terça-feira, 30 de agosto de 2016

Os recados de Guardiola

Guardiola e seus recados ao longo da carreira
Foto: Divulgação
Que Guardiola é um dos melhores técnicos do futebol mundial é falar ou no caso escrever mais do mesmo. Após o trabalho fenomenal com o Barcelona, o técnico não ficou na mesmice e vai se reinventando ao longo do tempo. De gênio forte, o espanhol bate de frente com quem for para defender suas ideias de futebol.

O último desses confrontos é a situação de Joe Hart. Goleiro importante nas conquistas recentes do Manchester City tem inegável popularidade com a torcida que o tem como um ídolo. Pois bem, Guardiola chegou ao clube e uma das primeiras ações foi colocar o goleiro inglês no banco.  Esse foi mais um dos recados do espanhol.

Hart é titular da seleção inglesa, um ótimo goleiro, mas um dos seus pontos fracos é justamente o jogo com os pés. Para que as ideias de futebol do Guardiola funcionem o técnico precisa de um goleiro que possa sair para o jogo com os pés. É fundamental algo como fazia Manuel Neuer no seu Bayern. Lembrando que goleiro alemão se transformou também em uma espécie de líbero principalmente com o espanhol no comando do clube bávaro que o fez melhorar com a bola nos pés.

A chegada de Claudio Bravo ao City é a prova de que Hart mesmo com apoio total da torcida irá ficar no banco ou talvez até sair do clube. Mais uma vez para defender suas ideias, Guardiola bateu de frente com quem fosse para mostrar e fazer aquilo que queria. Esse foi um recado ao goleiro inglês. Ele precisa melhorar como goleiro e isso passa pelo fato de saber jogar com os pés.

E o técnico espanhol ao longo de sua carreira vai fazendo isso. Alguém lembra a goleada do Barcelona sobre o Santos no Mundialito da FIFA e as respostas embasadas logo após o jogo na coletiva com repórteres? Fã confesso da outrora forma de jogar da seleção brasileira foi logo se apressando a comentar que o Barcelona jogou naquela final era o futebol que se jogava no futebol brasileiro no passado.

Aquela goleada e a forma avassaladora até mais interessada do que realmente acontece quando os clubes europeus chegam a uma final de “mundial de clubes” foi um recado claro ao futebol brasileiro. E já faz cinco anos e ninguém aqui ainda entendeu o recado.

Já no Bayern, Guardiola foi capaz de dar outro recado só que este ao futebol alemão. O projeto de futebol germânico já rende resultados fantásticos e novos modos de enxergar a modalidade dentro do país. Contudo, mesmo com a excelência, o espanhol ainda levantou uma questão para o futebol alemão.

Quando chegou ao Bayern já se apressou em trazer Douglas Costa. Os motivos: precisa de um jogador jovem, forte, rápido e habilidoso que tivesse versatilidade. Capaz de no um contra um quebrar uma defesa bem organizada. Um jogador que pudesse suprir principalmente a ausência de Ribery que vinha de longos problemas físicos.

Com isso passou seu recado ao futebol alemão. Por mais que já tenho revelado muitos jovens de qualidade, os germânicos ainda não produzem esse tipo de jogador. Um jogador com capacidades que são o forte de Douglas Costa. O Brasil ainda produz bastante deste tipo de jogador.

Óbvio que o espanhol não é o rei das verdades, ninguém é, mas é inegável que Guardiola é uma referência e como referência merece ser ouvida. Seus recados estão aí para quem quiser pegar no ar e fazer bom proveito delas.


sábado, 20 de agosto de 2016

E agora?

Filosofia de jogo. Isso ficou na minha cabeça
na final olímpica de futebol
Foto: Divulgação 
O tão sonhado ouro olímpico enfim aconteceu para o Brasil. Do massacre coletivo exagerado de imprensa e torcida após os empates com África do Sul e Irã, as vitórias contra as frágeis Dinamarca e Honduras passando pela pancadaria contra a Colômbia e a vitória sofrida contra a Alemanha. Não exatamente na ordem. Depois de tudo e agora?

A conquista deve ser comemorada, mas extremamente relativizada. Primeiro porque o Brasil era favorito pelo time que montou e depois ninguém, mas ninguém deu tamanha importância ao fraco torneio de futebol olímpico do que o próprio.

Para a CBF, a medalha é tudo o que sonhava os dirigentes. Agora eles terão o inédito título olímpico nas mãos para responder a qualquer um que criticar o modelo de gestão (se é que existe modelo de gestão) no futebol brasileiro.

