favor do Barcelona Foto: Albert Gea/Reuters
O brasileiro adora o Barcelona e na cidade onde moro chego a ver mais camisas do clube catalão que de qualquer outro clube brasileiro, de todas as formas, falsas, verdadeiras, em adultos e crianças e por aí vai. O legal e fácil é apoiar o time do Messi, Neymar e cia. Para a maioria esse é o time do futebol-arte, do bom toque de bola, dos gênios e tudo passa somente por isso. Tática, como o time é armado, como defende, como ataca para melhor acomodar todos os talentos? Isso não importa.

O brasileiro foi moldado, cresceu achando que apenas o talento em um time de futebol é o que importa, a tática é para “alemão que não tem talento com a bola nos pés”, diria meu tio. Isso e todas aquelas lorotas que o Nelson Rodrigues escrevia lindamente, mas lorotas (me julguem).

Então hoje o que se viu no duelo dos dois melhores times da liga foi talento e tática, meus amigos, muita tática. Um duelo de estilos da melhor maneira. O Atlético de Simeone mostrou que é possível parar o trio na tática e jogar bola no talento. Ok, durou pouco tempo, mas é um começo e essa partida, tenho certeza, será analisada por outros técnicos que por ventura forem enfrentar esse Barcelona.

O time catalão é talento puro, mas joga incansavelmente criando espaços, trocando posições e hoje o time de Luis Henrique é mais vertical, busca encerrar as jogadas mais rapidamente na volúpia do trio sul-americano. Diferente da época do Pep Guardiola que envolvia na base da posse de bola e que, por vezes, se perdia quanto tinha um adversário que sabia marcar muito forte.

Enquanto isso o carinha lá com a camisa do Barcelona que não passava a bola para ninguém só entende o futebol em parte. Talvez esteja exigindo demais de uma simples pelada, mas é uma ideia que sai do pequeno e vai para o grande, ou seja, sai da pelada, da cabeça do brasileiro comum, passa pelos ditos especialistas, comentaristas e chega a seleção que hoje utiliza o famoso 4-2-3-bola no Neymar.

Quanto a pelada lá, eu acho que nem vou mais. Corre o risco de eu ver o carinha ainda hoje driblando do nada para o lugar nenhum e me irritar de novo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

De que lado estará a força?

Flamengo venceu o Atlético-MG na rodada de abertura
 da Copa Sul-Minas-Rio Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG/Divulgação
Um punhado de palavras bonitas foi usado em mais um documento oficial da CBF. Contudo as belas palavras só escondem o significado de outra não tão bonita assim, chamada opressão. E essa mostra muito bem quem são esses que comandam o futebol no país.

O tal documento fez questão de proibir a disputa da Primeira Liga neste ano e que o calendário deveria ser seguido com as disputados neste período dos famigerados estaduais. Desnecessário dizer que esta é uma atitude opressiva, mandatária de quem só pensa em manter o atual esquema vigente que cheira a podre no futebol brasileiro.

Enquanto o tal coronel Nunes não passa de um fantoche do Del Nero, a FERJ ameaça retirar as cotas de televisão de Flamengo e Fluminense, a Primeira Liga pode se configurar um possível respiro de inteligência de dirigentes que em sua grande maioria tem rabo preso com CBF, federações e cotas de televisão.

Se esses mesmos dirigentes conseguissem ter um mínimo de organização e união poderiam simplesmente 'chutar a bunda' de CBF e FERJ com seus desmandos. Problema é que a própria organização da Primeira Liga foi se implodindo com picuinhas e politicagem e foi dando brechas para esse tipo de atitude da confederação.

O futebol brasileiro precisa de idéias novas de gente que pense mais além do que é feito e mantido atualmente. Contudo, a atitude autoritária da instituição manchada por corrupção só conseguiu que esses clubes desorganizadamente dessem uma continuidade a competição de vez, mas até quando? 

A continuidade da Copa Sul-Minas-Rio é ainda uma incógnita a partir principalmente da segunda rodada quando começam as rodadas da competição a se chocar com os maravilhosos estaduais.

