domingo, 27 de julho de 2014

O futebol profissional é uma coisa distante no Brasil

Torcedores do Corinthians tiveram dificuldades
ao volta para casa Foto: Reprodução/ESPN
Em momentos de debates na tentativa de reconstrução de um futebol que está defasado, queiram uns ou não, um exemplo deixou bem claro o tamanho desse atraso na última quarta. Torcedores corinthianos tendo que correr para conseguir pegar o metrô que encerra as atividades antes do fim da partida e perdendo o final do jogo pelo qual eles pagaram é uma situação completamente fora de sentido, um tanto quanto bizarra para quem sonha com um futebol mais profissional.

O que aconteceu na quarta é mais um relato de como o futebol brasileiro trata o seu torcedor. O horário das 22h já é um crime com qualquer cidadão que queira acompanhar seu time in loco na quarta e depois no outro dia tenha que acordar cedo para trabalhar. Aí mesmo assim a pessoa decide ir, paga por um ingresso que é caríssimo, completamente desproporcional ao espetáculo dentro de campo e o tratamento fora dele, e tem que sair antes de o jogo terminar para poder chegar em casa.

O que aconteceu no Itaquerão escancara um problema antigo do torcedor brasileiro que quer ir torcer pelo seu time no estádio nas rodadas do meio de semana. Isso existia no Pacaembu, no Morumbi e existe em várias cidades brasileiras. Basta conversar com um torcedor e você vai perceber isso.

Nos diversos debates que vi e ouvi na semana e que falavam sobre o problema, muito poucas pessoas botaram o dedo na ferida de verdade. Não é o metrô, o transporte público que tem que se sujeitar a esse horário completamente fora de sentido. Existe uma inversão de valores tremenda. O mais fácil seria trocar o horário, colocar o jogos em um horário mais cedo e seria bom para todos, mas a detentora dos direitos dos campeonatos no Brasil é quem manda e por isso o jogo é tão tarde. Por isso mesmo, nada vai mudar enquanto não for interessante para a Globo.

Os jogos com baixo público principalmente na quarta são também um reflexo dessa decisão. Para passar sua novelinha semanal diversos torcedores tem que ir embora mais cedo do estádio para poder chegar em casa e ainda diversos outros tantos sequer pensam em deixar sua casa na quarta a noite e ir ao estádio, porque sabem dessa situação.

A Globo tem sua parcela de culpa, mas os clubes tem uma parcela bem maior. São eles que deveriam zelar pelos direitos do seu torcedor e consumidor, são eles que perdem com os estádios vazios. Todos eles são complacentes e se vendem por qualquer dinheirinho para poder seguir sobrevivendo no fim do mês.

Não dá para pensar em um futebol mais profissional vendo esse tipo de situação acontecer. A única coisa que mudou com a Copa do Mundo são as arenas que só estão se tornando uma desculpa para “inteligentes dirigentes” aumentarem incrivelmente o valor do ingresso. O futebol como um produto bem tratado é uma realidade distante por aqui.


Nenhum comentário:

Postar um comentário