Dentro de campo a vitória fará para com que Micale tenha suas ideias propagadas pelo atrasado futebol brasileiro. Isso é bom. Tive a oportunidade de ver isso na seleção vice-campeã do Mundial Sub-20 e em alguns poucos momentos nesta seleção olímpica. Natural que no país do resultado a derrota seria o de mais um descarte de trabalho nas divisões de base. Para Micale mais do que qualquer outro seria extremamente injusto.

Contudo, não entremos na onda de ‘O campeão voltou’. A comemoração vale para a torcida, mas não para quem deve pensar nos rumos do futebol brasileiro. Perder e ganhar é do jogo e mesmo com a derrota o que vi foi o total apogeu do projeto alemão de futebol propagado por muitos.

Horst Hrubesch faz parte desta filosofia de jogo
nas categorias de base da Alemanha
Foto: Divulgação
O futebol teve mudanças abruptas. Não basta apenas o craque, o talento. As equipes que ganham não são mais essas. A união do coletivo com o talento é primordial, mas se você tiver uma equipe minimamente organizada coletivamente trará problemas para outros times. O Brasil montou o seu time com o melhor que podia com a inclusão luxuosa de um dos melhores craques do futebol mundial, Neymar. Gente graúda e alguns dos propagados futuros craques como o Gabriel Jesus.

A Alemanha não. Hrubesch teve que chamar o que pôde e com isso veio até o surpreendente Nils Petersen do Freiburg. É um time formado por uma garotada do Leverkusen, RB Leipzig, do Hoffenheim, Schalke 04, Borussia Dortmund, Karlsruher, Ingolstadt e por aí vai.

Todos os que jogaram a Eurocopa ficaram de fora e isso vale para os melhores do sub-23 como Jonathan Tah do Leverkusen, Kimmich do Bayern Munique, Weigl do Dortmund, Emre Can, Draxler, Sané, Niklas Stark, Mahmoud Dahou.

Muitos desses jovens que estiveram no Maracanã não irão vestir a camisa da seleção principal, mas sabem jogar o futebol de passe e movimentação que são modelos do atual futebol alemão. Veja o gol de Meyer e tenha um exemplo prático. Foi colocado em prática o que foi aprendido desde cedo e o time brasileiro que tinha mais talento e era favorito pelo jogadores teve dificuldades, bastante dificuldades. A diferença é grande entre os dois no sentido de existir uma filosofia de jogo e isso foi o que ficou na minha cabeça.

Em longo prazo não se tem projeto de futebol aqui. Enquanto na DFB existe trabalho em todas as categorias de base com foco na seleção principal, a total bagunça que é o futebol brasileiro ficou evidenciada hoje.


Enquanto todos viam a final da seleção olímpica que em diversos momentos era subjugada pela garotada alemã, uma equipe como o Vasco jogava para pouco mais de 7 mil pessoas pelo returno da segunda divisão. De uma sensibilidade enorme da CBF colocar alguns jogos praticamente no mesmo horário. Fora os outras partidas da Série B e Série A que poucos viram. 

Uma coisa que não entendo é como os clubes brasileiros se submetem a isso e infelizmente conhecendo este país a medalha transformará tudo no futebol brasileiro a coisa mais linda que não é nem de longe. Eu sei que o futebol alemão tem um modelo a seguir que trará outras taças, mas para o futebol brasileiro não sei. E agora?  

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Marta é melhor do que Neymar?

Brasil goleia a Dinamarca e pressão diminui.
É sempre 8 ou 80 com a torcida brasileira Foto: Divulgação
Empate sofrível com o Iraque, dois jogos, nenhum gol e vaias muitas vaias. Esse foi o cenário no estádio Mané Garrincha há alguns dias atrás. Agora mais do que nunca ganham os holofotes as frequentes comparações entre as seleções masculina e feminina.

Já acho esquisito torcida vaiar o próprio time. Não faço parte dessa galera. O grande problema mesmo é que a seleção brasileira seja ela qual for ficou refém do ideal estético de 'futebol-arte', da ‘ginga brasileira’.

Este produto tem que ser obrigatório e se a atuação não estiver de acordo com o ideal estético propagado como forma de jogo da seleção brasileira é vaia na certa. Repito que a seleção não precisa da medalha olímpica como tem se propagado por aí, o torneio olímpico é irrisório para a modalidade no masculino.

O futebol brasileiro precisa mesmo é de ideias de jogo, um time minimamente organizado que saiba jogar o que se propõe nem que seja para renegar a bola e jogar de forma mais cautelosa como o Iraque fez. Micale sabe como propor o jogo, mas suas ideias não serão encaixadas em tão pouco tempo, mas ele sabe a bucha que pegou. Sabia do risco e mesmo assim assumiu a responsabilidade.

