domingo, 31 de agosto de 2014

A agonia vascaína

Com a goleada, o Vasco está fora da zona do G-4
Foto: Alexandre Cassiano/O Globo
Em mais uma pesquisa que indica a preferência dos torcedores brasileiros divulgada pelo Ibope revela mais uma vez o óbvio, com Flamengo e Corinthians no topo e mais uma série de outros números que tentam retratar a realidade das torcidas brasileiras.

Porém, apesar de tudo e sendo analisado como um todo,  a pesquisa encomendada pelo Lance! mostra a realidade de um clube que por mais que muitos neguem passa por um processo de apequenamento do que já foi. E isso é retrato de anos de incompetência administrativa de seus cartolas.

Segundo a pesquisa, o Vasco é agora a quinto clube com maior torcida no país, porém outro dado revela que o cruzmaltino viu o número de torcedores cair nos últimos anos de 5,8% em 2001 para 3,8% em 2014. Embora sempre se deva desconfiar e não acreditar fielmente nesse tipo de pesquisa, essa de fato é uma realidade do clube que tem visto não apenas seu torcedor minguar, mas seus ídolos e conquistas ao longo dos anos.

A goleada imposta pelo Avaí nesta 19ª rodada da série B é a maior sofrida pelo time carioca dentro de São Januário em sua história e a isso some ao fato de o time está disputando mais uma vez a segunda divisão e o caos interno pelo qual passa o clube e verá que o momento dos vascaínos não é de longe o melhor da sua história.

Adilson Batista não resistiu a goleada e acabou
 demitido do cargo Foto: Alexandre Cassiano/ O Globo
Claro, depois da goleada e com um time em mais uma tarde terrível de péssimo futebol, Adilson Batista não aguentou a pressão e acabou saindo. A derrota alimentou ainda mais o ridículo momento político pelo qual vive o clube com a volta do passado batendo a porta dos vascaínos com o nome de Eurico Miranda (aquele mesmo e há quem defenda o figurão).

Pare e pense um pouco: um clube que não tem organização para minimamente ter uma eleição na data certa e que conta com relatos de agressão entre pessoas de chapas que disputam o poder no clube não pode ter um futuro que não seja nebuloso.

Dentro de campo, o trabalho do Adilson Batista começou interessante, mas foi minguando depois de mais uma derrota para o rival Flamengo no famigerado e insustentável estadual carioca. Desde então, a equipe de Adilson foi perdendo o bom futebol que chegou a mostrar em alguns momentos. A grande quantidade de empates na série B (8 empates e 8 vitórias na campanha até o momento), as vitórias com atuações ruins e as derrotas com atuações horrorosas como a de sábado tornaram insustentável a permanência do técnico que nunca foi um nome muito querido pelos torcedores.

Conhecido como Gigante da Colina, o Vasco vai aos poucos sucumbindo aos desmandos de aproveitadores e despreparados. O problema que o clube vai morrendo aos pouquinhos sem que muitos vejam até chegar a hora em que não terá volta.

O torcedor é movido apenas por paixão e essa paixão é o que leva a sempre acompanhar o clube mesmo nos momentos difíceis, mas mesmo o maior patrimônio de um grande clube como o Vasco precisa ser bem tratado. Não se trata de vencer sempre, isso é impossível, mas de pelo menos respeitar a história imensa de um clube como esse.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Um futuro cheio de dúvidas

Mulgrew comemora o primeiro gol da goleada
 sobre o Dundee United Fonte: Divulgação/Celtic
Depois da Copa do Mundo, da volta do Brasileirão, agora as principais ligas da Europa estão começando, mas, não, esse post não irá falar do Manchester United, do Arsenal, Barcelona, Real Madrid, entre outros clubes mais midiáticos.

A Scottish Premiership, a liga escocesa, começou e veio com mudanças no dominante Celtic que venceu os últimos três títulos escoceses de forma categórica. Sob o comando do norte-irlandês Neil Lennon, o Celtic chegou ao que pareceu ser o limite técnico possível dentro do país e Europa.

É inegável o excelente trabalho de Lennon, das suas mãos e com investimento limitado saíram nomes como Forster, Wanyama, Hooper, Commons, Adam Matthews, Anthony Stokes, Emilio Izaguirre, Efe Ambrose, Wilson, Mikael Lustig, entre outros, mas ficou claro que ele conseguiu fazer o campeão escocês atingir o limite.

Vencer a SPL com as mãos nas costas, brigar bem na Liga dos Campeões atingindo as oitavas ou quartas se não der tanto azar nos sorteios é o máximo que a equipe pôde conseguir. Os resultados na última edição da UCL foram decepcionantes sob o comando do técnico norte-irlandês e isso deixou mais claro o limite do seu time. Lennon percebeu isso e reclamou por diversas vezes que precisava de mais condições e investimentos para trabalhar e por não ter sido atendido resolveu deixar o cargo.

Até mesmo por estas e outras fica na imaginação o que Neil Lennon poderia se tivesse uma equipe com mais possibilidades técnicas e de investimento. Além dele, outras ausências importantes são a do grego Samaras e Joe Ledley que foram embora e ninguém sabe por quais motivos.

Deila terá que se acostumar a pressão para pelo menos
 manter o bom trabalho de Neil Lennon
Fonte: Divulgação/Celtic
Então para essa temporada o torcedor terá que se acostumar com Ronny Deila que estava no Strømsgodset IF, da Noruega e que terá o seu maior desafio como técnico até o momento. O novato não teve os melhores resultados nesse começo e a quase eliminação nos playoffs da UCL para o Legia Varsóvia com um placar agregado de 6 a 1 não foi dos melhores para iniciar o trabalho sem pressão. 

O problema é que para não haver qualquer tipo de pressão sobre o técnico novato é preciso passar por essas partidas consideradas por muitos como as mais importantes do ano. Chegar a fase de grupos da UCL é mais do que importante para o Celtic manter um nível de investimento mínimo na sua equipe para conseguir segurar alguns dos seus melhores jogadores. Lennon fez mágica muitas vezes ao manter por anos seguidos o Celtic na principal fase de grupos da competição europeia.

Pelo menos para sorte de Ronny Deila e do Celtic, o Legia tratou de escalar um atleta irregular e cravar sua própria eliminação tirando um pouco a pressão de cima do norueguês de maneira tão embrionária.

Na SPL, os resultados foram bons e bem elásticos com um 3 a 0 na estreia sobre o St Johnstone, fora de casa, e pela segunda rodada no Celtic Park, um 6 a 1 inapelável para cima do Dundee United, mas o futebol ainda deixa a desejar.

O time tem sua qualidade e com outra perda importante anunciada com o goleiro Brandon Forster indo para o Southampton (a reposição pelo menos para a posição parece que foi a altura com Gordon assumindo o gol), Ronny Deila ainda não sabe como jogar sua equipe em campo e tem testado a melhor formação. O que é natural visto que teve pouco tempo a frente do time.

