domingo, 31 de agosto de 2014

A agonia vascaína

Com a goleada, o Vasco está fora da zona do G-4
Foto: Alexandre Cassiano/O Globo
Em mais uma pesquisa que indica a preferência dos torcedores brasileiros divulgada pelo Ibope revela mais uma vez o óbvio, com Flamengo e Corinthians no topo e mais uma série de outros números que tentam retratar a realidade das torcidas brasileiras.

Porém, apesar de tudo e sendo analisado como um todo,  a pesquisa encomendada pelo Lance! mostra a realidade de um clube que por mais que muitos neguem passa por um processo de apequenamento do que já foi. E isso é retrato de anos de incompetência administrativa de seus cartolas.

Segundo a pesquisa, o Vasco é agora a quinto clube com maior torcida no país, porém outro dado revela que o cruzmaltino viu o número de torcedores cair nos últimos anos de 5,8% em 2001 para 3,8% em 2014. Embora sempre se deva desconfiar e não acreditar fielmente nesse tipo de pesquisa, essa de fato é uma realidade do clube que tem visto não apenas seu torcedor minguar, mas seus ídolos e conquistas ao longo dos anos.

A goleada imposta pelo Avaí nesta 19ª rodada da série B é a maior sofrida pelo time carioca dentro de São Januário em sua história e a isso some ao fato de o time está disputando mais uma vez a segunda divisão e o caos interno pelo qual passa o clube e verá que o momento dos vascaínos não é de longe o melhor da sua história.

Adilson Batista não resistiu a goleada e acabou
 demitido do cargo Foto: Alexandre Cassiano/ O Globo
Claro, depois da goleada e com um time em mais uma tarde terrível de péssimo futebol, Adilson Batista não aguentou a pressão e acabou saindo. A derrota alimentou ainda mais o ridículo momento político pelo qual vive o clube com a volta do passado batendo a porta dos vascaínos com o nome de Eurico Miranda (aquele mesmo e há quem defenda o figurão).

Pare e pense um pouco: um clube que não tem organização para minimamente ter uma eleição na data certa e que conta com relatos de agressão entre pessoas de chapas que disputam o poder no clube não pode ter um futuro que não seja nebuloso.

Dentro de campo, o trabalho do Adilson Batista começou interessante, mas foi minguando depois de mais uma derrota para o rival Flamengo no famigerado e insustentável estadual carioca. Desde então, a equipe de Adilson foi perdendo o bom futebol que chegou a mostrar em alguns momentos. A grande quantidade de empates na série B (8 empates e 8 vitórias na campanha até o momento), as vitórias com atuações ruins e as derrotas com atuações horrorosas como a de sábado tornaram insustentável a permanência do técnico que nunca foi um nome muito querido pelos torcedores.

Conhecido como Gigante da Colina, o Vasco vai aos poucos sucumbindo aos desmandos de aproveitadores e despreparados. O problema que o clube vai morrendo aos pouquinhos sem que muitos vejam até chegar a hora em que não terá volta.

O torcedor é movido apenas por paixão e essa paixão é o que leva a sempre acompanhar o clube mesmo nos momentos difíceis, mas mesmo o maior patrimônio de um grande clube como o Vasco precisa ser bem tratado. Não se trata de vencer sempre, isso é impossível, mas de pelo menos respeitar a história imensa de um clube como esse.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Um futuro cheio de dúvidas

Mulgrew comemora o primeiro gol da goleada
 sobre o Dundee United Fonte: Divulgação/Celtic
Depois da Copa do Mundo, da volta do Brasileirão, agora as principais ligas da Europa estão começando, mas, não, esse post não irá falar do Manchester United, do Arsenal, Barcelona, Real Madrid, entre outros clubes mais midiáticos.

A Scottish Premiership, a liga escocesa, começou e veio com mudanças no dominante Celtic que venceu os últimos três títulos escoceses de forma categórica. Sob o comando do norte-irlandês Neil Lennon, o Celtic chegou ao que pareceu ser o limite técnico possível dentro do país e Europa.

