terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O luto e a superação

A tragédia com a Chapecoense foi importante para trazer
 de volta ao futebol os valores que haviam se perdido
Foto: Divulgação/Internet
Nos dias que se seguiram neste ano de alguma forma tive contato com a morte. Sim, ela faz parte da vida, embora nunca nos acostumemos com ela. Sendo assim, a morte se fez presente de maneira mais pessoal e também mais coletiva.

Há meses atrás perdi minha avó. Aquela que fazia bolos como ninguém, aquela do feijão que nunca vou esquecer assim como todo o resto de uma pessoa que conheci bem menos do que gostaria. 

Com o futebol vieram as experiências com a morte de maneira mais coletiva. Aquelas em que a gente divide com várias e várias pessoas que sequer conhecíamos. É duro o fato de um clube, de jogadores e principalmente de pessoas que viviam o auge de uma epopeia incrível partir de maneira tão inesperada.

Óbvio que a minha e a sua dor com relação a essa perda em nada se compara a dor que vem sentindo as pessoas intimamente ligadas com as vítimas deste trágico acidente.

Vendo a epopeia da Chapecoense me lembrei quando aqui mesmo no blog contei sobre como a história do Leicester me fez sonhar. Como uma encenação da vida cotidiana, diversas pessoas viram naquele time um retrato de suas batalhas pessoais. Os desafios? Ora, os desafios eram grandes, do tamanho de um Manchester United, de um Arsenal, de um Chelsea.

Infelizmente para a Chapecoense a epopeia teve que parar faltando tão pouco. Dos tempos de dificuldades financeiras a exemplo de gestão, o clube e o time em campo foram vencendo seus desafios, batalhava e no fim comemorava.

Porém, quando chegou ao auge esse time foi mais alto do que eu e você imaginaríamos que eles fossem chegar. Subiu tanto que cada um se tornou uma estrela que irá formar uma constelação que ainda em meio à dor por essa fatalidade não é vista.

No fim de tudo, com o passar do tempo assim como na perda de meus queridos avós ficará aquela saudade boa daquelas que nenhuma palavra poderá explicar. Faz parte do luto superar a dor e seguir em frente. É difícil demais, eu sei, mas é necessário.

Quando esse dia chegar todos contarão com orgulho a história de pessoas que sonharam em vencer os gigantes da América do Sul e venceram. Eles ensinaram que é possível e agora você, incrédulo na vida, se levante e vai lá vencer os seus gigantes também.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Futebol atual, Black Mirror e devaneios na madrugada

O fenômeno das torcidas caladas já sentido na Inglaterra
Foto: Divulgação /Internet
Tudo se torna um produto vendável até o sentimento mais profundo um grande negócio. É a máxima do sistema em que vivemos. Foi assistindo em uma dessas madrugadas ao episódio Fifteen Million Merits da série Black Mirror que fiz uma análise sobre o atual momento que o futebol mundial vive.

Tudo virou um circo vendável em que o mais importante é o dinheiro. Tudo isso utilizando o sentimento mais profundo de quem ama aquele esporte. E o principal fato é que poucos ali estão se importando com o torcedor.

O resultado disso é assustador para quem percebe. A falta de paixão tanto dentro como fora de campo, os palcos assépticos que parecem todos iguaizinhos como uma sala de cinema, as super contratações midiáticas e os times galácticos que impõem goleadas naquele outro cheio de história, mas sem as mesmas condições financeiras.

A competição é o básico de todo esporte, mas tudo mudou nos últimos anos quando um clube junta uma grana sabe se lá da onde e contrata meia dúzia de craques formando um time multinacional. Daí ele vai e vence todos os outros com facilidade. Isso tira o básico de todo esporte.

Sinto muito, mas não consigo achar graça em um jogo que o Barcelona surra de maneira inapelável um time tradicional como o Celtic com uma plateia calada cantando as mesmas canções sem graça. Tudo ali contando com a grana dos inúmeros turistas.

A falta de paixão em boa parte da atmosfera presente nos estádios da  Premier League foi criticada e alardeada por todos. Enquanto a Premier League elogiada pela forma como cresceu afasta seus apaixonados torcedores e traz seus calados consumidores quem perde é o futebol. Tudo virou um grande entretenimento e o futebol vai mais além.

O ‘abaixo o futebol moderno’ é uma bandeira belíssima, mas até essa bandeira está prevista pelo sistema e pode se transformar em um produto. Assim como o personagem principal Bing do episódio de Black Mirror e sua tentativa de gritar contra o sistema em que vive.

Série Black Mirror e sua tentativa de explicar a sociedade atual
Foto: Divulgação/Internet
A pergunta que fica é se seria possível fugir do sistema. Infelizmente acho que não e tenho problemas sérios quando vejo o futebol sendo vendido como um entretenimento barato qualquer.

No fim de tudo alguns não conseguem aguentar viver nesse sistema. E pensando nisso sempre lembro de Kurt Cobain e sua música Rape Me. Uma canção simples e completamente profunda como era o futebol antes de ser esse projeto mal acabado de si mesmo em que vem se transformando. Pelo menos ainda existem lugares onde o futebol resiste, mas até quando?

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Como você enxerga uma partida de futebol?

Vitória brasileira e consagração do trabalho recente de Tite
Foto: Divulgação/Internet
Antes de qualquer coisa esta foi a grande apresentação do Brasil aliando sobretudo o lado tático e técnico. Um complementando o outro como deve ser no futebol. Como por aqui isso ficou esquecido é a pergunta a ser respondida.

O primeiro gol de Coutinho é uma prova clara do trabalho de Tite que trouxe a seleção brasileira para jogar o futebol atual. Já disse um par de vezes aqui no blog que o amante do futebol tem que se livrar das amarras do básico. Sair do senso comum e partir para os diversos pontos de uma partida de futebol dentro e fora do campo.

O velho papinho de o time é ruim porque não tem craque para mim não cola muito. Vide o tratamento que outro dia o time do Newcastle deu a bola para chegar a um de seus gols contra o Ipswich Town. Isso mostra que não se precisa de craques para se colocar uma ideia de jogo que, claro, o grupo de jogadores que estão no time possa produzir. 

E aquela história de a geração é ruim de meses atrás? Chaaaaaaato!!!! Tem aquele da falta de raça tão debatido pelo Brasil afora também. Sério, devemos pensar o futebol de outro modo.

Tento atravessar essa fronteira do senso comum, busco me atualizar e descobrir coisas novas. Quando você se propõe a isso é inegável a abertura de um mundo bastante interessante na forma de contemplar o jogo. Atualmente vejo o futebol com olhos completamente diferentes da época de garoto.

A única coisa em toda essa campanha recente que me impressiona foi à forma como as ideias de Tite foram diluídas de forma rápida entre os jogadores que prontamente foram crescendo de produção ao longo dos jogos.

Já a pobre Argentina passa o drama vivido meses atrás pelo Brasil. Sem dúvidas o Bauza é um técnico melhor que Dunga. A comparação me parece ser insensata, mas cheguei a ver por aí alguns tentando comparar. Contudo, o trabalho do Bauza é tão ruim quanto aquele que ele fez no São Paulo.

Aliás, por ver as opções de técnicos de boa qualidade ficarem raras quando o fraco Tatá Martino saiu foi que Bauza ganhou sua oportunidade pela AFA. O argentino vem de trabalhos bastante inconsistentes e ruins e sua Argentina sem um funcionamento coletivo ideal para acomodar jogadores de nível técnico tão elevado é catastrófica.

