sexta-feira, 16 de maio de 2014

O futebol jogado, o futebol parado e a eliminação do último brasileiro na Libertadores


Nos últimos anos os brasileiros dominaram a Libertadores, foram quatro campeões seguidos e a última vez que não tinha um clube brasileiro nas semi da competição sulamericana foi em 1991.

Antes de tudo, esse ano nenhum clube brasileiro mereceu nada, tirando o Grêmio que foi mais regular, jogando um futebol organizado, os outros se arrastaram muitas vezes fazendo o contrário (jogando mal e desorganizados) e dando aquela desculpinha “esfarraparada” de que é isso é Libertadores, tem que ser sofrido, tem que ser na raça.

A partir de agora irão aparecer os precursores do apocalipse dizendo que é uma vergonha, que o futebol brasileiro está falido e outras tantas bravatas de gente mais perdida que cego em tiroteio de quem só analisa os resultados.

Nosso futebol brasileiro e aí entram também a maioria dos jornalistas esportivos analisam e se centram demais apenas nos resultados e nem sempre nos números estão as respostas para tudo. Com isso, querendo ou não o futebol brasileiro não se analisa mais profundamente como deveria e está sempre ali no superficial.

Nesse sentido é que mora o grande perigo e as coisas não são tanto ao céu ou tanto ao inferno, mas são essas situações que devem ser analisadas esquecendo o resultado e a partir disso é que você encontra diversos fatores.

O completo desnível financeiro que existe entre o futebol brasileiro e o futebol sulamericano como um todo é um desses fatores. Em termos continentais, o futebol brasileiro é o mais rico entre todos e isso faz com eles possam montar equipes melhores, trazer jogadores de fora, pagar altos salários e seduzir bons jogadores e com isso dominaram nos últimos anos o torneio continental.

Mas isso não vai garantir que todo ano um brasileiro seja campeão continental quando o futebol é jogado dentro de campo e dentro dele é que os times argentinos, uruguaios, bolivianos, chilenos e outros tem dado uma lavada nos brasileiros.

Então por lá se percebe ideias novas, bom toque de bola e mesmo se for uma equipe limitada tecnicamente no mínimo é muito bem organizada taticamente e isso complica os times brasileiros.

O Flamengo quando foi enfrentar o Bolívar nunca achou que o time boliviano de pouco dinheiro e estrutura muito pior fosse jogar com bom toque de bola centrando todo o seu jogo na posse da criança. Foi surpreendido dentro do New Maracanã e na Bolívia quando não conseguiu ganhar em nenhuma das vezes.

Quanto ao Cruzeiro sequer conseguiu jogar um bom futebol, perigou cair na fase de grupos, quase caiu para o Cerro Porteño, comandado pelo Arce, e foi mal em três dos quatro tempos jogados nessas quartas contra o San Lorenzo.

A grande diferença entre os dois times não ficou evidente como muitos imaginavam, porque o San Lorenzo é bastante organizado taticamente e tem sua qualidade, mas não tanta como se encontra em boas quantidades no Cruzeiro com Everton Ribeiro, Julio Baptista, William e por aí vai.

E para terminar outra reflexão tentando fugir da superficialidade da análise dos resultados. Na Libertadores se joga o futebol jogado, não existe faltinha, não existe juiz parar o jogo por qualquer esbarrão, por qualquer coisa.

No Brasil o jogo é parado e muito diga-se. Aqui os juízes comandam o jogo no apito, o jogo fica chato, lento, não tem dinâmica, porque toda hora é parado, os jogadores aqui se acostumaram com isso e na Libertadores estranham, porque isso não existe.

Ontem foi notável isso. Os cruzeirenses iam na dividida e caiam, inclusive se você ver o início da jogada que resultou no gol do Nacho Piatti, veja como se joga o William em uma disputa de bola. E foi assim o jogo inteiro com o juiz deixando o jogo rolar como deve ser.