Com Lennon, o Celtic atingiu o nível máximo
para o atual investimento da equipe
Fonte: Divulgação/Celtic
O primordial é acertar a defesa que não foi tão segura principalmente contra o Dundee United. Não parece ser a melhor formação na última linha jogar com dois zagueiros lentos como o belga Denayer e Van Dijk formando o miolo da zaga, além do Ambrose como lateral.

Contra o Maribor na última terça pela UCL, Deila jogou com Lustig na lateral e manteve os dois zagueiros e corrigiu em parte o problema. Mais a frente, Commons vem mantendo ótimas atuações e parece ser aquele que deve tomar conta da equipe que ainda conta com o garoto McGregor que parece ter um futuro muito grande pela frente.

O problema é que para o Celtic encaminhar bem o próximo título escocês e manter até mesmo ainda alguns jogadores como o Van Dijk e Commons no elenco é fundamental se manter na UCL. Seria uma pancada muito grande nos torcedores, no time e economicamente. Ficar fora da fase de grupos da competição é peso muito negativo para o início do novo técnico, uma pressão que também poderia ser evitada pela diretoria que joga o técnico na jaula dos leões de maneira tão cedo.

Deila foi salvo por um erro que pelo menos na Europa não acontece comumente, mas já sabe que terá um trabalho árduo pela frente e para manter o mesmo nível do antecessor precisa de bem mais do que esses poucos jogos mostraram.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Você vê seu clube com frequência nas grandes mídias?

Marcelo Oliveira tem comandado o time que joga
o melhor futebol no país Foto: Juliana Flister/VIPCOMM
Há alguns anos atrás a seleção brasileira era um ninho de dois estados. São Paulo e Rio de Janeiro brigavam pelo controle técnico da seleção como irmãos brigam pelo último bombom. Basta dar uma pequena pesquisada na história do futebol brasileiro e ver que isso é fato comprovado.

Tudo bem até certo ponto isso pode até ter ficado no tempo, mas agora vivemos um outro tipo de ditadura Rio-São Paulo dentro do futebol só que por meio da imprensa que alimenta o torcedor com milhões de notícias sobre times como Corinthians, Flamengo, São Paulo, e por aí vai em detrimento de notícias de clubes da sua própria região ou mesmo outros grandes.

Aí uns vão dizer, mas é claro, esses são clubes de grande expressão e sendo assim é natural uma maior repercussão. É claro, eu respondo, e concordo, mas por diversas vezes é notável um exagero na repercussão a esses times quando a notícia importante vinda de um clube de outro estado é relegada para passar uma futilidade qualquer dos grande clubes de maior apelo.

Os programas esportivos nacionais passam horas falando de quatro clubes quando o campeonato brasileiro tem 20 equipes. É irrisório falar que são programas esportivos que se dizem nacionais. Claro que não dá para falar e saber de todos os clubes nos mínimos detalhes, mas por vezes pego um programa não dando a mínima repercussão a uma final da Copa do Nordeste por exemplo e falando horas no beijo do sheik Emerson em não sei quem.

Veja que é bem normal só darem repercussão ao futebol fora desses centros quando existem algo pitoresco ou um jogo com grande público e aí é que vão descobrir que o Santa Cruz por exemplo tem uma média de público maior que a da tão falado fiel corinthiana.

Uma das maiores torcidas do país sequer aparece como
 uma das maiores em pesquisas Foto: Trivela/Divulgação
Esses são os problemas de as mídias de grande repercussão estarem muito centradas nos dois estados e isso passa na forma como se enxerga o futebol por aqui também. O fato de após o Luís Felipe Scolari ser demitido do comando técnico da seleção e nem sequer o nome do Marcelo Oliveira ser ventilado com tanto afinco pela grande parcela da imprensa é um exemplo claro.

Se tivesse em um clube paulista ou carioca muitos e muitos mesmo estariam falando em seu nome como se não houvesse amanhã. Isso sem falar em outros nomes que mereceriam uma chance pelo que estão jogando. Ricardo Goulart é um deles, um atleta que mantêm atuações seguras e não é de hoje.

Não estou levantando hipóteses ridículas de eixo que comanda o futebol para algum desses clubes ganharem mais títulos e outras baboseiras que já ouvi muito por aí. Abordo infelizmente uma realidade, uma realidade comum por aqui e que está aí para quem quiser ver sem paixão clubística.

Isso sem falar nas pesquisas de opinião esdrúxulas que apontam as maiores torcidas do país e que não aparecem torcidas como a do Santa Cruz, Sport, Ceará, Fortaleza e colocam a Portuguesa com torcida maior que esses times só reforçam um pouco essa ideia. Não dá nem para levar a sério essas pesquisas.

Aos torcedores, cabe verificar quem é o formador de opinião que é na verdade um formador de opinião sério e não um mero torcedor travestido de jornalista ou apresentador de programa. Esses existem aos montes por aí.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Kaká pode ser a experiência em um instável São Paulo

Apesar da derrota, Kaká fez um bom jogo logo na estreia
Foto: Rubens Chiri/Site Oficial SPFC
Apesar de mais uma derrota, a segunda seguida e de Muricy Ramalho não conseguir fazer essa equipe evoluir taticamente, o são paulino teve pelo menos um motivo para sorrir no domingo. Kaká voltou e parece que veio trazendo um pouco do que de melhor apresentou ao longo de sua carreira embora que por poucos meses.

O meia brasileiro sempre foi um ótimo jogador e fazia das suas arrancadas uma das armas principais no seus melhores momentos, porém o tempo passa e o vigor físico vai embora, isso é da vida. Nos últimos momentos de Milan tentava chamar a responsabilidade em um time longe dos melhores dias.

Kaká mais do que nunca tem que se reinventar, aprender a jogar diferente e agora com mais experiência pode ser o jogador completo que muitos achavam que ele era há alguns anos atrás. Qualidade ele tem de sobra para isso e se quiser chegar novamente a seleção deve fazer isso, pois basta ver o que Kuyt fez com a Holanda já no alto de seus 34 anos sendo uma peça variante do esquema do Van Gaal.

No Serra Dourada sua estreia foi animadora, se apresentou para o jogo, trocou bons passes e movimentou bem pelas linhas são paulinas. E naquela sua objetividade arriscou seus chutes de fora da área (ainda ótima arma do meia). Logo na estréia fez um gol e apesar da derrota mostrou que pode fazer a diferença nesses próximos meses.

Ficou claro que mesmo ainda pesado e sentindo um pouco a falta de ritmo de jogo, Kaká é muito acima da média e para o nível do futebol brasileiro é mais ainda. Jogando no time e se entrosando com os companheiros de time, pode ser a peça para organizar o instável time paulista nesse brasileiro.

