sábado, 28 de junho de 2014

Jogamos como nunca perdemos como sempre

Neymar tem segurado a pressão e uma seleção mal preparada.
Foto: Ricardo Matsukawa/Terra
Começo este post como este título, porque deve ser mais ou menos isso que os chilenos devem estar pensando depois de mais essa derrota em Copas do Mundo para a seleção brasileira. Porém ao contrário das outras vezes quando o Brasil venceu fácil, lembra da goleada de 4 a 1 em 98 e o 3 a 0 em 2010, dessa vez o destino foi mais maldoso com  La Roja e com os chilenos.

Eles viram tão perto uma possível classificação nos momentos finais da prorrogação naquela bola do Pinilla (sim, aquele mesmo que o vascaíno há de se lembrar e logo querer esquecer tão mal foi a passagem do chileno por lá) que o sonho ficou a poucos centímetros de muita sorte para os brasileiros e muito azar para os chilenos.

Essa seleção do incontestável Scolari é de uma limitação tremenda para criar algo e jogar com alguma qualidade. Depende demais do tal Neymar que consegue não sei como suportar a pressão de um time com poucas ideias que joga a bola para ele resolver em todo o jogo. A atuação do primeiro tempo foi boa até com um gol mais que manjado, mas o segundo foi de doer declaradamente e a prorrogação foi horrível com a seleção brasileira rifando bolas para o “genial” Jô.

O Chile não usou a intensidade que foi vista nos últimos jogos, a marcação pressão subia, mas não como em outros dias. O sol de uma hora, os declarados problemas físicos de algumas peças chilenas foram ficando claros com o passar do tempo. No segundo tempo da prorrogação os chilenos se arrastavam em campo pedindo, por favor, onde estão os penais.

O fato é que La Roja não fez sua melhor partida hoje, com suas melhores características, mas ainda assim chegou tão perto que o sentimento de perder assim deve ser horrível, como todo torcedor que é torcedor um dia já deve ter sentido com seu time.

Quanto a arbitragem, ela foi ruim, Howard Webb é considerado por alguns um grande árbitro e eu lhes digo que nunca vi esse grande árbitro atuar. Sua arbitragem foi péssima mais uma vez, errando em lances capitais e parando o jogo a todo momento.

O fato é que a seleção brasileira chega as quartas com muitas indefinições e dúvidas sobre até onde jogando dessa maneira pode ir nessa competição.  A La Roja, mais uma vez eliminada, fica a decepção, mas a garantia de um trabalho bem feito que pode render frutos em um futuro próximo.   

Até quando Müller vai resolver?

Müller mais uma vez foi decisivo. Foto:Brian Snyder/Reuters
“Essa seleção é uma das favoritas”, “O time está jogando bem”, “Esse time pode tirar o título do Brasil”. Foi mais ou menos isso o que se ouviu sobre a seleção alemã a cada jogo seu nesta Copa do Mundo. Com a fim da primeira fase, a Alemanha fez o que dela se esperava ao terminar em primeiro lugar em um grupo até traiçoeiro, porém o nível do futebol apresentado pela Nationalelf passa longe de ser o de favorita.

Há muito tempo esta Alemanha apresenta problemas crônicos na defesa ou quem não se lembra daquele empate com a Suécia no Estádio Olímpico de Berlim. Naquele dia, a Alemanha tomou um empate depois de estar vencendo de 4 a 0. Para tentar resolver esse problema, Löw passou a jogar literalmente com quatro zagueiros desde a estreia contra Portugal. 

Contra o time luso a tática deu certo, mas a facilidade aconteceu muito mais pela fraqueza do adversário do que pelos acertos do time alemão. Porém, ali mesmo naquela partida pôde-se ver a fraqueza do time alemão em doses homeopáticas. Quando usou de velocidade e marcou a pressão para roubar a bola da defesa alemã, Portugal chegou com perigo por algumas vezes, logo no começo do jogo, depois teve o pênalti, a expulsão do Pepe e o resto é história.