Não me sai da cabeça uma jogada em que a Argentina sai com a bola dominada. Quando ela chega a Mascherano ele olha o meio-campo inteiro sem sequer uma opção de passe para continuar o jogo de transição mais rápida proposto pelo Bauza na segunda etapa. Uma situação calamitosa.

Aos poucos Tite vai calando uma a uma as recentes bobagens propagadas por aqui como máximas do futebol. Uma delas é a de que craque não marca, as outras já falei por aqui nesse texto. O que falta é só elas chegarem ao futebol jogado nos nossos times. Espero que isso não demore muito.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O futebol falado, pensado e arbitrado

Tecnologia poderia ajudar o trio de arbitragem
a resolver o lance com mais facilidade
Foto:Alexandre Cassiano/Agência O Globo
Uma comentada influência externa coloca todo o resultado em xeque. Esse foi o fato de um Flamengo e Fluminense decisivo em muitas questões. Um prato cheio para a imprensa e suas polêmicas sem sentido e torcedores exaltados que não pensam com a cabeça.

Sou extremamente a favor da tecnologia do futebol. Todas as grandes ligas de grandes esportes já a utilizam com sucesso. Não vai atrapalhar em nada o andamento do jogo de futebol até porque apenas no tal lance o árbitro Sandro Meira Ricci e sua turma perderam mais tempo do que se tivessem a tecnologia ao seu lado pra analisar a jogada.

O problema é que a tecnologia precisa ser efetivamente regulamentada e da maneira como aconteceu em Volta Redonda e parece que de fato aconteceu segundo relatos de quem esteve na partida foi uma clara ajuda externa e ilegal ao extremo.

O fato é que o futebol brasileiro é uma grande piada tanto dentro como fora de campo. Ninguém discute futebol por essas bandas. E falando do futebol jogado em campo se percebe que é um campeonato pobre em ideias. Muitos falam que o espanhol é uma liga polarizada e chata, mas ainda que seja e aqui não entro no mérito desta questão é uma liga com times que jogam com ideias de futebol diferentes e interessantes de se ver. Por aqui, não.

Não discuto o fato de tal time jogar um futebol feio ou bonito, outra questão subjetiva que revela a pobreza do futebol jogado e falado por aqui. Sei lá o que é jogar feio ou bonito, sei o que é jogar da melhor maneira com que se tem a disposição no elenco.

Quando ligo a televisão para os ‘debates’ o que se vê é sempre a polêmica da vez, a arbitragem ruim, o time midiático em crise, nas redes sociais é o jornalista na arquibancada, se o jornalista é ou não torcedor do flamengo. Um saco!!!!

Flamengo leva os três pontos, mas o que estará na sua
televisão será a arbitragem
Foto: Alexandre Cassiano/ Agência O Globo
Discutir futebol no Brasil é preciso, mas são poucos os que faziam isso nas mídias de maior alcance. A ESPN era uma delas, mas infelizmente nos últimos anos vejo mesmo é a morte de um canal que propunha discutir o esporte em todos os seus aspectos. Agora se firmou como mais um canal blasé, de alguns comentaristas que não compreendem o jogo em nenhum aspecto. Claro que aqui tiro alguns jornalistas.

Voltando ao campo a arbitragem sempre vem errando, errando, errando e errando. É necessário pensar em sua profissionalização, uma mudança clara que provoque um melhora nas seguidas atuações do trio do apito pelo Brasil. Do contrário é sempre aquilo, o velho filme se repete, acontece o erro, o dirigente vai a imprensa esbravejando, a imprensa ganha uns cliques com as palavras do dirigente esbaforido e a vida no futebol brasileiro segue sua condição de penúria.


Ahhh, e não se esqueça do pobre blogueiro que está inserido nesse circo! Sou uma personagem que está prevista no sistema comandado por poucos no futebol brasileiro. Estou na Matrix e sei disso. Lembrou do filme? Meu comportamento é previsto no sistema, pois observo a situação, comento ela, mas não tenho força para mudar nada e por isso me sinto um completo estúpido fazendo parte do velho círculo vicioso do pobre futebol brasileiro. 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O torcedor e a exclusividade forçada

Exclusividade é péssima para o torcedor.
Foto: Divulgação
Certo dia estava eu indo comprar um refrigerante para o almoço, antes que me pergunte, sim, sou viciado em uma coca- cola. Pois bem, enquanto caminhava encontrei uma figura típica da minha rua: o seu Zé. Ele está sempre na esquina trajando sua camisa do Flamengo com orgulho.

Nem preciso dizer que o Seu Zé é um fanático antigo pelo time carioca. Ele já deve ter seus 70 e tantos anos e foi daqueles que chegou a acompanhar o time carioca pelo rádio e se apaixonou pelo clube. Nesse dia, o senhor baixinho, magro e de cabelos grisalhos puxou papo comigo.

Perguntei a ele qual era a transmissão de domingo na Globo e ele me respondeu chateado:  “Ah, é um jogo do Botafogo”.  Falei para ele da TV fechada e do canal Premiere. Essa era uma chance de nunca perder os jogos do Flamengo, mas embora ele soubesse que existia a possibilidade não tinha condições de gastar com o que tinha.

O seu Zé me disse que o que restava era ver o jogo do Botafogo ou ir procurar aquele barzinho, mas nem sempre dá para sair assim. Pois bem, trouxe o seu Zé aqui pelo que ele representa, ou seja, o lado mais fraco do grande negócio que se transformou o futebol.

No ano passado, o Esporte Interativo entrou com força total e levou para seus canais a Champions League. Pouco tempo atrás, a ESPN anunciou a exclusividade de uma das ligas europeias mais assistidas no Brasil. Contudo, por mais que as emissoras veiculem vantagens e mais vantagens sobre a exclusividade de bom mesmo para o torcedor esse tipo de prática não tem nada.

A Champions League é uma prova disso. Se antes o torcedor tinha os canais da ESPN e os antigos canais de esporte da própria Sky (para quem é assinante da Sky, lógico) o torcedor tinha opção de uma boa gama de jogos por rodada. A chegada do Esporte Interativo significou também a dificuldade de a emissora entrar nas grades das operadoras de televisão fechada por um bom tempo. 

Somente agora os canais entraram no ar pela últimas operadoras que faltavam. Contudo, se o torcedor quiser o cardápio de partidas da rodada completa terá que pagar uma quantia a mais pelo EI Plus. De um total de oito jogos em uma rodada apenas dois são transmitidos em TV fechada e um em TV aberta. Anteriormente, o torcedor tinha mais jogos a disposição na TV fechada e nessa análise não estou falando do trabalho do canal Esporte Interativo que tem sido excelente.

O leitor vai me retrucar sobre o EI Plus: Ahhh, mas não é mais que R$ 3, meu filho!. Pois é, mas em vista de uma pessoa que paga mais de R$ 100 para ter condição de desfrutar de uma TV fechada um pouco decente e se você levar em conta o trabalhador que tira um salário mínimo, lembra do seu Zé. Aí, nesses casos não sei se vale a pena.

A exclusividade no país revela a força
da emissora global que reina no futebol brasileiro
Foto: Divulgação 
A exclusividade da Premier League pela ESPN tem apostado na plataforma Watch ESPN. Aqui a perda é significativamente maior se você comparar com a situação da UCL que ficou meses sumida dos televisores brasileiros. Óbvio, no caso da UCL, ainda tinha a Bandeirantes que transmite pela TV aberta, mas falo para quem não é seguidor do Barcelona e do Real Madrid. A emissora só foca nos dois espanhóis e o campeonato não se restringe aos dois como mostra a emissora paulista. Acho errado, mas o que importa é a audiência e a empresa pelo lado dela não deve estar errada.