Uma outra esperança é que ele coloque a disposição seu nome forte dentro do futebol mundial para tentar ser uma peça de mudanças fora de campo também. O futebol brasileiro precisa de mais atletas do nível dele.

domingo, 27 de julho de 2014

O futebol profissional é uma coisa distante no Brasil

Torcedores do Corinthians tiveram dificuldades
ao volta para casa Foto: Reprodução/ESPN
Em momentos de debates na tentativa de reconstrução de um futebol que está defasado, queiram uns ou não, um exemplo deixou bem claro o tamanho desse atraso na última quarta. Torcedores corinthianos tendo que correr para conseguir pegar o metrô que encerra as atividades antes do fim da partida e perdendo o final do jogo pelo qual eles pagaram é uma situação completamente fora de sentido, um tanto quanto bizarra para quem sonha com um futebol mais profissional.

O que aconteceu na quarta é mais um relato de como o futebol brasileiro trata o seu torcedor. O horário das 22h já é um crime com qualquer cidadão que queira acompanhar seu time in loco na quarta e depois no outro dia tenha que acordar cedo para trabalhar. Aí mesmo assim a pessoa decide ir, paga por um ingresso que é caríssimo, completamente desproporcional ao espetáculo dentro de campo e o tratamento fora dele, e tem que sair antes de o jogo terminar para poder chegar em casa.

O que aconteceu no Itaquerão escancara um problema antigo do torcedor brasileiro que quer ir torcer pelo seu time no estádio nas rodadas do meio de semana. Isso existia no Pacaembu, no Morumbi e existe em várias cidades brasileiras. Basta conversar com um torcedor e você vai perceber isso.

Nos diversos debates que vi e ouvi na semana e que falavam sobre o problema, muito poucas pessoas botaram o dedo na ferida de verdade. Não é o metrô, o transporte público que tem que se sujeitar a esse horário completamente fora de sentido. Existe uma inversão de valores tremenda. O mais fácil seria trocar o horário, colocar o jogos em um horário mais cedo e seria bom para todos, mas a detentora dos direitos dos campeonatos no Brasil é quem manda e por isso o jogo é tão tarde. Por isso mesmo, nada vai mudar enquanto não for interessante para a Globo.

Os jogos com baixo público principalmente na quarta são também um reflexo dessa decisão. Para passar sua novelinha semanal diversos torcedores tem que ir embora mais cedo do estádio para poder chegar em casa e ainda diversos outros tantos sequer pensam em deixar sua casa na quarta a noite e ir ao estádio, porque sabem dessa situação.

A Globo tem sua parcela de culpa, mas os clubes tem uma parcela bem maior. São eles que deveriam zelar pelos direitos do seu torcedor e consumidor, são eles que perdem com os estádios vazios. Todos eles são complacentes e se vendem por qualquer dinheirinho para poder seguir sobrevivendo no fim do mês.

Não dá para pensar em um futebol mais profissional vendo esse tipo de situação acontecer. A única coisa que mudou com a Copa do Mundo são as arenas que só estão se tornando uma desculpa para “inteligentes dirigentes” aumentarem incrivelmente o valor do ingresso. O futebol como um produto bem tratado é uma realidade distante por aqui.


domingo, 13 de julho de 2014

A reestruturação do futebol brasileiro se tornou uma chata briga partidária

Dilma já recebeu o Bom Senso FC, movimento que
pede mudanças no futebol brasileiro.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Depois da derrota da seleção brasileira de forma categórica para a Alemanha e Holanda começaram, enfim, os debates de modernização do futebol brasileiro. Um título mundial conquistado nessa copa e com esse futebol ia mascarar muita coisa de errado de só quem acompanha o futebol nacional pode dizer. Aos “coxinhas patrióticos” que só sabem que a bola é redonda de 4 em 4 anos que me desculpem.

Enquanto os brasileiros tentam digerir a derrota e em momentos que Felipão vem tentando "tapar o sol com a peneira" para os erros táticos e técnicos de sua seleção, você percebe que tipo de gente comanda a CBF e o futebol brasileiro.

Foram eles que colocaram o técnico e a comissão técnica que está no comando após "chutar a bunda" de maneira inesperada do Mano Menezes interrompendo um trabalho que se não era espetacular causaria impactos negativos no comando do time. Eles sequer apareceram para falar qualquer coisa depois de uma derrota como essa, não deram as caras. Onde estão Marin e seus comparsas agora?

Cada vez fica mais claro que o fato de colocar o Mano para correr, no momento em que parecia que seu trabalho estava começando a dar certo, foi desconsiderada as questões técnicas, táticas, foi apenas por questões políticas.

O problema é que após a presidente Dilma falar em modernização do futebol brasileiro, após o oportunista Aldo Rebelo falar que o estado poderia intervir no futebol brasileiro se percebe o extremo jogo político em que está metida a própria CBF e de como o assunto virou uma nojenta guerra partidária.

Essa guerra de opiniões e partidos políticos em nada ajuda os interesses de uma mudança real, pois assim como acontece em outras questões que tomam o país e que nunca se resolvem, o assunto sempre toma um viés partidário chato, com troca de farpas entre situação e oposição.

É o que acontece mais uma vez agora com a CBF tomando um caminho para aderir a campanha pró-Aécio Neves nessas eleições, insatisfeita com as críticas e com as declarações do governo Dilma em querer mudar suas estruturas arcaicas, o que lógico, pode afetar a boa vida dos “dirigentes” da confederação.

Após acreditar que os debates seriam positivos depois de derrotas como essa, realmente começo a concordar com a opinião do "carrancudo" Muricy Ramalho que disse que nada iria mudar  nas estruturas do futebol brasileiro. Uma pena, mas ele está certo.

sábado, 12 de julho de 2014

A pane do futebol brasileiro

Felipão também é um dos culpados pelo mau futebol.
Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo
A grande desculpa do Felipão e sua comissão técnica para a goleada da Alemanha foi a de que o time teve um momento de pane, um apagão durante o período em que os alemães foram empilhando gols sobre os olhares perplexos do público no Mineirão.

Enquanto o Brasil vencia com dificuldade adversários que muitas vezes jogaram melhores, o técnico e a comissão da CBF falavam nos problemas emocionais dos jogadores para explicar os problemas técnicos, táticos da seleção.

A desculpa foi uma cortina de fumaça, uma desculpa ideal para os problemas de uma seleção sem ideias no meio-campo e que jogava sempre a bola para Neymar resolver. A desculpa tanto não colou, claro, para quem teve o cuidado de analisar a situação sem o tradicional pachequismo que cega até mesmo aqueles mais inteligentes, que o mesmo Júlio Cesar chorou antes, pegou dois penais e continuou chorando depois.