Se de fato os mandatários dos clubes querem manter a competição e um pouco de dignidade que ainda resta, que sigam com a ideia dela até o fim e batam de frente com a imaculada CBF. Vejamos as cenas do próximo capítulo. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Que ultrajante!

Corinthians ainda negocia a renovação do patrocínio
Foto: Rodrigo Coca/Fotoarena/VEJA
Recentemente a Caixa Econômica Federal divulgou os números do patrocínio que o banco irá despejar em dez clubes do futebol brasileiro. Ao todo, serão R$ 83 milhões em dinheiro público investidos em organizações privadas que sequer revertem esse dinheiro de volta aos cofres públicos.

Esse dinheiro ainda pode aumentar levando em conta a renovação do patrocínio corintiano e as possíveis acertos com outros clubes como o Vasco.

Gastadores de primeira e devedores melhores ainda, os clubes brasileiros recebem um presentão de Papai Noel mesmo tendo passado o Natal. Embora seja um banco e precise segundo o superintendente nacional de Promoções e Eventos da Caixa, Gerson Bordignon “ganhar mercado”, a Caixa Econômica é um banco estatal, que mexe com dinheiro público, portanto, não é qualquer banco.

Se essa desculpa não cola muito, imagina aquela que dizem que esse apoio milionário é em prol do esporte nacional. Ora bolas! Existe tanta coisa a ser feita de verdade em prol do esporte nacional como o financiamento de projetos que unam a formação educacional com o esporte em escolas públicas, em regiões carentes, tantas modalidades esquecidas por aí, e as meninas do futebol feminino, ou seja, tanta coisa a ser feita.

No momento em que patrocinadores recuam e os maiores clubes ainda não sabem com quem irão contar neste ano. Em um momento de cortes, crise econômica, política, financeira com contribuintes pagando as contas de um governo corrupto no mínimo toda essa dinheirama é um ultraje.

Clubes brasileiros não pagam seus impostos, eternos devedores e são presenteados com um grande patrocínio. Como fica aquele cidadão que rala o dia inteiro e chega ao fim do mês e tem a maior parte do seu dinheiro levado pelos impostos quando vê isso? É justo?

Além disso, ainda tem o mais longo debate sobre como é mal distribuída as cotas de patrocínio, seja ele de televisão ou outros no Brasil. Mais ultrajante ainda é ver a tamanha diferença que se faz entre os clubes com alguns ganhando muito mais que outros. Em se tratando de patrocínio estatal, o possível desnivelamento esportivo que esse presentão causa é mais bizarro.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O último duelo de Titãs?

Este é o 17º encontro da rivalidade Manning e Brady
Foto: AP Photo/ Steven Senne
Genialidade, nomes intimamente ligados com a bola oval e certos no hall da fama. Manning e Brady talvez façam o último duelo de um dos maiores clássicos da modalidade. O encontro do próximo domingo que decide uma vaga no tão sonhado Super Bowl 50 é o 17º encontro entre os dois na história.

Fazendo um apanhado geral da rivalidade são onze vitórias do quarterback do New England Patriots contra cinco de Manning. Em playoffs, porém, tudo fica empatado com duas vitórias para cada lado, portanto, fazendo esse jogo também um tira-teima entre os quarterbacks. Para evidenciar ainda mais o nível de importância dos dois jogadores dos 15 Super Bowls deste atual milênio, os dois quarterbacks estiveram em 10, sendo que Brady venceu quatro em seis participações e Manning venceu um de três participações, conforme apresentou a ESPN em recente matéria.

Contudo, analisando a temporada, Brady vem em melhor momento. O quarterback ainda é o mesmo de antes, o rapaz é que nem vinho quanto mais envelhece melhor fica. Depois do grande início invicto tentou se virar no fim da temporada regular com a queda de rendimento de seu time, derrotas e lesões de gente importante.

Agora o time aproveitou a folga na primeira semana para o retorno de lesionados e fez um bom jogo contra o esforçado Kansas City Chiefs. New England mostrou estar recuperado e de fôlego renovado para as próximas decisões e isso faz do time de Brady mais completo que o de Manning. Inegável ponto positivo para Brady, mas como duvidar de Manning?

