terça-feira, 21 de junho de 2016

Uma camisa da Alemanha e quatro amigos

Faltou Best, mas o Ferguson está mais do que
bom Foto: Getty images
Em toda a adolescência tive quatro amigos que seriam inseparáveis em determinada fase da vida. O engraçado é que os quatro eram da família, dois primos, o irmão e o tio. Inseparável mais ainda era o tal do futebol com discussões para lá de acaloradas sobre quem era melhor na época: Cristiano Ronaldo ou Kaká.

Atualmente sei que esse tipo de discussão pode perdurar para sempre se cada um levar em conta o gosto pessoal, mas Ronaldo provou ser melhor com os anos. Kaká de atuações físicas brilhantes teve decadência cedo demais.

Eu com minha velha camisa surrada da Alemanha, uma réplica da seleção de 70, suada pelo calor do sol de Teresina no Piauí, curtia aquilo ali. Uma das lembranças boas que tenho era de com essa mesma camisa estar indo ao centro comercial da cidade sempre falando de futebol e ao lado os inseparáveis amigos. Tinha e ainda tenho costume de ir a banca e comprar uma revista Placar e outras de meu interesse. Infelizmente a Placar já não é mais a mesma. Pena mesmo.

De idades diferentes éramos uma espécie de quinteto. Sabe o Dorval, Mengalvio, Coutinho Pelé e Pepe, o quinteto fantástico da era de ouro do Santos? Pois é. Se não estávamos os cinco juntos ficava observando o trio de amigos que mais se parecia Denis Law, George Best e Bobby Charlton do Manchester United tamanha a facilidade com que os assuntos surgiam assim como a bola gostava de ficar perto do famoso trio do time inglês.

Os caminhos diferentes e minha falta de vontade de voltar a Teresina trataram de me separar do resto deles e creio que atualmente eles mesmos já nem se juntem como antigamente. Faz parte da vida, mas não deveriam perder isso.

Certo dia eu que moro em outra cidade coloquei a mesma surrada camisa da Alemanha para ir a praça fazer uma caminhada. Sim, o futebol, esse velho amigo ainda é inseparável e queria passar essa paixão para meu filho, sem pressão, claro.

Era véspera de réveillon e resolvi dar uma parada para descansar quando vi um quarteto de garotos tal qual aquele em que havia estado. Faltou o tio. Eles falavam de Messi e Cristiano Ronaldo e um dos garotos vestia uma camisa surrada da Alemanha campeã mundial em 2014.

Aquilo me fez sentir saudades e quando olhei minha surrada camisa da Alemanha cheia de memória chorei quase como Paul Gascoigne na semifinal da copa de 90.

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