O problema da seleção nunca foi emocional, de pane ou apagão, foi, sim da falta de um trabalho sério tático e técnico. Foi a falta de ideias desse tal futebol moderno que tanta gente fala por aí. Nas oitavas, Sampaoli deu uma mostra desse futebol moderno, ali o Brasil perdeu o jogo, esqueça o placar que por centímetros não concretizou o que estou falando.

Digo e repito esse time do Brasil me pareceu uma emulação daquele Palmeiras horroroso que foi campeão da Copa do Brasil na bola parada do Marcos Assunção. O problema é que aquele time do Palmeiras achou um jeito de ganhar de qualquer maneira com atletas horrorosos como Mazinho, Betinho, Leandro Amaro, Daniel Carvalho.

Pelo contrário esse Brasil tem atletas de tanta qualidade incomparáveis aos do Palmeiras naquela época que é possível formar uma grande equipe, então, não dá para entender. Só sei, amigos, que foi  escancarado para o mundo o péssimo estado do futebol brasileiro.


Uma carta aberta ao Barbosa

Um dos melhores goleiros do futebol brasileiro e culpado
pela derrota no Maracanazo. Foto: divulgação
Naquele dia, Barbosa, você tomou um gol diante de 200 mil pessoas que mudaria sua vida. Aquele gol do Ghiggia machucou sua meta e seu coração muito mais do que qualquer outra pessoa.

Pois é, meu caro Barbosa, mais de 50 anos depois o Brasil recebe uma Copa do Mundo e a seleção brasileira ou da CBF, hoje não sei mais de quem é, tomou uma goleada da Alemanha de forma tão impiedosa quantos os insultos que você sofreu no restante de sua vida após aquele gol.

Onde quer que esteja tenho certeza que você está triste com essa derrota, mas me permita discordar de você só um minuto. Essa goleada é a vitória de todos que querem um futebol brasileiro estruturado desde a sua base. É a vitória de todos que clamam pela saída de pessoas como aquele tal Marin, é a vitória daquele torcedor indignado que vê nosso futebol perder espaço para os grandes campeonatos europeus com grandes jogadores, estádio lotados e muita organização.

Barbosa, essa foi a vitória de um trabalho sério, de pessoas que perceberam que algo tinha que ser mudado nas estruturas de seu futebol e com o tempo isso foi feito. Os títulos ainda não vieram, mas parece ser questão de tempo até empilharem troféus por aí. Por lá existem um plano para o futebol nas gerações futuras, formação de talentos mesmo e um campeonato organizado.

Meu goleiro, hoje os brasileiros tem uma empáfia do tamanho do seu país quanto o assunto é futebol e acham que tem a única grande seleção do mundo. Nessa copa, amparados por um técnico de atitudes arrogantes e contestáveis que fechou a cabeça para novas ideias levaram uma surra que nunca vão se esquecer.

Naquela época Barbosa, quando você estava em campo o Brasil ainda não tinha sido campeão mundial, hoje eles têm cinco, mas depois de tanto tempo eles ainda acham que se vangloriar de seus cinco títulos mundiais como se não houvesse amanhã pode ser desculpa para cada meio de semana e domingo ver um campeonato pobre, mal organizado e uma entidade corrupta que afasta a própria seleção do seu povo.

Meu caro, o que eu vi era que mesmo quando venciam mostravam uma emulação do que de pior tem o futebol jogado dentro de nossos campos sempre maltratados e cheios de buracos. O futebol mudou, mas ainda sim tal qual uma flor por vezes nasce na secura do deserto, produz tantos atletas de qualidade que você nem imagina.

Olha, nessa copa, Felipão e Parreira tomaram um baile do Sampaoli, do Miguel Herrera e do sempre contestado Joaquim Löw. Para inventar uma desculpa chegaram a ler até uma carta de uma dona Lucia, veja só, nem sei mais o que pensar deles e do nosso futebol.

Deixo um grande abraço para você, Barbosa, você fez o que pôde para ser campeão do mundo, não deu, mas você é o campeão do mundo que o futebol deveria ter. 

domingo, 6 de julho de 2014

Onde estão os limites?

Neymar sente a lesão que o tirou da Copa do Mundo
Foto: Getty Images
Jogo duro, pegado e mal arbitrado. Carlos Velasco fez uma das piores arbitragens dessa copa, mas se o jogo se excedeu dessa maneira, sem cartões por parte do árbitro, foi porque ele simplesmente seguiu as ordens da "dona" FIFA.

As orientações da entidade em todos os jogos é para os árbitros em todos os lances sempre contemporizar, medir bem os cartões, conversar. Todos e repito todos os árbitros estão fazendo isso. Não estou defendendo o espanhol, mas ele seguiu ordens e não mediu as conseqüências disso. Contudo, a repercussão da arbitragem ficou pior com a lesão do Neymar no lance da pancada de Zuñiga. E aí, chego ao ponto em que queria.

O lance foi grosseiro, pesado, mas daí a transformar o rapaz em um vilão, um assassino é demais. Se você jogou bola nem que seja em pelada sabe que lances fortuitos acontecem. Alguém pode quebrar a perna, o braço ou a terceira vértebra. Isso acontece, é uma fatalidade. Pelo que se pôde ver, Zuñiga quis, sim, dar uma pancada no Neymar, mas machucar o atleta brasileiro daquela maneira, com certeza, não era sua intenção.

A imprensa tem lidado de forma irresponsável com isso, culpando o lateral, apontando o dedo de forma passional. Repito novamente que jornalistas não são torcedores, são jornalistas, que devem analisar a situação de forma racional.

Após todo o acontecido, Zuñiga foi xingado de todos os nomes nas redes sociais. Nos comentários se viu até atitudes racistas e xenófobas. E a coisa ficou tão nojenta a ponto de em uma foto que está a filha do atleta que deve ter uns 4 ou 5 anos, ter pessoas chamando a menina de vários nomes e outras coisas das quais eu não preciso falar aqui.

Aí a coisa está realmente fica séria, pois não sou daqueles que acha que em rede social vale tudo e acredite tem gente que acha isso. O pessoal está passando dos limites da decência, do respeito e da civilidade.

É realmente uma pena o garoto ficar de fora da copa, mas vai se recuperar bem e terá todos os cuidados para isso, deve ser muito ruim sair dessa forma, mas é jovem e terá outras copas para jogar e ganhar.

Uma coisa é ficar comovido com o drama do atleta e outra é os “patriotas” de plantão que só são brasileiros de quatro em quatro anos se excederam de uma forma que não dá para qualquer pessoa em sã consciência compreender e entender. Tenho certeza que esses mesmos "patriotas" que hoje defendem o Neymar de forma tão "acalorada" estariam detonando o rapaz em uma eventual derrota brasileira. E tenho certeza que mercenário seria o mais brando dos comentários que Neymar iria ouvir e ler por aí sobre ele.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Jornalistas ou torcedores?