Voltando a Premier League se você tomar por base que o torcedor tinha a possibilidade de acompanhar jogos do inglesão em praticamente cinco canais juntando os três da ESPN e os dois da Fox Sports com transmissão em português (ok, muitas transmissões são ruins, principalmente, os da Fox).Por vezes, uma rodada inteira era transmitida na TV fechada. Mas vendo isso, você toma por base que quem perde é o torcedor.

O Watch ESPN é uma plataforma interessante, mas streaming de vídeo precisa necessariamente de uma internet com alguma qualidade, sem limitação e isso não é realidade da maior parte dos brasileiros. Imagine agora o seu Zé, apesar de ele sabe dizer que sabe muito de informática.

Isso sem falar e voltando ao Brasil na exclusividade descarada da TV Globo em relação ao Brasileirão. Ou o torcedor assiste o que a emissora quer ou vai gastar mais um pouco com o Premiere Futebol Clube. Nem é necessário dizer que a Série B e A são pacotes separados. Como isso acontece de maneira descarada no país é a maior prova da força da emissora e da fraqueza de nossos legisladores.

A exclusividade em todos os setores do mercado é prejudicial ao consumidor. O torcedor deveria ser o mais beneficiado, mas acaba sempre perdendo, sempre tendo que desembolsar um pouquinho a mais. Não me venha falar que os pacotes, planos são baratos, pois estou falando do seu Zé, do fanático pelo Flamengo, Fluminense, Corinthians que não tem condições de desembolsar um centavo a mais pelo EI Plus da vida, os Premieres, Watch ESPN.

O fato mesmo é que o futebol está virando um negócio para quem pode pagar por ele, mas o problema é que infelizmente são bem poucos. Precisa existir, principalmente no Brasil um debate sobre a forma como é transmitido o esporte. As coisas não podem continuar como estão, mas vão e os seus Zé da vida ficam esquecidos. 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Os recados de Guardiola

Guardiola e seus recados ao longo da carreira
Foto: Divulgação
Que Guardiola é um dos melhores técnicos do futebol mundial é falar ou no caso escrever mais do mesmo. Após o trabalho fenomenal com o Barcelona, o técnico não ficou na mesmice e vai se reinventando ao longo do tempo. De gênio forte, o espanhol bate de frente com quem for para defender suas ideias de futebol.

O último desses confrontos é a situação de Joe Hart. Goleiro importante nas conquistas recentes do Manchester City tem inegável popularidade com a torcida que o tem como um ídolo. Pois bem, Guardiola chegou ao clube e uma das primeiras ações foi colocar o goleiro inglês no banco.  Esse foi mais um dos recados do espanhol.

Hart é titular da seleção inglesa, um ótimo goleiro, mas um dos seus pontos fracos é justamente o jogo com os pés. Para que as ideias de futebol do Guardiola funcionem o técnico precisa de um goleiro que possa sair para o jogo com os pés. É fundamental algo como fazia Manuel Neuer no seu Bayern. Lembrando que goleiro alemão se transformou também em uma espécie de líbero principalmente com o espanhol no comando do clube bávaro que o fez melhorar com a bola nos pés.

A chegada de Claudio Bravo ao City é a prova de que Hart mesmo com apoio total da torcida irá ficar no banco ou talvez até sair do clube. Mais uma vez para defender suas ideias, Guardiola bateu de frente com quem fosse para mostrar e fazer aquilo que queria. Esse foi um recado ao goleiro inglês. Ele precisa melhorar como goleiro e isso passa pelo fato de saber jogar com os pés.

E o técnico espanhol ao longo de sua carreira vai fazendo isso. Alguém lembra a goleada do Barcelona sobre o Santos no Mundialito da FIFA e as respostas embasadas logo após o jogo na coletiva com repórteres? Fã confesso da outrora forma de jogar da seleção brasileira foi logo se apressando a comentar que o Barcelona jogou naquela final era o futebol que se jogava no futebol brasileiro no passado.

Aquela goleada e a forma avassaladora até mais interessada do que realmente acontece quando os clubes europeus chegam a uma final de “mundial de clubes” foi um recado claro ao futebol brasileiro. E já faz cinco anos e ninguém aqui ainda entendeu o recado.

Já no Bayern, Guardiola foi capaz de dar outro recado só que este ao futebol alemão. O projeto de futebol germânico já rende resultados fantásticos e novos modos de enxergar a modalidade dentro do país. Contudo, mesmo com a excelência, o espanhol ainda levantou uma questão para o futebol alemão.

Quando chegou ao Bayern já se apressou em trazer Douglas Costa. Os motivos: precisa de um jogador jovem, forte, rápido e habilidoso que tivesse versatilidade. Capaz de no um contra um quebrar uma defesa bem organizada. Um jogador que pudesse suprir principalmente a ausência de Ribery que vinha de longos problemas físicos.

Com isso passou seu recado ao futebol alemão. Por mais que já tenho revelado muitos jovens de qualidade, os germânicos ainda não produzem esse tipo de jogador. Um jogador com capacidades que são o forte de Douglas Costa. O Brasil ainda produz bastante deste tipo de jogador.

Óbvio que o espanhol não é o rei das verdades, ninguém é, mas é inegável que Guardiola é uma referência e como referência merece ser ouvida. Seus recados estão aí para quem quiser pegar no ar e fazer bom proveito delas.


sábado, 20 de agosto de 2016

E agora?

Filosofia de jogo. Isso ficou na minha cabeça
na final olímpica de futebol
Foto: Divulgação 
O tão sonhado ouro olímpico enfim aconteceu para o Brasil. Do massacre coletivo exagerado de imprensa e torcida após os empates com África do Sul e Irã, as vitórias contra as frágeis Dinamarca e Honduras passando pela pancadaria contra a Colômbia e a vitória sofrida contra a Alemanha. Não exatamente na ordem. Depois de tudo e agora?

A conquista deve ser comemorada, mas extremamente relativizada. Primeiro porque o Brasil era favorito pelo time que montou e depois ninguém, mas ninguém deu tamanha importância ao fraco torneio de futebol olímpico do que o próprio.

Para a CBF, a medalha é tudo o que sonhava os dirigentes. Agora eles terão o inédito título olímpico nas mãos para responder a qualquer um que criticar o modelo de gestão (se é que existe modelo de gestão) no futebol brasileiro.

Dentro de campo a vitória fará para com que Micale tenha suas ideias propagadas pelo atrasado futebol brasileiro. Isso é bom. Tive a oportunidade de ver isso na seleção vice-campeã do Mundial Sub-20 e em alguns poucos momentos nesta seleção olímpica. Natural que no país do resultado a derrota seria o de mais um descarte de trabalho nas divisões de base. Para Micale mais do que qualquer outro seria extremamente injusto.

Contudo, não entremos na onda de ‘O campeão voltou’. A comemoração vale para a torcida, mas não para quem deve pensar nos rumos do futebol brasileiro. Perder e ganhar é do jogo e mesmo com a derrota o que vi foi o total apogeu do projeto alemão de futebol propagado por muitos.

Horst Hrubesch faz parte desta filosofia de jogo
nas categorias de base da Alemanha
Foto: Divulgação
O futebol teve mudanças abruptas. Não basta apenas o craque, o talento. As equipes que ganham não são mais essas. A união do coletivo com o talento é primordial, mas se você tiver uma equipe minimamente organizada coletivamente trará problemas para outros times. O Brasil montou o seu time com o melhor que podia com a inclusão luxuosa de um dos melhores craques do futebol mundial, Neymar. Gente graúda e alguns dos propagados futuros craques como o Gabriel Jesus.