O futebol brasileiro jogado por aqui é referência apenas para quem acha que o Pelé ainda joga no Santos e o Zico no Flamengo. Não dá para ignorar as qualidades do futebol que é jogado no resto do continente e isso é feito aqui com o nariz empinado de gente que não sabe o que acontece além das fronteiras do Brasil. 


Na hora H a experiência que faltou ao Liverpool sobrou ao City na conquista do seu quarto título inglês

Antes de qualquer coisa esta foi a melhor edição de uma Premier League nos últimos tempos com o Manchester City campeão com apenas dois pontos a frente do Liverpool. Dito isso, uma palavra resume muito bem o título dos citizens: experiência.

Ao longo da temporada, o City sempre esteve entre os primeiros colocados, mas teve momentos em que o time comandado pelo chileno Pellegrini oscilou bastante e isso o deixou em determinado momento longe do título.

Essa experiência, essa “casca” que o Manchester City adquiriu e muitos de seus atletas como Kompany, o excepcional Yaya Toure (para mim o melhor do campeonato), Dzeko (importante e decisivo nos momento difíceis), o habilidoso David Silva, o regular Zabaleta foi mostrado nas últimas rodadas quando teve que fazer dois jogos perigosos contra Aston Villa e West Ham.

Daí meu caro leitor você me pergunta: ah, mas como o City tão tarimbado como esse ia perder para dois times fracos e de meio de tabela? E eu respondo: Foi justamente em uma partida como essa que o Liverpool deixou escapar qualquer esperança de título contra o Crystal Palace de maneira surpreendente.

E outra coisa a Premier League vem se consagrando justamente por apresentar uma competitividade em que times médios e pequenos conseguem arrancar pontos dos maiores ou coma mais possibilidades de título. Um exemplo, basta dar uma olhada em como o Chelsea se distanciou e sepultou qualquer chance de levar a taça para Stamford Bridge com resultados negativos contra equipes como Sunderland, o próprio West Ham, Norwich e outros.

Voltando para o City, foi nesses dois jogos quando teve que fazer partidas de paciência contra times extremamente organizados e disciplinados taticamente que apareceu a tal experiência para conseguir resultados que não foram fáceis contra o Villa e digamos nem tanto contra o West Ham.

Saber decidir foi o que faltou ao jovem time do Liverpool quando tinha a taça na mão e que depois de tantos anos sem ganhar uma Premier League seu time e torcida podiam sonhar novamente com um título que não vem desde 1990.

E foi por falta dela, da tal experiência, da tal “casca” que os Reds tropeçaram e de maneira até emblemática com seu capitão escorregando e dando um gol para o Demba Ba iniciar o inferno astral e a derrocada dos Reds nas rodadas finais do campeonato.

Com um time jovem, renovado e capitaneado por Gerrard, o Liverpool proporcionou alguns dos momentos mais deliciosos dessa Premier League com muitos gols ( foram 101) e futebol de alto nível, mas na hora H, na hora da decisão, falhou. Contudo, o trabalho do jovem Brendan Rodgers foi espetacular e remontou um Liverpool que depois de muito tempo brigou por um titulo inglês.

Se no início da temporada a meta era buscar uma vaga na Champions League ao fim dela ficou um ar de decepção por um título que não veio, mas também ficou o talento de um time jovem e um trabalho de um talentoso técnico que em longo prazo pode levar o Liverpool ao caminho das glórias novamente.

O choro do Suarez e a decepção estampada na cara dos atletas dos Reds quando o time deixou escapar a taça de vez contra o Palace depois que levou o empate quando vencia o jogo por 3 a 0 foi a falta da tal “casca” que estou falando pelo qual um time ou mesmo uma pessoa na vida tem que passar para conseguir feitos maiores.


As derrotas ensinam mais que as vitórias como certa vez disse o capitão Gerrard só que enquanto o City com um time que joga junto há algum tempo já aprendeu com elas e soube contornar momentos difíceis para conseguir seu quarto título inglês, o jovem time do Liverpool ainda vai ter que aprender. E que venha a próxima temporada!!!!