Se contra Portugal, o ponto fraco do time de Löw foi mostrado em doses homeopáticas contra Gana ele ficou escancarado. A Nationalelf sofreu com a marcação pressionada dos ganeses. Com a saída de bola menos qualificada e lenta o jogo alemão não fluía. Sem laterais no ataque, não existiam opções para desafogar o meio que ficava travado com a boa marcação de Gana.

Na defesa, com zagueiros lentos na recomposição, o time ficou exposto à velocidade de ataque dos ganeses. Basta dar uma olhada no gol da virada de André Ayew com roubada de bola para cima de Lahm e bom passe que culminou no tento.

Contra os Estados Unidos, novamente quatro zagueiros e Klinsmann que conhece muito de futebol sabia bem o que fazer para travar a Alemanha. Deixar os zagueiros tocando a bola lentamente longe do seu gol foi uma das estratégias do bom time americano e a Alemanha ficou ali boa parte do jogo tocando entre os zagueiros até que geralmente o Lahm fosse buscar a bola e tentasse algo a mais.

Não dá para admitir que um técnico que tenha tanto tempo no comando de uma equipe como Löw tem chegue a uma Copa do Mundo sem uma definição de time. A Alemanha é uma equipe muito inconsistente e cheia de problemas defensivos. É por isso que chovem críticas ao seu trabalho e não é de hoje.

Bom, para não dizer que tudo é ruim, atuando como um “falso nove”, Müller tem sido muito decisivo. Com quatro gols em três jogos, o rapaz tem sido fundamental para Alemanha por sua movimentação e talento para estar no lugar certo e na hora certo, mas até quando uma equipe pode depender tanto de um homem para chegar a um título mundial?

terça-feira, 24 de junho de 2014

Futuro Nebuloso



A Itália chegou para essa copa com muitos problemas e indefinições, mas antes de falar da eliminação da azurra de mais um mundial seguido queria fazer uma retrospectivado trabalho de Cesare Prandelli.

O início foi excelente e bastante promissor. Com ele surgiram novas idéias, um sopro de vivacidade em meio ao marasmo tático e técnico em que se encontrava a azurra depois da eliminação na primeira fase do mundial de 2010. E com essas novas ideias, ele colocou o time italiano para propor o jogo, gostar do ataque, dos gols e ele reinventava o time com diversas variações táticas.

E Prandelli levou a azurra a uma improvável final de Eurocopa depois de fazer grandes partidas na primeira fase contra a Espanha, bater a Alemanha nas semi, acabou tomando uma goleada de um time mais pronto e que sabia o que fazer para ganhar que naquela época era o time espanhol.

Com um inesperado vice-campeonato europeu, Prandelii teve a tranquilidade que queria para trabalhar e se esperava uma evolução no trabalho. Foi justamente o que não aconteceu. O futebol de seu time se esvaiu, a Itália passou a jogar mal com problemas defensivos recorrentes e falta de criação.

E daí os jogos ruins continuaram até que culminaram nessa campanha com duas derrotas, uma vitória e eliminação precoce em mais uma copa. Hoje, Prandelli tentou e mandou sua equipe jogando a la Juventus, com os três zagueiros juventinos e pirlo sendo o quarterback .
Mandou também Balotelli e Immobile para formar pela primeira vez sua dupla de ataque e nada deu certo. Ofensivamente a Itália não criou, Balotelli completou sua copa horrorosa e fez mais uma partida ruim sendo substituído logo no intervalo. 

Defensivamente tudo ia até tranquilo, pois o Uruguai era bola para o Suárez e apenas isso, mas o gol de Godín colocou os uruguaios na frente em jogo pouco técnico, de muita briga e que quem encontrasse primeiro o gol sairia com a vitória.

O fato é que a Itália não convenceu, apresentou péssimo futebol e nem parecia que Prandelli estava há tanto no comando da azurra. Esta eliminação significa a falha total de seu projeto e parece que ele percebeu isso quando logo após o jogo pediu demissão do cargo.

Ainda não se sabe qual vai ser o futuro de Prandelli ou da azurra que viu também a aposentadoria de Pirlo com a camisa italiana. Sem ele e talvez sem Buffon, o futuro parece um tanto nebuloso quando se pensa na próxima euro e copa do mundo que ainda virão.