Sara Carbonero é musa, torcedora ou jornalista?
Foto: Getty Imagens
Qual é o verdadeiro papel do jornalista esportivo? Ou de qualquer jornalista no exercício da sua profissão? Creio que fazer aquilo que foi jurado no momento da formatura e acima de tudo ser parcial em suas opiniões.

Antes de falar do assunto que esse post irá abordar tenho que dizer sobre o caso Suarez e mais uma das suas mordidas. A dentada do uruguaio contra Chiellini gerou inúmeras opiniões, discussões e outros “poréns” ao longo dos dias que se seguiram a punição extremamente ridícula da FIFA. Essa é uma entidade que não tem moral alguma para dar qualquer punição, quanto mais uma tão severa como essa.

As discussões se acirraram de tal modo que os uruguaios começaram a esbravejar contra Deus e o mundo dizendo que todos estavam contra eles e tudo o mais. Besteira! Suarez foi mal, errou e merecia ter sido punido. A única coisa que pode e tem que ser discutida é o tamanho da punição.

Depois, Tabárez fez um discurso em que falou sobre a punição ao seu atleta e sobre como ela foi calcada nas opiniões dos meios de comunicação. O discurso teve momentos de erros e acertos por parte do técnico, mas não é o isso que vou analisar e sim o que aconteceu logo depois: os aplausos dos jornalistas uruguaios ao Tabárez.

Todos têm um time, uma seleção, uma pátria, mas no exercício da profissão um jornalista tem que ser imparcial, pois só dessa maneira se pode analisar o contexto para “através da crítica e análise da sociedade visar um futuro mais digno e mais justo para os cidadãos”. Isso seria o ideal, mas o que vemos é diferente.

O que se vê por aí, é que muitos se sentem parte da delegação de suas seleções, acham que são parte do time. É comum ver jornalistas vestidos com os uniformes de seleções trabalhando na cobertura delas nessa Copa do Mundo. E dá-lhe repórter “musa” em que interessa mesmo é o corpo da menina e não o que ela tem de interessante para trazer para o público.

Jornalistas não podem agir como torcedores, como foi no caso dos aplausos dos uruguaios ao Tabárez, não se trata de ser uruguaio, brasileiro, mas sim de ser jornalista. No dever da profissão o seu dever é analisar o contexto e criticar quando tem que criticar e elogiar quando tem que elogiar.

Torcer é para torcedores, o dever do jornalista não deve ser confundido com os berros do Galvão Bueno e sua cegueira absoluta com a seleção ou as besteiras que tem falado o senhor Alejandro Fantino da Rádio La Red nas transmissões dos jogos da Argentina. Esses dois tem alimentado aquela chata rivalidade Brasil e Argentina que tem vivido alguns momentos difíceis nessa copa e que ultrapassam o nível do bom senso e da brincadeira.


O que importa é vencer

Messi mais uma vez foi decisivo para a Argentina.
Foto:AFP PHOTO/Gabriel Bouys
O que foram aqueles últimos minutos do dramalhão argentino em São Paulo com um gol magistral assinado pelos pés de Messi e Di Maria. Isso sem falar naquela bola na trave de Dzemaili no fim do jogo. O fato é que a Argentina fez nessas oitavas sua pior partida nessa Copa do Mundo, mas vai sendo empurrada pela genialidade de seu maior jogador, pelos gritos e canções dos argentinos espalhados por aí.

Assim como o comentarista Mauro Cesar Pereira da ESPN comentou outro dia, também tenho percebido certa condescendência com as atuações da seleção argentina por parte da imprensa e torcida. Enquanto por aqui estão batendo forte na seleção brasileira se apoiando na muleta dos problemas psicológicos dos atletas, enquanto na Alemanha o trabalho do péssimo Joachim Löw a cada jogo é achincalhado, na Argentina o que se tem visto é que não importa o quanto jogam mal se no fim das contas saírem vencedores.

A Argentina não ganha um titulo de grande expressão,  daí eu tiro a medalha de ouro nos jogos olímpicos de 2008, no futebol profissional há 21 anos quando em 1993 levou a Copa América e a partir daí nada mais. Se for levado em conta o jejum em copas daí o jejum já dura 28 anos quando Maradona empurrou a Argentina para o título de 86.

Essa Copa do Mundo realizada no Brasil é a grande oportunidade que os argentinos estão vendo de levar a taça, pois acreditam em Messi e amparado pela pouca distância para o Brasil tem aparecido milhares de argentinos que mesmo sem ingresso estão por aqui para mandar bons fluídos.

O jejum de títulos tem contribuído para essa condescendência dos argentinos e o pragmatismo tem reinado, assim como em 94 quando o Brasil estava na fila há 24 anos. Naquela competição o Brasil contou com as atuações inspiradas de Romário e Bebeto que desequilibraram, assim como Messi e Di Maria estão fazendo.

Até mesmo por nenhuma das favoritas ter desempenhado um futebol convincente e pelo fato de o equilíbrio estar reinando nessa copa, os argentinos sonham e sonham mais ainda em uma final com Messi decidindo e se for contra o Brasil, melhor ainda. Mesmo que não for campeão de uma coisa eu sei: que até o final Messi e companhia estarão jogando ao som do hipnótico “Brasil, decime que se siente”.

sábado, 28 de junho de 2014

Jogamos como nunca perdemos como sempre

Neymar tem segurado a pressão e uma seleção mal preparada.
Foto: Ricardo Matsukawa/Terra
Começo este post como este título, porque deve ser mais ou menos isso que os chilenos devem estar pensando depois de mais essa derrota em Copas do Mundo para a seleção brasileira. Porém ao contrário das outras vezes quando o Brasil venceu fácil, lembra da goleada de 4 a 1 em 98 e o 3 a 0 em 2010, dessa vez o destino foi mais maldoso com  La Roja e com os chilenos.

Eles viram tão perto uma possível classificação nos momentos finais da prorrogação naquela bola do Pinilla (sim, aquele mesmo que o vascaíno há de se lembrar e logo querer esquecer tão mal foi a passagem do chileno por lá) que o sonho ficou a poucos centímetros de muita sorte para os brasileiros e muito azar para os chilenos.

Essa seleção do incontestável Scolari é de uma limitação tremenda para criar algo e jogar com alguma qualidade. Depende demais do tal Neymar que consegue não sei como suportar a pressão de um time com poucas ideias que joga a bola para ele resolver em todo o jogo. A atuação do primeiro tempo foi boa até com um gol mais que manjado, mas o segundo foi de doer declaradamente e a prorrogação foi horrível com a seleção brasileira rifando bolas para o “genial” Jô.

O Chile não usou a intensidade que foi vista nos últimos jogos, a marcação pressão subia, mas não como em outros dias. O sol de uma hora, os declarados problemas físicos de algumas peças chilenas foram ficando claros com o passar do tempo. No segundo tempo da prorrogação os chilenos se arrastavam em campo pedindo, por favor, onde estão os penais.