A Alemanha não. Hrubesch teve que chamar o que pôde e com isso veio até o surpreendente Nils Petersen do Freiburg. É um time formado por uma garotada do Leverkusen, RB Leipzig, do Hoffenheim, Schalke 04, Borussia Dortmund, Karlsruher, Ingolstadt e por aí vai.

Todos os que jogaram a Eurocopa ficaram de fora e isso vale para os melhores do sub-23 como Jonathan Tah do Leverkusen, Kimmich do Bayern Munique, Weigl do Dortmund, Emre Can, Draxler, Sané, Niklas Stark, Mahmoud Dahou.

Muitos desses jovens que estiveram no Maracanã não irão vestir a camisa da seleção principal, mas sabem jogar o futebol de passe e movimentação que são modelos do atual futebol alemão. Veja o gol de Meyer e tenha um exemplo prático. Foi colocado em prática o que foi aprendido desde cedo e o time brasileiro que tinha mais talento e era favorito pelo jogadores teve dificuldades, bastante dificuldades. A diferença é grande entre os dois no sentido de existir uma filosofia de jogo e isso foi o que ficou na minha cabeça.

Em longo prazo não se tem projeto de futebol aqui. Enquanto na DFB existe trabalho em todas as categorias de base com foco na seleção principal, a total bagunça que é o futebol brasileiro ficou evidenciada hoje.


Enquanto todos viam a final da seleção olímpica que em diversos momentos era subjugada pela garotada alemã, uma equipe como o Vasco jogava para pouco mais de 7 mil pessoas pelo returno da segunda divisão. De uma sensibilidade enorme da CBF colocar alguns jogos praticamente no mesmo horário. Fora os outras partidas da Série B e Série A que poucos viram. 

Uma coisa que não entendo é como os clubes brasileiros se submetem a isso e infelizmente conhecendo este país a medalha transformará tudo no futebol brasileiro a coisa mais linda que não é nem de longe. Eu sei que o futebol alemão tem um modelo a seguir que trará outras taças, mas para o futebol brasileiro não sei. E agora?  

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Marta é melhor do que Neymar?

Brasil goleia a Dinamarca e pressão diminui.
É sempre 8 ou 80 com a torcida brasileira Foto: Divulgação
Empate sofrível com o Iraque, dois jogos, nenhum gol e vaias muitas vaias. Esse foi o cenário no estádio Mané Garrincha há alguns dias atrás. Agora mais do que nunca ganham os holofotes as frequentes comparações entre as seleções masculina e feminina.

Já acho esquisito torcida vaiar o próprio time. Não faço parte dessa galera. O grande problema mesmo é que a seleção brasileira seja ela qual for ficou refém do ideal estético de 'futebol-arte', da ‘ginga brasileira’.

Este produto tem que ser obrigatório e se a atuação não estiver de acordo com o ideal estético propagado como forma de jogo da seleção brasileira é vaia na certa. Repito que a seleção não precisa da medalha olímpica como tem se propagado por aí, o torneio olímpico é irrisório para a modalidade no masculino.

O futebol brasileiro precisa mesmo é de ideias de jogo, um time minimamente organizado que saiba jogar o que se propõe nem que seja para renegar a bola e jogar de forma mais cautelosa como o Iraque fez. Micale sabe como propor o jogo, mas suas ideias não serão encaixadas em tão pouco tempo, mas ele sabe a bucha que pegou. Sabia do risco e mesmo assim assumiu a responsabilidade.

Contra a Dinamarca o time foi melhor, evoluiu em alguns pontos, porém nada de outro mundo e a fragilidade dos dinamarqueses com a bola e sem ela ajudou bastante. As melhorias em diversos pontos irão acontecer ao longo da competição e existe grande chance de medalha até mesmo porque não existem adversários muito melhores no torneio.

Seleção feminina tem ganhando grande apoio.
Pena que é somente nas Olimpíadas Foto: Divulgação
Três jogos, duas vitórias e um empate, oito gols feitos e apenas um tomado. Entregando resultados que o time masculino não fez a seleção feminina ganhou maciço apoio da torcida brasileira. Muito legal, mas o problema é que será por curto período de tempo. Se essas vitórias não viessem, fico na dúvida se teriam tanto apoio, porque normalmente o futebol feminino por aqui não tem.

Vejo por aí muitos falando como se apoiassem elas nos poucos projetos de futebol feminino que conseguem sobreviver no Brasil. Agora são todos profundos entendedores de futebol feminino.

O fato de elas não terem apoio é culpa desses mesmos supostos entendedores, da imprensa que só passa a modalidade nas Olimpíadas e principalmente da CBF que mais do que nunca deveria dar o apoio necessário para o desenvolvimento sustentável da modalidade e não como vem fazendo atualmente.

Comparações entre as duas seleções são inúteis em todos os sentidos e tem um tanto de canalhice de quem a faz. Se o futebol masculino precisa de ideias de jogo, o feminino precisa de apoio para chegar ao nível tático e técnico do masculino. O jogo feminino é extremamente ingênuo, fraco tecnicamente mesmo, precisa ainda encarar anos de descaso para poder chegar a um nível maior. Se tiver esse apoio com certeza o desnível entre o masculino e o feminino irá diminuir.


O mesmo que grita ‘Marta é melhor do que Neymar’ tem sua parcela de culpa no fato do futebol feminino nunca ter dado certo por aqui, porque normalmente ele não se interessa pelo produto, não dá a mínima.  A CBF não se interessa em melhorar a modalidade no país, transformou a seleção masculina em um balcão de negócios. No feminino, a entidade do futebol brasileiro só percebe que mulher joga bola mesmo de quatro em quatro anos assim como todos vocês!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Na mente de Magnano

Reação foi fundamental para o
time que precisa consertar erros
Foto:Nóbrega/Inovafoto/Bradesco
Início das Olimpíadas e depois do ótimo França e Austrália que pude acompanhar fiquei na espera pela estreia da seleção brasileira masculina de basquete. Com uma atuação surpreendente a Austrália de Bogut, Dellavedova e Patty Mills detonava a França e fiquei animado para no domingo ver algo do tipo pelo Brasil.

Um primeiro tempo completamente perdido, errando defensivamente e vendo os lituanos acertando todas as bolas de três contrastou com o segundo tempo mais vibrante, forte defensivamente e com mais movimentação.

Os erros do time brasileiro sepultaram qualquer chance de um jogo mais equilibrado. Poderia se esperar um jogo complicado, mas não uma diferença de atuação e consequentemente de placar tão grande ao final do primeiro tempo. Foram 29 pontos de diferença.

Com um grupo forte que ainda tem Argentina, Croácia e Espanha, sem dúvida, uma trinca complicada sem esquecer da Nigéria (essa sem tanta força), o Brasil não pode mais se dar ao luxo de ter uma atuação tão irregular como essa. Além da defesa desorganizada, outro erro cabal foram os excessivos erros nos lances livres. Em jogos equilibrados uma boa média de acertos em lances livres faz a diferença entre uma vitória e uma derrota.

Faltou aproveitar o nervosismo e o excesso de faltas que os lituanos cederam. A vitória poderia ter vindo, mas a reação foi importante para colocar o time do Magnano nos eixos pensando sobretudo nas próximas rodadas.

O destaque positivo foi Leandrinho que pegou a bola e chamou o jogo. Fica a dúvida se o jogador irá aguentar essa função no restante do campeonato. Raulzinho foi outro ponto de desequilíbrio apresentando um ótimo basquete, principalmente, no lado defensivo.