Contra a Dinamarca o time foi melhor, evoluiu em alguns pontos, porém nada de outro mundo e a fragilidade dos dinamarqueses com a bola e sem ela ajudou bastante. As melhorias em diversos pontos irão acontecer ao longo da competição e existe grande chance de medalha até mesmo porque não existem adversários muito melhores no torneio.

Seleção feminina tem ganhando grande apoio.
Pena que é somente nas Olimpíadas Foto: Divulgação
Três jogos, duas vitórias e um empate, oito gols feitos e apenas um tomado. Entregando resultados que o time masculino não fez a seleção feminina ganhou maciço apoio da torcida brasileira. Muito legal, mas o problema é que será por curto período de tempo. Se essas vitórias não viessem, fico na dúvida se teriam tanto apoio, porque normalmente o futebol feminino por aqui não tem.

Vejo por aí muitos falando como se apoiassem elas nos poucos projetos de futebol feminino que conseguem sobreviver no Brasil. Agora são todos profundos entendedores de futebol feminino.

O fato de elas não terem apoio é culpa desses mesmos supostos entendedores, da imprensa que só passa a modalidade nas Olimpíadas e principalmente da CBF que mais do que nunca deveria dar o apoio necessário para o desenvolvimento sustentável da modalidade e não como vem fazendo atualmente.

Comparações entre as duas seleções são inúteis em todos os sentidos e tem um tanto de canalhice de quem a faz. Se o futebol masculino precisa de ideias de jogo, o feminino precisa de apoio para chegar ao nível tático e técnico do masculino. O jogo feminino é extremamente ingênuo, fraco tecnicamente mesmo, precisa ainda encarar anos de descaso para poder chegar a um nível maior. Se tiver esse apoio com certeza o desnível entre o masculino e o feminino irá diminuir.


O mesmo que grita ‘Marta é melhor do que Neymar’ tem sua parcela de culpa no fato do futebol feminino nunca ter dado certo por aqui, porque normalmente ele não se interessa pelo produto, não dá a mínima.  A CBF não se interessa em melhorar a modalidade no país, transformou a seleção masculina em um balcão de negócios. No feminino, a entidade do futebol brasileiro só percebe que mulher joga bola mesmo de quatro em quatro anos assim como todos vocês!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Na mente de Magnano

Reação foi fundamental para o
time que precisa consertar erros
Foto:Nóbrega/Inovafoto/Bradesco
Início das Olimpíadas e depois do ótimo França e Austrália que pude acompanhar fiquei na espera pela estreia da seleção brasileira masculina de basquete. Com uma atuação surpreendente a Austrália de Bogut, Dellavedova e Patty Mills detonava a França e fiquei animado para no domingo ver algo do tipo pelo Brasil.

Um primeiro tempo completamente perdido, errando defensivamente e vendo os lituanos acertando todas as bolas de três contrastou com o segundo tempo mais vibrante, forte defensivamente e com mais movimentação.

Os erros do time brasileiro sepultaram qualquer chance de um jogo mais equilibrado. Poderia se esperar um jogo complicado, mas não uma diferença de atuação e consequentemente de placar tão grande ao final do primeiro tempo. Foram 29 pontos de diferença.

Com um grupo forte que ainda tem Argentina, Croácia e Espanha, sem dúvida, uma trinca complicada sem esquecer da Nigéria (essa sem tanta força), o Brasil não pode mais se dar ao luxo de ter uma atuação tão irregular como essa. Além da defesa desorganizada, outro erro cabal foram os excessivos erros nos lances livres. Em jogos equilibrados uma boa média de acertos em lances livres faz a diferença entre uma vitória e uma derrota.

Faltou aproveitar o nervosismo e o excesso de faltas que os lituanos cederam. A vitória poderia ter vindo, mas a reação foi importante para colocar o time do Magnano nos eixos pensando sobretudo nas próximas rodadas.

O destaque positivo foi Leandrinho que pegou a bola e chamou o jogo. Fica a dúvida se o jogador irá aguentar essa função no restante do campeonato. Raulzinho foi outro ponto de desequilíbrio apresentando um ótimo basquete, principalmente, no lado defensivo.

Magnano terá que corrigir o time, pois a vitória surpreendente da Croácia sobre a Espanha coloca os croatas como mais uma seleção a tentar de fato garantir sua vaga. O jogo será duro contra a Espanha e mudanças me parecem necessárias. Raulzinho no lugar de Huertas? Pode ser. Outro ponto foi a entrada de Augusto Lima e Felício que se saíram bem melhor no garrafão ao lado do Nenê. Veremos o que Magnano irá fazer, tudo depende dele.