O fato é que La Roja não fez sua melhor partida hoje, com suas melhores características, mas ainda assim chegou tão perto que o sentimento de perder assim deve ser horrível, como todo torcedor que é torcedor um dia já deve ter sentido com seu time.

Quanto a arbitragem, ela foi ruim, Howard Webb é considerado por alguns um grande árbitro e eu lhes digo que nunca vi esse grande árbitro atuar. Sua arbitragem foi péssima mais uma vez, errando em lances capitais e parando o jogo a todo momento.

O fato é que a seleção brasileira chega as quartas com muitas indefinições e dúvidas sobre até onde jogando dessa maneira pode ir nessa competição.  A La Roja, mais uma vez eliminada, fica a decepção, mas a garantia de um trabalho bem feito que pode render frutos em um futuro próximo.   

Até quando Müller vai resolver?

Müller mais uma vez foi decisivo. Foto:Brian Snyder/Reuters
“Essa seleção é uma das favoritas”, “O time está jogando bem”, “Esse time pode tirar o título do Brasil”. Foi mais ou menos isso o que se ouviu sobre a seleção alemã a cada jogo seu nesta Copa do Mundo. Com a fim da primeira fase, a Alemanha fez o que dela se esperava ao terminar em primeiro lugar em um grupo até traiçoeiro, porém o nível do futebol apresentado pela Nationalelf passa longe de ser o de favorita.

Há muito tempo esta Alemanha apresenta problemas crônicos na defesa ou quem não se lembra daquele empate com a Suécia no Estádio Olímpico de Berlim. Naquele dia, a Alemanha tomou um empate depois de estar vencendo de 4 a 0. Para tentar resolver esse problema, Löw passou a jogar literalmente com quatro zagueiros desde a estreia contra Portugal. 

Contra o time luso a tática deu certo, mas a facilidade aconteceu muito mais pela fraqueza do adversário do que pelos acertos do time alemão. Porém, ali mesmo naquela partida pôde-se ver a fraqueza do time alemão em doses homeopáticas. Quando usou de velocidade e marcou a pressão para roubar a bola da defesa alemã, Portugal chegou com perigo por algumas vezes, logo no começo do jogo, depois teve o pênalti, a expulsão do Pepe e o resto é história.

Se contra Portugal, o ponto fraco do time de Löw foi mostrado em doses homeopáticas contra Gana ele ficou escancarado. A Nationalelf sofreu com a marcação pressionada dos ganeses. Com a saída de bola menos qualificada e lenta o jogo alemão não fluía. Sem laterais no ataque, não existiam opções para desafogar o meio que ficava travado com a boa marcação de Gana.

Na defesa, com zagueiros lentos na recomposição, o time ficou exposto à velocidade de ataque dos ganeses. Basta dar uma olhada no gol da virada de André Ayew com roubada de bola para cima de Lahm e bom passe que culminou no tento.

Contra os Estados Unidos, novamente quatro zagueiros e Klinsmann que conhece muito de futebol sabia bem o que fazer para travar a Alemanha. Deixar os zagueiros tocando a bola lentamente longe do seu gol foi uma das estratégias do bom time americano e a Alemanha ficou ali boa parte do jogo tocando entre os zagueiros até que geralmente o Lahm fosse buscar a bola e tentasse algo a mais.

Não dá para admitir que um técnico que tenha tanto tempo no comando de uma equipe como Löw tem chegue a uma Copa do Mundo sem uma definição de time. A Alemanha é uma equipe muito inconsistente e cheia de problemas defensivos. É por isso que chovem críticas ao seu trabalho e não é de hoje.

Bom, para não dizer que tudo é ruim, atuando como um “falso nove”, Müller tem sido muito decisivo. Com quatro gols em três jogos, o rapaz tem sido fundamental para Alemanha por sua movimentação e talento para estar no lugar certo e na hora certo, mas até quando uma equipe pode depender tanto de um homem para chegar a um título mundial?

terça-feira, 24 de junho de 2014

Futuro Nebuloso



A Itália chegou para essa copa com muitos problemas e indefinições, mas antes de falar da eliminação da azurra de mais um mundial seguido queria fazer uma retrospectivado trabalho de Cesare Prandelli.

O início foi excelente e bastante promissor. Com ele surgiram novas idéias, um sopro de vivacidade em meio ao marasmo tático e técnico em que se encontrava a azurra depois da eliminação na primeira fase do mundial de 2010. E com essas novas ideias, ele colocou o time italiano para propor o jogo, gostar do ataque, dos gols e ele reinventava o time com diversas variações táticas.

E Prandelli levou a azurra a uma improvável final de Eurocopa depois de fazer grandes partidas na primeira fase contra a Espanha, bater a Alemanha nas semi, acabou tomando uma goleada de um time mais pronto e que sabia o que fazer para ganhar que naquela época era o time espanhol.

Com um inesperado vice-campeonato europeu, Prandelii teve a tranquilidade que queria para trabalhar e se esperava uma evolução no trabalho. Foi justamente o que não aconteceu. O futebol de seu time se esvaiu, a Itália passou a jogar mal com problemas defensivos recorrentes e falta de criação.

E daí os jogos ruins continuaram até que culminaram nessa campanha com duas derrotas, uma vitória e eliminação precoce em mais uma copa. Hoje, Prandelli tentou e mandou sua equipe jogando a la Juventus, com os três zagueiros juventinos e pirlo sendo o quarterback .
Mandou também Balotelli e Immobile para formar pela primeira vez sua dupla de ataque e nada deu certo. Ofensivamente a Itália não criou, Balotelli completou sua copa horrorosa e fez mais uma partida ruim sendo substituído logo no intervalo. 

Defensivamente tudo ia até tranquilo, pois o Uruguai era bola para o Suárez e apenas isso, mas o gol de Godín colocou os uruguaios na frente em jogo pouco técnico, de muita briga e que quem encontrasse primeiro o gol sairia com a vitória.

O fato é que a Itália não convenceu, apresentou péssimo futebol e nem parecia que Prandelli estava há tanto no comando da azurra. Esta eliminação significa a falha total de seu projeto e parece que ele percebeu isso quando logo após o jogo pediu demissão do cargo.

Ainda não se sabe qual vai ser o futuro de Prandelli ou da azurra que viu também a aposentadoria de Pirlo com a camisa italiana. Sem ele e talvez sem Buffon, o futuro parece um tanto nebuloso quando se pensa na próxima euro e copa do mundo que ainda virão.

Raça uruguaia ou pobreza técnica?

Ao fim da partida Tabárez mais uma vez recorreu àquele velho papo da raça uruguaia, de jogadores que são torcedores para explicar mais uma vitória sofrida e a classificação para as oitavas de seu time.