Magnano terá que corrigir o time, pois a vitória surpreendente da Croácia sobre a Espanha coloca os croatas como mais uma seleção a tentar de fato garantir sua vaga. O jogo será duro contra a Espanha e mudanças me parecem necessárias. Raulzinho no lugar de Huertas? Pode ser. Outro ponto foi a entrada de Augusto Lima e Felício que se saíram bem melhor no garrafão ao lado do Nenê. Veremos o que Magnano irá fazer, tudo depende dele.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A vitória de Portugal e suas duas lições

A glória sendo alçada ao ar pela seleção que menos se
esperava Foto: Divulgação
De uma bagunça tática, Portugal foi crescendo e com aquela sorte que muitos diriam foram dadas aos campeões. Da bola na trave de Gignac, das defesas de Rui Patrício, do choro de Cristiano Ronaldo ao gol do Éderzito.

Tudo nessa conquista de Portugal significou o amadurecimento de que o futebol é um esporte coletivo. Na Euro dos jogos ruins diriam muitos, e concordo com eles em parte, o que ficou provado que por mais que se tenha Cristiano Ronaldo no time, o coletivo sempre será o importante.

Enfadonha, sim, por diversas vezes na competição, ganhou minha antipatia em vários momentos pelo futebol burocrático, mas confesso que me vi comemorando o gol de Éder com um sorriso largo ao mesmo tempo que senti a dor de Cristiano Ronaldo.

Cristiano Ronaldo. Este de um garoto cheio de pernas no início da carreira com extrema habilidade e pouca inteligência, anos depois cresceu e se tornou o que muitos esperavam dele. O líder na parte técnica e maduro ao extremo para ser líder do grupo. Atualmente Ronaldo é capaz de entender sua importância em um time de ótimos jogadores e de uma nação que depositou nele a confiança para levar os lusos aonde desse. 

O momento que marcou o garoto Éder pela eternidade
do futebol português
Ver Ronaldo gritando na beira do campo e chorando depois foi a redenção de um craque que a partir do eterno 11 de junho se tornou o grande jogador do futebol português. Não tenho o costume de comparar jogadores, acho isso uma bobagem tremenda, mas o garoto cheio de pernas ousou desafiar o Eusébio e agora não está mais ao seu lado, mas um tantinho acima dele.

O grande fato também é que Portugal ensinou que o futebol vai mais além do Cristiano Ronaldo e sua história. Vai nas defesa do Rui Patrício, na euro espetacular do zagueiro Pepe, na revelação Raphael Guerreiro, na virtude de Nani e no gol do atacante que não se dá tão bem com a bola, mas que no momento mais importante da história do futebol português ensinou que nem o Cristiano Ronaldo faria um gol como aquele.

sábado, 9 de julho de 2016

A lei dos resultados

Ronaldo foi o autor do primeiro gol de Portugal
 contra Gales na semi.Foto: Divulgação
Não é segredo para ninguém que os brasileiros e a maior parte dos que compõem a imprensa esportiva avaliam trabalhos pelos resultados. Trabalhos excelentes são ridicularizados após uma derrota e trabalhos horríveis são vangloriados após conseguir resultados positivos.

O exemplo da vez é Portugal. De futebol sorumbático, desorganizado e sem conceitos de jogo empatou os três jogos da primeira fase e foi responsável por um dos piores jogos desta Euro ao lado da Croácia.

Após outro empate nas quartas de final contra a esforçada Polônia, a seleção portuguesa só veio vencer uma partida nas semifinais contra Gales se aproveitando das individualidades de um dos melhores jogadores da atualidade.

Óbvio que Portugal teve seus méritos, mas também se aproveitou do chaveamento que lhe proporcionou confrontos contra adversários palpáveis ao mesmo tempo que o outro chaveamento juntou seleções do calibre de Itália, Alemanha, Espanha.

Fernando Santos não enganava ninguém quando momentos antes da Euro não sabia que time iria levar para França. Tinha enormes duvidas sobre o time ideal. É inegável também que ele foi montando e trocando peças ao longo da competição. O zagueiro Fonte do Southampton de ótimo nível entrou no lugar do desgastado Ricardo Carvalho e deu mais segurança defensiva a zaga ao lado do Pepe.

Outra foi a entrada do Renato Sanches que proporcionou mais jovialidade, qualidade e força ao meio campo português. Aliás, a entrada do jogador era o que vinha sendo pedido há muito tempo.  A ida de João Moutinho para o banco foi interessante já que ele apesar de ser ótimo jogador não estava rendendo bem.

O que fica de bom para Portugal mesmo que não ganhe o titulo europeu é que Fernando Santos sai com um trabalho tarimbado, ganha tempo para continuar este trabalho e com um esboço de time que pode evoluir e sair da sombra do Cristiano Ronaldo.

Perguntado se Portugal merecia estar
 na final, Fernando Santos deu de ombros Foto:Lusa
Mas pensando nesta Euro, o problema é que o futebol apresentado durante a competição na maior parte foi sofrível de se ver. Fora isso, ainda observei muita gente fazer uma comparação errônea deste time de Portugal com a seleção grega que levou a taça em 2004.

A diferença entre as duas seleções se chama conceito de futebol. Portugal não tem esse conceito e vai tentando formar um ao longo da competição. Foi passando aos trancos e barrancos, mas foi. A Grécia renunciava a bola, seu conceito de jogo era bem formado pelo Otto Rehhagel gostem ou não dele.

Vi muita gente falando que foi a garra e vontade da seleção portuguesa que a fez chegar a final, mas embora possa até ter sido e essas sejam qualidades destacáveis, eu espero bem mais de uma candidata a campeã europeia.

Portugal nem de longe mostrou um grande futebol. Para mim seria um anticlímax maior do que ver a Grécia em 2004 levantar a taça de campeão. Pelo menos algum conceito de jogo se via ali já Portugal nem isso. É feio de qualquer forma que se observe o jogo, mas o que importa são os resultados, não é?

terça-feira, 21 de junho de 2016

Uma camisa da Alemanha e quatro amigos

Faltou Best, mas o Ferguson está mais do que
bom Foto: Getty images
Em toda a adolescência tive quatro amigos que seriam inseparáveis em determinada fase da vida. O engraçado é que os quatro eram da família, dois primos, o irmão e o tio. Inseparável mais ainda era o tal do futebol com discussões para lá de acaloradas sobre quem era melhor na época: Cristiano Ronaldo ou Kaká.

Atualmente sei que esse tipo de discussão pode perdurar para sempre se cada um levar em conta o gosto pessoal, mas Ronaldo provou ser melhor com os anos. Kaká de atuações físicas brilhantes teve decadência cedo demais.

Eu com minha velha camisa surrada da Alemanha, uma réplica da seleção de 70, suada pelo calor do sol de Teresina no Piauí, curtia aquilo ali. Uma das lembranças boas que tenho era de com essa mesma camisa estar indo ao centro comercial da cidade sempre falando de futebol e ao lado os inseparáveis amigos. Tinha e ainda tenho costume de ir a banca e comprar uma revista Placar e outras de meu interesse. Infelizmente a Placar já não é mais a mesma. Pena mesmo.

De idades diferentes éramos uma espécie de quinteto. Sabe o Dorval, Mengalvio, Coutinho Pelé e Pepe, o quinteto fantástico da era de ouro do Santos? Pois é. Se não estávamos os cinco juntos ficava observando o trio de amigos que mais se parecia Denis Law, George Best e Bobby Charlton do Manchester United tamanha a facilidade com que os assuntos surgiam assim como a bola gostava de ficar perto do famoso trio do time inglês.