Mesmo em uma temporada que ficou claro que não é mais o mesmo, em que está longe de ser o Manning de antigamente, o homem da camisa 18 ainda é o Manning. Para vencer, Denver Broncos deve focar no ataque terrestre e na forte defesa sempre preparada para pressionar o quarterback adversário e forçar seu erro.  

Este será um bom duelo de ataque contra defesa, diriam muitos, com grande vantagem para Brady, mas mesmo que tudo indique que sim, não consigo duvidar de um grande jogo inquestionável de Manning. Daqueles que fazem todo o mundo esquecer a péssima temporada que fez até o momento.

Não consigo duvidar de Manning como muita gente faz até porque foi vendo os jogos do quarterback, na época do Indianapolis Colts, que me apaixonei de vez pela modalidade. Bom, o mais importante é que os amantes da bola oval poderão ver mais um duelo desse porte novamente, mas fica a inegável tristeza de que talvez este seja o último.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A obra e sua moldura

Wendell Lira e o gol no Serra Dourada ainda pelo Goianésia
Foto: O popular
Luxo, tapete vermelho e todos os milionários da bola reunidos. Para ser sincero pouco me importa quem vai ganhar ou não a bola de ouro da FIFA ainda mais nesses tempos de Messi e Cristiano Ronaldo.

Conceder o prêmio com a titulação de “O melhor do mundo” não me entra na cabeça em um esporte coletivo. Poxa, dentro do campo um depende do outro. Para mim não dá premiar um jogador quando ele está inserido em um todo, um sistema e precisa dele para se destacar.

Confesso não entender o motivo de darem tanta importância a esse prêmio. Deve ser porque na nossa sociedade doente se premie sempre o individualismo em detrimento do coletivo. Talvez seja. Contudo ainda mais ridículo que isso é a hipocrisia de participar da premiação de uma entidade envolvida em escândalos, corrupção. Nenhum dos astros falou, ninguém comentou quando um jornalista perguntou, os melhores fugiram do assunto. Que falta faz um Cantona, um Sócrates ou um Gullit.

Pois bem, no tapete vermelho da hipocrisia, na tal festa de gala a simplicidade se fez presente. A história do Wendell Lira chamou atenção porque ele é o jogador de verdade no Brasil. Desempregado a pouco tempo, daqueles esquecidos pela CBF, pela elitização do futebol brasileiro, pelo calendário mal organizado, pelos clubes falidos, pela politicagem e corrupção.

Convido o leitor a prestar atenção nos gols mais bonitos da eleição. Preste bem atenção, o gol do Lira é o retrato do futebol brasileiro. Se o gol é uma obra de arte é nosso dever olhar a moldura. A obra é bonita, ali tem talento, mas desperdiçado em meio a um estádio vazio, feio, em meio a um campeonato vazio, desinteressante, em meio a uma partida jogada para meia dúzia de gatos pingados. A moldura, meus amigos, é feia, carcomida, velha, suja, corrupta, com a cara dos Marco Polos Del Nero da vida, dos coronéis Nunes, dos Maria Marins.

Ver ele ganhar o prêmio foi como ver o amigo que jogava bola comigo no campinho de terra da esquina vencer na vida, pelo menos uma vez em toda a sua vida. Eu mesmo que nunca dei bola para o tal prêmio fui lá e votei no gol dele pelo menos umas três vezes.

Lira é o retrato de uma história que não devia ser assim. Poderia e pode ser melhor. O gol dele é o retrato do futebol brasileiro ainda talentoso, mas desperdiçado pelo todo que o rodeia. Só me pergunto até quando o talento ainda vai suportar tanto desperdício. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Resumão da NFL no Papo Fiado

Blair Walsh erra chute de 27 jardas e provoca eliminação dos Vikings
Foto: Reuters
Fala pessoal! Como prometido o blog traz alguns comentários sobre o início dos playoffs da NFL que começaram com vitórias de Kansas City Chiefs, Pittsburgh Steelers, Seattle Seahawks e Green Bay Packers no Wild Card.