Tudo isso é verdade, a celeste joga com o coração alentada pelo grande número de uruguaios que atravessaram a fronteira e estão ao montes por aqui. Porém uma pergunta que tenho feito e que sinto falta nas respostas do Tabárez é onde está o futebol do Uruguai?

A verdade é que a celeste é de uma pobreza técnica tremenda, cria muito pouco e pula o meio-campo por uma bola esticada ao mordedor Luis Suárez. Jogando sozinho contra três zagueiros era muito difícil que ele fosse fazer algo. Ele é craque, mas exigir desse jeito dele é demais.

Com o gol de Godín, o Uruguai na base do suor e da raça charrúa passou de fase, mas vejo que esse time tem um limite claro e isso acontecerá quando dele for exigido menos raça, suor e mais qualidade técnica. Nesse momento o Uruguai irá tombar nessa copa do mundo. 

sábado, 21 de junho de 2014

Torcedores x Espectadores

Torcidas sul-americanas têm sido o grande diferencial dessa
copa Foto: Stanley Chou/GettyImages
Começo este post dizendo que o futebol é pra todos, ele é do negro, do branco, do rico, do pobre e de quem quiser. Futebol é o esporte-rei diria aquele comentarista e ele é o que é hoje, porque é de todos.

Bom, dito isso, faz tempo que tenho percebido que existe uma elitização velada do público no futebol brasileiro. E acabaram as gerais, o valor do ingresso aumentou, cada vez mais obrigam o torcedor a ficar sentado todo certinho em sua poltrona acolchoada.

Não digo que não deve ter poltrona, que não tem que ser acolchoada, mas digo que todos têm o direito de torcer do jeito que quiser e se for de pé, tudo bem, se for sentado, tudo bem, se eu quiser levar uma faixa, uma bandeira, tudo bem.

Quando se fala em seleção isso é aumentado por mil e dá-lhe a torcida toda de verde amarela, sentadinha entoando o único canto que sabe, o tal do “eu sou brasileiro como muito orgulho” e por aí vai e depois é muito silêncio e vaias se o time for mal.

Com torcidas cada vez assépticas por aqui a imprensa esportiva brasileira está se impressionando com o clima que as seleções sul-americanas têm trazido para os seus jogos. E eles cantam, cantam o jogo todo, estão perdendo cantam, estão vencendo cantam também.

Uruguaios, chilenos, argentinos ainda não estão sofrendo essa elitização, a grade maioria deles são ratos de arquibancada, que ficam no alambrado, que sofrem com o seu time, que torcem em pé, que torcem sentado, que torcem como torcedor.

Infelizmente, pouco a pouco, estão afastando uma grande parcela do público do futebol, daqueles que levam bandeira, que cantam, lembra daquelas figuras que iam as gerais e abrilhantavam as finais de estadual no Rio de Janeiro, pois bem isso acabou.

No momento que escrevo esse texto acabei de ver uma vitória fenomenal do Chile sobre a Espanha e os torcedores chilenos berraram os 90 minutos do Maracanã mais “rojo” da história. Ali eu vejo a diferença de torcedor e espectador, pois um estádio de futebol não é uma sala de cinema, de teatro é sim um estádio de futebol.

Essa tem sido uma das melhores edições de Copa do Mundo, porque os sul-americanos invadiram o Brasil para torcer por sua seleção e eles não são o que o FIFA quer, um espectador sentadinho e calado, eles são torcedores, são hinchas que sabem alentar seja na vitória ou na derrota.


Decide Sabella!

Messi fez um dos jogos mais bonitos desse mundial
Foto: Internet
Maracanã, estreia da Argentina e um baita clima de Libertadores com os argentinos invadindo o Rio de Janeiro e cantando daquele jeito que só eles sabem.

A albiceleste começa com três zagueiros, Mascherano a frente da linha de zaga e sem um atacante fixo com Messi e Aguero no ataque. Não deu certo e a defensividade de Sabella acabou travando demais o primeiro tempo dos argentinos. Com esse esquema, faltava sempre um homem no meio, ainda mais com Maxi Rodriguez sumido obrigando o Messi a voltar demais.

Aguero ficou sumido entre a zaga da Bósnia e ao menos o gol saiu logo cedo com a colaboração de Kolasinac. Com uma atuação mais ou menos Sabella mudou e colocou Higuain e Gago, tirou os três zagueiros, passou Messi para o meio e aí ele começou a aparecer, às vezes, muito “fominha”, mas foi decisivo com um golaço.

Para a estreia argetina eu daria uma nota 7,5, mas é preciso que Sabella  decida o que espera do seu time. Joga mais recuado ou com o quarteto de maneira mais ofensiva? Essa é a questão e na minha humilde opinião acho que ele deve vir com o quarteto argentino no onze inicial e colocar os três zagueiros em determinados momentos.

Ficou claro que a ideia é reforçar uma defesa que não é tão segura, mas não dá para tirar o que ele tem de melhor no elenco que é seu quarteto ofensivo. Quanto ao time bósnio se percebe que não é bobo, é uma boa equipe, mas não soube aproveitar do momento ruim da Argentina durante o jogo mesmo com o gol de Ibisevic no fim do segundo tempo. Se não souber aproveitar as chances que aparecem esse bom time pode perder a classificação e ficar de fora da copa logo na primeira fase.

A Celeste Apática

Com ótimo atuação Costa Rica se credencia a classificação
 no Grupo da Morte  Foto: Reuters
Assim como na copa passada, o Uruguai não venceu e desde 1970 que a celeste não vence na estréia. Em 2010, seu início de campanha contra a França não foi bom, pouca movimentação, pouca criatividade e o jogo terminou empatado em 1 a 1, pois aquela França também mostrou tudo isso que falei do Uruguai.

 Agora em 2014, o time uruguaio apresentou simplesmente a mesma coisa na estréia contra a Costa Rica e o grande problema foi que a Costa Rica não foi aquela França. Os costariquenhos bem organizados alternando entre três zagueiros quando tinham a bola e fazendo uma linha de cinco homens sem a bola pararam os uruguaios. E foram acreditando que podiam vencer na bola parada de Bolaños, nas chegadas de Bryan Ruiz e na habilidade e inteligência de Campbell que fez grande partida.

A celeste no 4-4-2 jogou com Forlan e Cavani no ataque e uma falta de criatividade. No meio, Stuani e “Cebolla” Rodriguez ficavam isolados no lado e Gargano e Arevalo não se podia esperar criação, até porque não são atletas de criação.

Forlan repetiu suas atuações apáticas de sempre muito comum nos últimos anos e Cavani isolado não pôde repetir suas boas atuações. Outro ponto a se falar é a distância com que jogam as linhas uruguaias com a zaga sempre distante do meio. O time não é compacto, não joga curto e dessa forma dá espaços ao adversário.