Os caminhos diferentes e minha falta de vontade de voltar a Teresina trataram de me separar do resto deles e creio que atualmente eles mesmos já nem se juntem como antigamente. Faz parte da vida, mas não deveriam perder isso.

Certo dia eu que moro em outra cidade coloquei a mesma surrada camisa da Alemanha para ir a praça fazer uma caminhada. Sim, o futebol, esse velho amigo ainda é inseparável e queria passar essa paixão para meu filho, sem pressão, claro.

Era véspera de réveillon e resolvi dar uma parada para descansar quando vi um quarteto de garotos tal qual aquele em que havia estado. Faltou o tio. Eles falavam de Messi e Cristiano Ronaldo e um dos garotos vestia uma camisa surrada da Alemanha campeã mundial em 2014.

Aquilo me fez sentir saudades e quando olhei minha surrada camisa da Alemanha cheia de memória chorei quase como Paul Gascoigne na semifinal da copa de 90.

domingo, 29 de maio de 2016

¿Papa, por qué somos del Atleti?

Sérgio Ramos abre o placar para o Real Madrid em Milão
Foto: AP Images
Após a terceira queda em uma final da Champions League, sendo a segunda para o maior rival a derrota é muito dolorosa para os torcedores do Atlético de Madrid. Estes que protagonizaram um dos maiores choros coletivos que tive a oportunidade de ver em um campo de futebol e não tinha como ser diferente.

Enfim, entrando para a análise do que aconteceu dentro de campo e depois de algumas horas após o jogo, o que deixa tudo mais claro, agora fica a pergunta: Será o fim do Cholismo no Atlético de Madrid?

O time da intensidade, da defesa bem postada, da vontade de lutar, do contra-ataque, das bolas paradas. Essas características fizeram um clube que vivia períodos sérios de decadência ascender de volta ao grupo dos grandes europeus. E isso em um momento em que cada vez o futebol é dominado pelo dinheiro que define os resultados para os ditos gigantes.

Ao fim da temporada, Simeone deverá ser um dos técnicos mais bem cotados para assumir o posto de outros grandes clubes. Não só ele como a comissão técnica formada por “Mono’ Burgos e Ortega. O argentino mesmo não definiu seu futuro, isso deve ser algo natural e talvez deva ser o que o Atlético precisa para bater frente a frente com outros clubes nos próximos anos.

Se o Cholismo tem seus grandes méritos, enormes diga-se, de levar o Atlético a enfrentar clubes com orçamentos maiores e vencê-los levando um título da Liga espanhola. Copa do Rey, Liga Europa, Supercopa da Europa, porém, pudemos ver claramente a limitação do estilo em Milão.

Preparado para o contra-ataque, o Atlético de Simeone não soube lidar com o momento de ter que propor o jogo. O Real Madrid fez um gol no início da decisão e deixou a bola para o Atlético que não soube lidar com a situação. Bateu cabeça o primeiro tempo todo até quando Simeone colocou Carrasco (que deveria ter entrado desde o início). Com o belga chamando o jogo, driblando e tentando jogar, os colchoneros souberam lidar um pouco mais com a situação.

Novamente Sérgio Ramos aparece no meio
dos sonhos colchoneros Foto: AP Images
A grande diferença entre os dois times é que quando preciso o Real Madrid soube fazer o que o Atlético é especialista, mas o Atlético não conseguiu fazer com primor o que na maioria das vezes o Real Madrid faz. E pior, em Milão, os colchoneros sentiram o jogo, ficaram nervosos e não conseguiram fazer o que sabem de melhor. Erraram muito e o Cholismo como estilo de jogo não permite erros. Faltou intensidade, faltou boa marcação ao meio criativo do Real, sobrou erros defensivos nas bolas aéreas, com a bola faltou criatividade, movimentação.

Quando empatou o jogo, mais inteiro fisicamente e dominando tecnicamente, quando se pensava que o Atlético iria para frente e criar um volume intenso de oportunidades, o time saiu do 4-3-3 e retornou ao 4-4-2 marcando atrás e deixando o Real Madrid tomar conta. Em resumo, o Cholismo e o Atlético não souberam vencer naquele momento e não faltaram oportunidades para isso. Era hora de pegar a bola e colocar o Real Madrid nas cordas.

Se tornar mais completo é o que este elenco do Atlético precisa para se fixar entre os gigantes econômicos. O time sabe bater de frente com eles e agora precisa ser mais completo, ter estilos diferentes quando o adversário e o jogo exigirem. O elenco atual tem capacidade técnica para isso e faltam ajustes, como um atacante melhor que o lento Fernando Torres. O que os colchoneros precisam saber é se esse desenvolvimento pode acontecer com o Cholo ou sem ele.

Por fim, o sentimento de quase povoa a cabeça dos atléticos nesse momento e o que é provável é que deve ter algum garoto perguntando ao pai a famosa frase de um spot publicitário que conseguiu capturar a essência do clube:  ¿Papa, por qué somos del Atleti? A resposta..... a resposta é a razão de o futebol existir.
Tristeza e lágrimas em campo e nas arquibancadas no lado do Atlético
Foto: AP Images

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Oh, Captain, my Captain!!!

Hummels encontra a insatisfação da torcida em uma faixa
Foto: Divulgação
Começo este texto com uma lembrança mais do que boa do filme Sociedade dos Poetas Mortos, sem dúvida, um dos melhores filmes que tive a oportunidade de assistir e também de um poema. Esse poema foi escrito por Walt Whitman em 1865 e era relativo à da morte de um dos presidentes dos EUA, Abraham Lincoln. O filme fez repetidas referências ao poema, incluindo a cena marcante quando os alunos dão apoio ao professor John Keating interpretado por Robin Willians

Lembrando o filme, e principalmente o poema, eis que faço uma analogia ao sentimento dos torcedores do Borussia Dortmund ao ver a saída do capitão Mats Hummels.  Aconteceu o inevitável depois que começou a ser ventilada uma possível saída do zagueiro do Borussia Dortmund e agora ele é um dos primeiros reforços ao lado de Renato Sanches a desembargar na Baviera na temporada que vem.

Hummels pode ter todos os motivos para sair e entre todos eles, Hummels não pode achar que o torcedor vá entender algum. As vaias no jogo contra o Wolfsburg pela Bundesliga são justas, sim, do ponto de vista do torcedor. Se o futebol é profissional por parte dos que atuam nele, é o amor dos torcedores que faz com que o futebol seja isso tudo que é hoje.

Oh capitão, meu capitão, exclama o aurinegro. Afinal de contas ele era o capitão, aquele que passou momentos bons, ruins e principalmente foi o símbolo de uma volta as glórias após tempos nebulosos, “na tal viagem medonha”.

O grande problema não é à saída do jogador e sim, mais uma saída ou a saída do capitão para o clube rival. Virou rotineiro sair de Dortmund para Munique. São perdas que colocam um frio na espinha dos torcedores e na minha humilde opinião transformam mais ainda a Bundesliga na liga de um time só.

Oh captain, my captain!! falam os garotos para o professor
interpretado por Robin Willians
Foto: Divulgação
Por mais que seja uma liga em crescimento com um público invejável ainda é a liga de um clube só e este fato não pode ser visto com bons olhos para uma liga que planeja crescer mais e alcançar novos horizontes.

Sem pudores o Bayern usa seu poderio econômico e retira os melhores de outros clubes. Sem pudores esses partem para a Baviera esperando títulos, mais dinheiro e sucesso. Justo ou não é assim que tem acontecido. A Bundesliga perde grande parte da graça quando a principal razão de uma competição existir se perde. Não existe competitividade e isso transforma toda a liga em um jogo de cartas marcadas de 34 rodadas.

