segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Futebol atual, Black Mirror e devaneios na madrugada

O fenômeno das torcidas caladas já sentido na Inglaterra
Foto: Divulgação /Internet
Tudo se torna um produto vendável até o sentimento mais profundo um grande negócio. É a máxima do sistema em que vivemos. Foi assistindo em uma dessas madrugadas ao episódio Fifteen Million Merits da série Black Mirror que fiz uma análise sobre o atual momento que o futebol mundial vive.

Tudo virou um circo vendável em que o mais importante é o dinheiro. Tudo isso utilizando o sentimento mais profundo de quem ama aquele esporte. E o principal fato é que poucos ali estão se importando com o torcedor.

O resultado disso é assustador para quem percebe. A falta de paixão tanto dentro como fora de campo, os palcos assépticos que parecem todos iguaizinhos como uma sala de cinema, as super contratações midiáticas e os times galácticos que impõem goleadas naquele outro cheio de história, mas sem as mesmas condições financeiras.

A competição é o básico de todo esporte, mas tudo mudou nos últimos anos quando um clube junta uma grana sabe se lá da onde e contrata meia dúzia de craques formando um time multinacional. Daí ele vai e vence todos os outros com facilidade. Isso tira o básico de todo esporte.

Sinto muito, mas não consigo achar graça em um jogo que o Barcelona surra de maneira inapelável um time tradicional como o Celtic com uma plateia calada cantando as mesmas canções sem graça. Tudo ali contando com a grana dos inúmeros turistas.

A falta de paixão em boa parte da atmosfera presente nos estádios da  Premier League foi criticada e alardeada por todos. Enquanto a Premier League elogiada pela forma como cresceu afasta seus apaixonados torcedores e traz seus calados consumidores quem perde é o futebol. Tudo virou um grande entretenimento e o futebol vai mais além.

O ‘abaixo o futebol moderno’ é uma bandeira belíssima, mas até essa bandeira está prevista pelo sistema e pode se transformar em um produto. Assim como o personagem principal Bing do episódio de Black Mirror e sua tentativa de gritar contra o sistema em que vive.

Série Black Mirror e sua tentativa de explicar a sociedade atual
Foto: Divulgação/Internet
A pergunta que fica é se seria possível fugir do sistema. Infelizmente acho que não e tenho problemas sérios quando vejo o futebol sendo vendido como um entretenimento barato qualquer.

No fim de tudo alguns não conseguem aguentar viver nesse sistema. E pensando nisso sempre lembro de Kurt Cobain e sua música Rape Me. Uma canção simples e completamente profunda como era o futebol antes de ser esse projeto mal acabado de si mesmo em que vem se transformando. Pelo menos ainda existem lugares onde o futebol resiste, mas até quando?

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Como você enxerga uma partida de futebol?

Vitória brasileira e consagração do trabalho recente de Tite
Foto: Divulgação/Internet
Antes de qualquer coisa esta foi a grande apresentação do Brasil aliando sobretudo o lado tático e técnico. Um complementando o outro como deve ser no futebol. Como por aqui isso ficou esquecido é a pergunta a ser respondida.

O primeiro gol de Coutinho é uma prova clara do trabalho de Tite que trouxe a seleção brasileira para jogar o futebol atual. Já disse um par de vezes aqui no blog que o amante do futebol tem que se livrar das amarras do básico. Sair do senso comum e partir para os diversos pontos de uma partida de futebol dentro e fora do campo.

O velho papinho de o time é ruim porque não tem craque para mim não cola muito. Vide o tratamento que outro dia o time do Newcastle deu a bola para chegar a um de seus gols contra o Ipswich Town. Isso mostra que não se precisa de craques para se colocar uma ideia de jogo que, claro, o grupo de jogadores que estão no time possa produzir. 

E aquela história de a geração é ruim de meses atrás? Chaaaaaaato!!!! Tem aquele da falta de raça tão debatido pelo Brasil afora também. Sério, devemos pensar o futebol de outro modo.

Tento atravessar essa fronteira do senso comum, busco me atualizar e descobrir coisas novas. Quando você se propõe a isso é inegável a abertura de um mundo bastante interessante na forma de contemplar o jogo. Atualmente vejo o futebol com olhos completamente diferentes da época de garoto.

A única coisa em toda essa campanha recente que me impressiona foi à forma como as ideias de Tite foram diluídas de forma rápida entre os jogadores que prontamente foram crescendo de produção ao longo dos jogos.

Já a pobre Argentina passa o drama vivido meses atrás pelo Brasil. Sem dúvidas o Bauza é um técnico melhor que Dunga. A comparação me parece ser insensata, mas cheguei a ver por aí alguns tentando comparar. Contudo, o trabalho do Bauza é tão ruim quanto aquele que ele fez no São Paulo.

Aliás, por ver as opções de técnicos de boa qualidade ficarem raras quando o fraco Tatá Martino saiu foi que Bauza ganhou sua oportunidade pela AFA. O argentino vem de trabalhos bastante inconsistentes e ruins e sua Argentina sem um funcionamento coletivo ideal para acomodar jogadores de nível técnico tão elevado é catastrófica.

Não me sai da cabeça uma jogada em que a Argentina sai com a bola dominada. Quando ela chega a Mascherano ele olha o meio-campo inteiro sem sequer uma opção de passe para continuar o jogo de transição mais rápida proposto pelo Bauza na segunda etapa. Uma situação calamitosa.

Aos poucos Tite vai calando uma a uma as recentes bobagens propagadas por aqui como máximas do futebol. Uma delas é a de que craque não marca, as outras já falei por aqui nesse texto. O que falta é só elas chegarem ao futebol jogado nos nossos times. Espero que isso não demore muito.