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| O fenômeno das torcidas caladas já sentido na Inglaterra Foto: Divulgação /Internet |
Tudo virou um circo vendável em que o mais importante é o
dinheiro. Tudo isso utilizando o sentimento mais profundo de quem ama aquele
esporte. E o principal fato é que poucos ali estão se importando com o
torcedor.
O resultado disso é assustador para quem percebe. A falta de
paixão tanto dentro como fora de campo, os palcos assépticos que parecem todos iguaizinhos
como uma sala de cinema, as super contratações midiáticas e os times galácticos
que impõem goleadas naquele outro cheio de história, mas sem as mesmas
condições financeiras.
A competição é o básico de todo esporte, mas tudo mudou nos
últimos anos quando um clube junta uma grana sabe se lá da onde e contrata meia
dúzia de craques formando um time multinacional. Daí ele vai e vence todos os
outros com facilidade. Isso tira o básico de todo esporte.
Sinto muito, mas não consigo achar graça em um jogo que o
Barcelona surra de maneira inapelável um time tradicional como o Celtic com uma
plateia calada cantando as mesmas canções sem graça. Tudo ali contando com a
grana dos inúmeros turistas.
A falta de paixão em boa parte da atmosfera presente nos
estádios da Premier League foi criticada
e alardeada por todos. Enquanto a Premier League elogiada pela forma como
cresceu afasta seus apaixonados torcedores e traz seus calados consumidores
quem perde é o futebol. Tudo virou um grande entretenimento e o futebol vai
mais além.
O ‘abaixo o futebol moderno’ é uma bandeira belíssima, mas
até essa bandeira está prevista pelo sistema e pode se transformar em um
produto. Assim como o personagem principal Bing do episódio de Black Mirror e
sua tentativa de gritar contra o sistema em que vive.
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| Série Black Mirror e sua tentativa de explicar a sociedade atual Foto: Divulgação/Internet |
No fim de tudo alguns não conseguem aguentar viver nesse
sistema. E pensando nisso sempre lembro de Kurt Cobain e sua música Rape Me.
Uma canção simples e completamente profunda como era o futebol antes de ser
esse projeto mal acabado de si mesmo em que vem se transformando. Pelo menos
ainda existem lugares onde o futebol resiste, mas até quando?