Some a isso o fato de os melhores da Bundelisga nos últimos anos raramente, com exceção do próprio Bayern e nos últimos tempos do Dortmund, terem chegado às fases finais de uma Champions League ou Liga Europa. Algo tem que ser revisto, pois um time do porte do Hamburgo não pode ir enfrentar o Bayern e tomar seguidas goleadas e achar aquilo a coisa mais normal do mundo, como tenho visto nos últimos tempos, por exemplo.

O capitão abandonou o barco depois de tudo e eu só consigo lembrar do poema de Walt Whitman, pois para grande parte dos aurinegros o capitão jaz “.... caído, frio, morto” em seus corações. Uma pena!!

Trecho do poema:
Ó capitão, meu capitão
Nossa viagem medonha terminou;
O barco venceu todas as tormentas, o premio que perseguimos foi ganho;
O porto está próximo, ouço os sinos, o povo todo exulta;
Enquanto seguem com o olhar a quilha firme, o barco raivoso e audaz;
Mas o coração! coração! coração!
Oh gotas sangrentas de vermelho;
No tombadilho onde jaz meu capitão,
Caído, frio, morto.........


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Entre Deivid, Fernando Diniz e algumas convicções

Audax chegou a final do estadual em São Paulo
Foto: Divulgação/Folhapress
Após a eliminação do Cruzeiro nas semi do estadual, o novato Deivid foi demitido após alguns meses de futebol opaco, algumas vitórias magras e uma nítida falta de experiência por parte do ex-atacante.

Sim, faltou experiência ao Deivid como técnico em outras praças menores, faltou outras ideias de jogo, faltou coerência da diretoria do clube que resolver “apostar” no técnico novato e depois o demitiu no primeiro fracasso. E faltou também um pouco de tato ao próprio Deivid de saber que por não ter uma casca mais grossa, naturalmente não conseguiria se manter como técnico do Cruzeiro em momentos como esse.

Vendo toda essa situação e o sucesso de Fernando Diniz e seu Audax de futebol arriscado e toque de bola, uma pergunta permeou o meio durante semanas. Será se o técnico teria condições e tempo de em um clube maior aplicar esse tipo de jogo ou logo seria demitido no primeiro fracasso?

Com a demissão do Deivid, a resposta fica clara. Não é dizer que o trabalho dele é bom no nível do Fernando Diniz, claro que não, mas com certeza Diniz teria o mesmo fim do ex-técnico do Cruzeiro na primeira saída de bola errada que ocasionasse em gol do adversário.

Um conjunto de fatores, como o fato de o Audax ser um time pequeno, sem pressão de torcida, dirigentes e da imprensa esportiva resultadista favorecem o trabalho do Diniz. A mesma imprensa em sua maioria que cobra resultados é a mesma que quer ideias diferentes no futebol brasileiro (claro, que existem exceções).

Fernando Diniz no Audax
Foto: Marcos Ribolli 
Faltam projetos e boas ideias de futebol no Brasil, sim, mas o problema também é que o sistema que funciona por aqui não dá aos técnicos as mínimas condições de fazer isso. Primeira derrota importante, passe no RH.

Fernando Diniz teve fatores que jogaram a seu favor e esse futebol arriscado precisa ser treinado e acertado com tempo em qualquer time que ele vá treinar. Algo que em um clube maior não aconteceria ou alguém acha que o “projeto”continuaria depois de derrotas como a contra o São Paulo em 2014? 

No jogo após várias saídas de bola erradas, o Audax tomou um sonoro 4 a 0 no Morumbi. Quer outro exemplo? No primeiro jogo da decisão do paulista quando Tchê Tchê saiu jogando errado e gerou o gol de empate do Santos.

Em uma entrevista ao Globesporte.com, Diniz falou o seguinte: “A questão é que se você tem convicção no seu trabalho, você só cede se for muito covarde. Não é o meu caso. Sou apaixonado por futebol e tenho convicção no que estou fazendo”. Convicção é o que o técnico deixou bem claro com suas escolhas ao longo da carreira, mas o problema mesmo é que os comandantes do futebol brasileiro não têm convicção nenhuma do que quer ser trabalhado como ideia de futebol no seu clube. Olha a demissão do Deivid aí para provar isso ou então a inesquecível procura do “fato novo” no Internacional.

Se Fernando Diniz tem convicção de sua ideia de futebol, a convicção que eu tenho é que seu Audax audacioso é uma das melhores coisas que aconteceram no futebol brasileiro há algum tempo. Isso é fato!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Esse aí não passa da décima rodada!

O incrível Leicester City, campeão inglês da 2015/16
Foto: Adrian Dennis/AFP
O fato é que o futebol sempre foi um esporte apaixonante por ser imprevisível, um dia ruim, uma jogada tosca que acaba em gol e pronto, o pequeno ganha do grande, o Davi ganha do Golias. A imperfeição do futebol sempre foi algo apaixonante e que me chamou atenção, tal qual a vida.

Há alguns anos atrás era mais fácil uma zebra acontecer, o futebol mudou não está tão imprevisível assim, os grandes mais endinheirados, mais fortes, ganham com muito mais frequência. Ficou monótono na França com o bilionário PSG, já é assim faz tempo na Alemanha com o Bayern sem rivais em condições econômicas de formar times mais fortes. Ficou rotineiro, mas o futebol assim como a vida prega peças e nessa eu caí como muitos.

Quando o Leicester começou uma boa série de vitórias no início da temporada este que vós escreve assim como muitas pessoas acreditava que aquilo não passaria de brilhareco e logo depois acabaria. A desculpa era algo como meu primo falava: “Esse time aí não passa da décima rodada”, mas o incrível foi que passou. 

Depois veio outras desculpas como o “Ah, ele não vai passar pelo Boxing Day”, mas também passou e depois apareceu o “Não irá conseguir vencer os confrontos com os maiores” e não é que conseguiu vencer! Após a fase de negação, muito natural, eu assim como muitos outros gastaram várias horas tentando entender o que era o fenômeno de azul e branco, muitos tentaram explicar em vão e ainda seguem sem entender.

Eu depois de algum tempo admito meu fracasso e decidi não entender, mas curtir, sentir o que de especial estava acontecendo. Há algumas rodadas atrás a emoção do técnico italiano após a vitória contra o Sunderland tem algo a ver com isso. Ele sempre soube o que queria, fugir do rebaixamento era a meta, mas o tempo foi passando e o Leicester era líder e ele mantinha a postura e a meta era sempre fugir do rebaixamento.

O italiano mostrou uma serenidade incrível. Talvez tenha sido uma forma de negação daquele sucesso todo ou mesmo cabeça no lugar ou ainda as duas coisas ao mesmo tempo. Não sei. Taxado de fracassado com trabalhos ruins e recentemente tendo perdido até para a pequenina Ilhas Faroe quando comandava a seleção grega, o italiano se reinventou e reinventou vários caras esquecidos em ligas menores ou desconhecidos até então. Creio que aquele emoção foi uma forma de extravasar um pouco todo o sentimento que ele deve ter guardado para si.

Dilly Ding Dilly Dong. Ranieri é campeão inglês!
Foto: Divulgação
Nomes como o alemão Huth, Drinkwater, Morgan, taxados de caneleiros por muitos, os impressionantes Vardy e Mahrez ou o Fuchs, lateral veterano que já tinha sido do Schalke 04, o goleiro Schmeichel , sempre visto como filho do seu pai mais famoso que não deu certo. Um time cheio de histórias para contar.