É inegável o excelente trabalho de Lennon, das suas mãos e com investimento limitado saíram nomes como Forster, Wanyama, Hooper, Commons, Adam Matthews, Anthony Stokes, Emilio Izaguirre, Efe Ambrose, Wilson, Mikael Lustig, entre outros, mas ficou claro que ele conseguiu fazer o campeão escocês atingir o limite.

Vencer a SPL com as mãos nas costas, brigar bem na Liga dos Campeões atingindo as oitavas ou quartas se não der tanto azar nos sorteios é o máximo que a equipe pôde conseguir. Os resultados na última edição da UCL foram decepcionantes sob o comando do técnico norte-irlandês e isso deixou mais claro o limite do seu time. Lennon percebeu isso e reclamou por diversas vezes que precisava de mais condições e investimentos para trabalhar e por não ter sido atendido resolveu deixar o cargo.

Até mesmo por estas e outras fica na imaginação o que Neil Lennon poderia se tivesse uma equipe com mais possibilidades técnicas e de investimento. Além dele, outras ausências importantes são a do grego Samaras e Joe Ledley que foram embora e ninguém sabe por quais motivos.

Deila terá que se acostumar a pressão para pelo menos
 manter o bom trabalho de Neil Lennon
Fonte: Divulgação/Celtic
Então para essa temporada o torcedor terá que se acostumar com Ronny Deila que estava no Strømsgodset IF, da Noruega e que terá o seu maior desafio como técnico até o momento. O novato não teve os melhores resultados nesse começo e a quase eliminação nos playoffs da UCL para o Legia Varsóvia com um placar agregado de 6 a 1 não foi dos melhores para iniciar o trabalho sem pressão. 

O problema é que para não haver qualquer tipo de pressão sobre o técnico novato é preciso passar por essas partidas consideradas por muitos como as mais importantes do ano. Chegar a fase de grupos da UCL é mais do que importante para o Celtic manter um nível de investimento mínimo na sua equipe para conseguir segurar alguns dos seus melhores jogadores. Lennon fez mágica muitas vezes ao manter por anos seguidos o Celtic na principal fase de grupos da competição europeia.

Pelo menos para sorte de Ronny Deila e do Celtic, o Legia tratou de escalar um atleta irregular e cravar sua própria eliminação tirando um pouco a pressão de cima do norueguês de maneira tão embrionária.

Na SPL, os resultados foram bons e bem elásticos com um 3 a 0 na estreia sobre o St Johnstone, fora de casa, e pela segunda rodada no Celtic Park, um 6 a 1 inapelável para cima do Dundee United, mas o futebol ainda deixa a desejar.

O time tem sua qualidade e com outra perda importante anunciada com o goleiro Brandon Forster indo para o Southampton (a reposição pelo menos para a posição parece que foi a altura com Gordon assumindo o gol), Ronny Deila ainda não sabe como jogar sua equipe em campo e tem testado a melhor formação. O que é natural visto que teve pouco tempo a frente do time.

Com Lennon, o Celtic atingiu o nível máximo
para o atual investimento da equipe
Fonte: Divulgação/Celtic
O primordial é acertar a defesa que não foi tão segura principalmente contra o Dundee United. Não parece ser a melhor formação na última linha jogar com dois zagueiros lentos como o belga Denayer e Van Dijk formando o miolo da zaga, além do Ambrose como lateral.

Contra o Maribor na última terça pela UCL, Deila jogou com Lustig na lateral e manteve os dois zagueiros e corrigiu em parte o problema. Mais a frente, Commons vem mantendo ótimas atuações e parece ser aquele que deve tomar conta da equipe que ainda conta com o garoto McGregor que parece ter um futuro muito grande pela frente.