Confesso que não sei até que ponto foi decepcionante a estréia e falta de jogo do Uruguai até porque não é um time de grande qualidade técnica e ainda tem a volta de Suarez, importante para qualquer time, mas mesmo assim foi abaixo da crtica.


O corporativismo no futebol brasileiro e Felipão, o intocável

Felipão e Parreira em entrevista na CBF.
Foto: André Durão/Globoesporte.com
Alguns dias atrás, o agora coordenador técnico da seleção CBF, Carlos Alberto Parreira foi dono de um dos comentários mais bizarros que li nos últimos tempos e que dá um frio na espinha de quem espera alguma melhora nas estruturas do atual futebol brasileiro.

O senhor Parreira falou sobre a inauguração da portentosa sede da Confederação Brasileira de Futebol que a instituição que desorganiza o “maravilhoso” futebol brasileiro é um exemplo e assim sendo é o Brasil que deu e que dá certo.

Além dos enormes problemas que existem por aqui e que clamam por soluções imediatas que muitos da mídia “chapa branca” preferem fechar os olhos fica claro que um desses problemas também é o corporativismo. Os senhores que comandam todas as instituições do futebol se protegem e no corporativismo se perpetuam no poder por anos a fio. Mesmo quando saem sempre deixam filhotes preparados para ocuparem seu lugar e lembro ao leitor e acho que nem preciso que esse não é um fenômemo exclusivo do futebol.

Voltando ao Parreira fica claro que ele é um empregado da CBF e por isso é bem óbvio que ele está protegendo os interesses daqueles determinados  poderosos que o colocaram lá e também seus próprios. No entanto, ele esquece do pífio futebol jogado no Brasil e aí entro nesse clima de oba oba com a seleção da CBF, que parece já é campeã mundial sem nem ter entrado em campo.

Outra coisa que não consigo entender é como o motivo para o senhor Luís Felipe Scolari se tornou um personagem intocável. Na mídia “chapa branca” não faltam histórias de como ele é especial, de como é um paizão que une o grupo e a tal família Scolari e muito blá blá blá. Na boa, não tiro o mérito dele, é de fato um bom técnico, mas não me esqueço do time horroroso do Palmeiras que ele ajudou a montar e que caiu para a série B, sem falar na gloriosa passagem dele pelo Chelsea quando Big Phil acumulou fracassos na montagem da tal família scolari na Inglaterra.

Isso quer dizer é que Felipão tem seus méritos como um bom treinador, mas também não é nenhum intocável e sendo bem rigoroso se fosse pelos seus últimos trabalhos, ele nem estaria nessa copa.

O fato é que ele é o testa de ferro ideal para a atual cúpula da CBF se perpetuar no poder e mesmo em eventual derrota eles tem uma desculpa perfeita para chutar as críticas para longe que podem aumentar em caso de uma derrota dentro de casa.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O futebol jogado, o futebol parado e a eliminação do último brasileiro na Libertadores


Nos últimos anos os brasileiros dominaram a Libertadores, foram quatro campeões seguidos e a última vez que não tinha um clube brasileiro nas semi da competição sulamericana foi em 1991.

Antes de tudo, esse ano nenhum clube brasileiro mereceu nada, tirando o Grêmio que foi mais regular, jogando um futebol organizado, os outros se arrastaram muitas vezes fazendo o contrário (jogando mal e desorganizados) e dando aquela desculpinha “esfarraparada” de que é isso é Libertadores, tem que ser sofrido, tem que ser na raça.

A partir de agora irão aparecer os precursores do apocalipse dizendo que é uma vergonha, que o futebol brasileiro está falido e outras tantas bravatas de gente mais perdida que cego em tiroteio de quem só analisa os resultados.

Nosso futebol brasileiro e aí entram também a maioria dos jornalistas esportivos analisam e se centram demais apenas nos resultados e nem sempre nos números estão as respostas para tudo. Com isso, querendo ou não o futebol brasileiro não se analisa mais profundamente como deveria e está sempre ali no superficial.

Nesse sentido é que mora o grande perigo e as coisas não são tanto ao céu ou tanto ao inferno, mas são essas situações que devem ser analisadas esquecendo o resultado e a partir disso é que você encontra diversos fatores.

O completo desnível financeiro que existe entre o futebol brasileiro e o futebol sulamericano como um todo é um desses fatores. Em termos continentais, o futebol brasileiro é o mais rico entre todos e isso faz com eles possam montar equipes melhores, trazer jogadores de fora, pagar altos salários e seduzir bons jogadores e com isso dominaram nos últimos anos o torneio continental.

Mas isso não vai garantir que todo ano um brasileiro seja campeão continental quando o futebol é jogado dentro de campo e dentro dele é que os times argentinos, uruguaios, bolivianos, chilenos e outros tem dado uma lavada nos brasileiros.

Então por lá se percebe ideias novas, bom toque de bola e mesmo se for uma equipe limitada tecnicamente no mínimo é muito bem organizada taticamente e isso complica os times brasileiros.

O Flamengo quando foi enfrentar o Bolívar nunca achou que o time boliviano de pouco dinheiro e estrutura muito pior fosse jogar com bom toque de bola centrando todo o seu jogo na posse da criança. Foi surpreendido dentro do New Maracanã e na Bolívia quando não conseguiu ganhar em nenhuma das vezes.

Quanto ao Cruzeiro sequer conseguiu jogar um bom futebol, perigou cair na fase de grupos, quase caiu para o Cerro Porteño, comandado pelo Arce, e foi mal em três dos quatro tempos jogados nessas quartas contra o San Lorenzo.

A grande diferença entre os dois times não ficou evidente como muitos imaginavam, porque o San Lorenzo é bastante organizado taticamente e tem sua qualidade, mas não tanta como se encontra em boas quantidades no Cruzeiro com Everton Ribeiro, Julio Baptista, William e por aí vai.

E para terminar outra reflexão tentando fugir da superficialidade da análise dos resultados. Na Libertadores se joga o futebol jogado, não existe faltinha, não existe juiz parar o jogo por qualquer esbarrão, por qualquer coisa.

No Brasil o jogo é parado e muito diga-se. Aqui os juízes comandam o jogo no apito, o jogo fica chato, lento, não tem dinâmica, porque toda hora é parado, os jogadores aqui se acostumaram com isso e na Libertadores estranham, porque isso não existe.

Ontem foi notável isso. Os cruzeirenses iam na dividida e caiam, inclusive se você ver o início da jogada que resultou no gol do Nacho Piatti, veja como se joga o William em uma disputa de bola. E foi assim o jogo inteiro com o juiz deixando o jogo rolar como deve ser.

O futebol brasileiro jogado por aqui é referência apenas para quem acha que o Pelé ainda joga no Santos e o Zico no Flamengo. Não dá para ignorar as qualidades do futebol que é jogado no resto do continente e isso é feito aqui com o nariz empinado de gente que não sabe o que acontece além das fronteiras do Brasil.