Um detalhe interessante é que essa é a primeira vez que todos os visitantes venceram seus jogos nesta fase da competição. Então, aí vão as análises:

Minnesota Vikings 9 x 10 Seattle Seahawks

Tudo sobre o jogo passa principalmente pelo frio e pelo kicker dos Vikings, Blair Walsh. O frio extremo limitou muito os ataques, principalmente o de Seattle que pouco conseguiu fazer. O quarterback Teddy Bridgewater conseguiu ser seguro em boa parte do jogo, mas ainda não tem tamanho para conseguir levar o seu ataque nas costas em jogos tão decisivos. Com isso, o kicker Walsh fez os nove primeiros pontos do jogo.

Diversos analistas colocavam uma força exagerada neste time dos Vikings que nunca consegui ver. Time competente, mas sem condições de vencer os experientes Seahawks. O frio equilibrou o jogo, sendo perceptível a diferença entre os times quando Russel Wilson conseguiu transformar uma jogada perdida em touchdown para Seattle e pouco depois Walsh errar um chute de 27 jardas que definiria a eliminação o time dele.

Washington Redskins 18 x 35 Green Bay Packers

Washington Redskins teve uma temporada além do esperado com o quarterback Kirk Cousins melhorando, sendo decisivo. E foi repetindo a boa fase que abriram 11 a 0 no início do jogo. Porém, Green Bay também repetiu neste jogo os melhores momentos da temporada quando teve um começo alucinante e, principalmente, deixou de lado os erros.

O principal desses erros era uma linha ofensiva cheia de problemas que não protegia e colocava sempre na pressão o Aaron Rodgers. A melhora foi significativa e com tempo e tranqüilidade, Rodgers é um dos melhores da liga lendo as jogadas e passando de maneira espetacular.

Green Bay se continuar assim deve ser um dos favoritos a chegar ao Super Bowl e Washington com a continuação do bom trabalho tem um futuro bom pela frente e quanto ao RG III, acho melhor ele procurar outro time se quiser continuar jogando.

Cincinnati Bengals 16 x 18 Pittsburgh Steelers

Jogo equilibrado e decidido nas faltas e erros individuais. Steelers foi mal, notável que não fez grande jogo. Para ser sincero esse não é um dos melhores Steelers dos últimos tempos. Tanto que os Bengals conseguiram fazer um bom jogo e quase ganhar a partida sem Andy Dalton.

A falta de capacidade mental para conseguir vencer um jogo que estava na mão foi decisiva para Cincinnati. As faltas bobas sepultaram a classificação do time e os Bengals ficaram mais uma vez nos playoffs.

Houston Texans 0 x 30 Kansas City Chiefs

Texans fizeram uma temporada regular bastante irregular e terminou com nove vitórias, mas com sete derrotas. Apesar de uma pequena melhorada é fato consumado que não acreditava de forma nenhuma que esse time conseguiria algo contra o bom Chiefs que evoluiu muito mais que o rival.

Quarterback talentoso (não é 49ers?), time seguro e que vai engrenando de vez são as credenciais dos Chiefs que fizeram o massacre acontecer. Isso e a péssima atuação do quarterback dos Texans Brian Hoyer responsável por cinco turnovers, quatro por interceptação e um fumble sofrido, e pelas vaias de torcedores insatisfeitos

A vitória significou para o KC Chiefs uma quebra de jejum que durou oitos jogos e quase 13 anos sem uma vitória nos playoffs. Fato é que o time do brasileiro Cairo Santos tem um time bom, mas que vai pegar uma parada dura pela frente.

Próximos confrontos:

New England Patriots x Kansas City Chiefs 
Arizona Cardinals x Green Bay Packers
Carolina Panthers x Seattle Seahawks
Denver Broncos x Pittsburgh Steelers

domingo, 10 de janeiro de 2016

Novidades

Olá, galera, o blog volta com força total neste ano de 2016 com algumas novidades. O espaço ficou parado no ano passado com algumas postagens, mas sem grandes atualizações o ano todo, mas neste será diferente. 

O blog vai trazer análises sobre futebol nacional e internacional, a temporada da NFL que chega aos playoffs e também NBA e a NHL, além da preparação de um podcast.

Fiquem ligados nas novidades!!!