O problema é que para o Celtic encaminhar bem o próximo título escocês e manter até mesmo ainda alguns jogadores como o Van Dijk e Commons no elenco é fundamental se manter na UCL. Seria uma pancada muito grande nos torcedores, no time e economicamente. Ficar fora da fase de grupos da competição é peso muito negativo para o início do novo técnico, uma pressão que também poderia ser evitada pela diretoria que joga o técnico na jaula dos leões de maneira tão cedo.

Deila foi salvo por um erro que pelo menos na Europa não acontece comumente, mas já sabe que terá um trabalho árduo pela frente e para manter o mesmo nível do antecessor precisa de bem mais do que esses poucos jogos mostraram.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Você vê seu clube com frequência nas grandes mídias?

Marcelo Oliveira tem comandado o time que joga
o melhor futebol no país Foto: Juliana Flister/VIPCOMM
Há alguns anos atrás a seleção brasileira era um ninho de dois estados. São Paulo e Rio de Janeiro brigavam pelo controle técnico da seleção como irmãos brigam pelo último bombom. Basta dar uma pequena pesquisada na história do futebol brasileiro e ver que isso é fato comprovado.

Tudo bem até certo ponto isso pode até ter ficado no tempo, mas agora vivemos um outro tipo de ditadura Rio-São Paulo dentro do futebol só que por meio da imprensa que alimenta o torcedor com milhões de notícias sobre times como Corinthians, Flamengo, São Paulo, e por aí vai em detrimento de notícias de clubes da sua própria região ou mesmo outros grandes.

Aí uns vão dizer, mas é claro, esses são clubes de grande expressão e sendo assim é natural uma maior repercussão. É claro, eu respondo, e concordo, mas por diversas vezes é notável um exagero na repercussão a esses times quando a notícia importante vinda de um clube de outro estado é relegada para passar uma futilidade qualquer dos grande clubes de maior apelo.

Os programas esportivos nacionais passam horas falando de quatro clubes quando o campeonato brasileiro tem 20 equipes. É irrisório falar que são programas esportivos que se dizem nacionais. Claro que não dá para falar e saber de todos os clubes nos mínimos detalhes, mas por vezes pego um programa não dando a mínima repercussão a uma final da Copa do Nordeste por exemplo e falando horas no beijo do sheik Emerson em não sei quem.

Veja que é bem normal só darem repercussão ao futebol fora desses centros quando existem algo pitoresco ou um jogo com grande público e aí é que vão descobrir que o Santa Cruz por exemplo tem uma média de público maior que a da tão falado fiel corinthiana.

Uma das maiores torcidas do país sequer aparece como
 uma das maiores em pesquisas Foto: Trivela/Divulgação
Esses são os problemas de as mídias de grande repercussão estarem muito centradas nos dois estados e isso passa na forma como se enxerga o futebol por aqui também. O fato de após o Luís Felipe Scolari ser demitido do comando técnico da seleção e nem sequer o nome do Marcelo Oliveira ser ventilado com tanto afinco pela grande parcela da imprensa é um exemplo claro.

Se tivesse em um clube paulista ou carioca muitos e muitos mesmo estariam falando em seu nome como se não houvesse amanhã. Isso sem falar em outros nomes que mereceriam uma chance pelo que estão jogando. Ricardo Goulart é um deles, um atleta que mantêm atuações seguras e não é de hoje.

Não estou levantando hipóteses ridículas de eixo que comanda o futebol para algum desses clubes ganharem mais títulos e outras baboseiras que já ouvi muito por aí. Abordo infelizmente uma realidade, uma realidade comum por aqui e que está aí para quem quiser ver sem paixão clubística.

Isso sem falar nas pesquisas de opinião esdrúxulas que apontam as maiores torcidas do país e que não aparecem torcidas como a do Santa Cruz, Sport, Ceará, Fortaleza e colocam a Portuguesa com torcida maior que esses times só reforçam um pouco essa ideia. Não dá nem para levar a sério essas pesquisas.

Aos torcedores, cabe verificar quem é o formador de opinião que é na verdade um formador de opinião sério e não um mero torcedor travestido de jornalista ou apresentador de programa. Esses existem aos montes por aí.