A vida é feita de histórias, de gente de carne e osso, de alegrias, de vitória e derrotas. O futebol atual endinheirado, elitizante e excludente, nos trouxe o popstar da bola, figuras cada vez mais distantes das comunidades que formam o clube, mais distantes da torcida. Por isso, curto muito mais o Leicester e seu jeito rústico de jogar, cheio de vontade, empatia com o torcedor e com a comunidade a sua volta. Prefiro muito mais a alegria daqueles chutões geniais aos dribles de um certo trio sul-americano do Barcelona.

Melhor que ver mais uma taça conquistada por um grande qualquer, o futebol pregou uma peça saborosa com este Leicester. Ele ri de todos nós, os incrédulos neste momento. Que bom, porque este time me fez sonhar um pouco de novo na vida quando tudo que olho a minha volta são dificuldades do tamanho de um Manchester United, um Manchester City, Arsenal, Chelsea e todos olham em volta dizendo: “Esse aí não passa da décima rodada”.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Por que sempre conosco, Deus?

O criticado Lovren faz o gol da redenção dos Reds
Foto: Jon Super/ Associated Press
São mais de duas da manhã, minha mulher e filho viajaram, minha mãe, padrasto e irmão postiço dormem no momento e eu estou aqui pensando em como o Borussia Dortmund me deixa escapar uma vaga quase certa em Anfield contra o Liverpool.

É como escreveu Nick Hornby em Febre de Bola sobre o futebol ser uma obsessão para ele. Acho que já devo ter falado nesse livro umas quinhentas mil vezes por aqui, mas não me canso de mostrar como ele fala sobre essa obsessão em que me pego pensando neste momento como se aquela obra tivesse lido meus pensamentos todos esses anos.

São duas e quarenta e três. E estou aqui pensando em como o Tuchel me cai na tática do caos de Klopp ao jogar o time inteiro na defesa, contra as cordas com uma substituição de...... (deixa quieto). Na hora H, Tuchel sempre tem decisões para lá de apáticas, covardonas mesmo. Sempre isso.

De noite, logo após o jogo, comprei um refrigerante para tomar no jantar, dirigi o carro em que fui carona por muitos anos em minha vida. Minha mãe era minha carona! Uma mudança fenomenal para o outrora moleque, meio filhinho da mamãe e que agora tem uma família. Assustador e fenomenal! A vida tem mudanças, meus caros.

São duas e cinqüenta da madrugada e pelo amor de Deus! Estou lembrando que o caos planejado pelo Klopp estava acontecendo com uma pressão insana e o Tuchel me tira o Reus para colocar o Adrián Ramos. O que se passa na cabeça do Tuchel em fazer uma substituição pífia dessas? Reus manco ou com uma perna é melhor que o colombiano em plena forma.

Klopp falou certa vez em que há momentos na vida que “é preciso um pouco de insanidade para conseguir grandes coisas”. Sobrou insanidade na noite para eles de vermelho e decepção para mim numa tarde de sol escaldante que só Palmas é capaz de proporcionar. Nesta tarde me esqueci de todas as coisas que estão passando em minha cabeça e me peguei esbravejando assustado contra aquela insanidade que me foi familiar e extremamente agradável nos tempos de Klopp no Dortmund.

Klopp jogando junto como é o habitual dele
Foto:Shaun Botterill
Pois é, vem me faltando dinheiro para tudo, tenho preocupações que até pouco tempo atrás sequer passariam pela minha cabeça e pouca coisa mudou das coisas que deixei quando saí de casa da mãe.

Aqui ainda estão meus livros, revistas, minha velha estante, guarda-roupas e outras coisas. Enfim, hoje moro em outra cidade e estou passando uns dias por aqui. Boas lembranças quando liguei a velha TV em que cheguei a brigar pelo controle algumas vezes para assistir a algum jogo que queria.

São três da manhã e me pego remoendo cada lance desta derrota dolorida como se estivesse vivendo o jogo de novo. E cara, eu escrevi um texto como um torcedor e não como um pretenso jornalista esportivo que nunca consegui ser. Se minha mulher lesse este trecho ela iria me dar várias broncas e lições de pensamento positivo. Sei lá, nem sei se me tornar um jornalista esportivo é um objetivo de minha vida ainda.

Três e meia da manhã e vou tentar dormir. Sei que vou acordar lembrando que aquela falta cobrada pelo Gündogan no derradeiro lance da partida num mundo ideal (idealizado por mim, claro) deveria ter entrado. Fim de temporada praticamente e o Dortmund caiu na tática do caos que o próprio Dortmund conhecia e aplicava sobre os adversários tão bem. Vida longa ao Klopp. Espera...... perdi o sono e lá vamos nós de novo apelar aos céus e perguntar mais uma vez: por que sempre conosco, Deus? 

quinta-feira, 24 de março de 2016

O pensador que vestia laranja

O maestro da camisa 14 regendo sua orquestra.
Foto: Divulgação
“E Johan viu a bola....”, com estas palavras existe um poema de Toon Hermans, um cantor, comediante e escritor holandês que falava sobre a genialidade do holandês da camisa 14. Em outro momento da minha vida, já havia lido esse poema e lembrei-me dele assim que soube da morte de Cruyff. Novamente lendo, tive a alegria de rever o poema no texto do jornalista David Butter em homenagem ao holandês lá no Globo Esporte.com. (Muito bom por sinal)

A importância de Cruyff para o futebol não está apenas na sua genialidade com a bola nos pés, enormemente espetacular diga-se, mas também fora dele. O homem foi um pensador que ainda hoje influencia de maneira concreta o futebol. Isso poucos conseguiram e me atrevo a dizer que ninguém o havia feito com tanta maestria como ele. Chegar a tantos com suas idéias é algo tão difícil quanto e elas eram tão inovadoras que foram importantes para um país e atravessaram fronteiras.

Sem ele, não existiria o Ajax tricampeão europeu, clube que antes dele era semi-profissional, não existiria laranja mecânica, não existiria o tão cultuado futebol do Barcelona como o conhecemos. Todos esses times seguem ou seguiram um tanto da máxima de que "qualidade sem resultado não tem sentido e resultado sem qualidade é entediante” como observou um certo pensador.

Hoje costumam analisar tudo em números. Messi é o rei deles. Fenomenal. Pelé fez mais de mil gols. Incrível. Maradona driblou seis ingleses para fazer um dos maiores gols de uma Copa do Mundo. Sensacional. Entretanto, às vezes, os números, os recordes, os mil gols não são tão incríveis como um conjunto de idéias revolucionárias postas em práticas com tanta maestria. E por isso, Cruyff foi mais do que fenomenal, incrível, sensacional.

Nada, mas nenhum número explica o encantamento que muitos tiveram ao ver o debut holandês sobre o Uruguai na Copa do Mundo em 74 ou o olhar desesperado de uruguaios experientes como Pedro Rocha ao ver o balé de movimentações sem sentido dos laranjas por todo o campo. Ali surgia o futebol total de encantamento e paixão.

Infelizmente não pude ver Cruyff em campo. Não sou da sua época e são coisas que não se pode controlar. Mas tentei compensar lendo livros, vendo vídeos e os jogos completos da Holanda no You Tube (Santo You Tube), pois como dizia o velho sábio "Quando você vê um jogador correndo muito rápido, é porque ele saiu atrasado." Nesse caso fui eu que cheguei atrasado, então, tive que correr atrás.

Depois que Johan viu a bola, o futebol não seria mais o mesmo, já que como mostrava aquele sábio holandês, “jogar futebol é muito simples, mas jogar o futebol de modo simples é a coisa mais difícil que há”. Sei que jogar um grande futebol não é nada simples e sei mais ainda que jogar e ver o esporte como Cruyff é só para Cruyff.