Raça uruguaia ou pobreza técnica?

Ao fim da partida Tabárez mais uma vez recorreu àquele velho papo da raça uruguaia, de jogadores que são torcedores para explicar mais uma vitória sofrida e a classificação para as oitavas de seu time.

Tudo isso é verdade, a celeste joga com o coração alentada pelo grande número de uruguaios que atravessaram a fronteira e estão ao montes por aqui. Porém uma pergunta que tenho feito e que sinto falta nas respostas do Tabárez é onde está o futebol do Uruguai?

A verdade é que a celeste é de uma pobreza técnica tremenda, cria muito pouco e pula o meio-campo por uma bola esticada ao mordedor Luis Suárez. Jogando sozinho contra três zagueiros era muito difícil que ele fosse fazer algo. Ele é craque, mas exigir desse jeito dele é demais.

Com o gol de Godín, o Uruguai na base do suor e da raça charrúa passou de fase, mas vejo que esse time tem um limite claro e isso acontecerá quando dele for exigido menos raça, suor e mais qualidade técnica. Nesse momento o Uruguai irá tombar nessa copa do mundo. 

sábado, 21 de junho de 2014

Torcedores x Espectadores

Torcidas sul-americanas têm sido o grande diferencial dessa
copa Foto: Stanley Chou/GettyImages
Começo este post dizendo que o futebol é pra todos, ele é do negro, do branco, do rico, do pobre e de quem quiser. Futebol é o esporte-rei diria aquele comentarista e ele é o que é hoje, porque é de todos.

Bom, dito isso, faz tempo que tenho percebido que existe uma elitização velada do público no futebol brasileiro. E acabaram as gerais, o valor do ingresso aumentou, cada vez mais obrigam o torcedor a ficar sentado todo certinho em sua poltrona acolchoada.

Não digo que não deve ter poltrona, que não tem que ser acolchoada, mas digo que todos têm o direito de torcer do jeito que quiser e se for de pé, tudo bem, se for sentado, tudo bem, se eu quiser levar uma faixa, uma bandeira, tudo bem.

Quando se fala em seleção isso é aumentado por mil e dá-lhe a torcida toda de verde amarela, sentadinha entoando o único canto que sabe, o tal do “eu sou brasileiro como muito orgulho” e por aí vai e depois é muito silêncio e vaias se o time for mal.

Com torcidas cada vez assépticas por aqui a imprensa esportiva brasileira está se impressionando com o clima que as seleções sul-americanas têm trazido para os seus jogos. E eles cantam, cantam o jogo todo, estão perdendo cantam, estão vencendo cantam também.

Uruguaios, chilenos, argentinos ainda não estão sofrendo essa elitização, a grade maioria deles são ratos de arquibancada, que ficam no alambrado, que sofrem com o seu time, que torcem em pé, que torcem sentado, que torcem como torcedor.

Infelizmente, pouco a pouco, estão afastando uma grande parcela do público do futebol, daqueles que levam bandeira, que cantam, lembra daquelas figuras que iam as gerais e abrilhantavam as finais de estadual no Rio de Janeiro, pois bem isso acabou.

No momento que escrevo esse texto acabei de ver uma vitória fenomenal do Chile sobre a Espanha e os torcedores chilenos berraram os 90 minutos do Maracanã mais “rojo” da história. Ali eu vejo a diferença de torcedor e espectador, pois um estádio de futebol não é uma sala de cinema, de teatro é sim um estádio de futebol.

Essa tem sido uma das melhores edições de Copa do Mundo, porque os sul-americanos invadiram o Brasil para torcer por sua seleção e eles não são o que o FIFA quer, um espectador sentadinho e calado, eles são torcedores, são hinchas que sabem alentar seja na vitória ou na derrota.


Decide Sabella!

Messi fez um dos jogos mais bonitos desse mundial
Foto: Internet
Maracanã, estreia da Argentina e um baita clima de Libertadores com os argentinos invadindo o Rio de Janeiro e cantando daquele jeito que só eles sabem.

A albiceleste começa com três zagueiros, Mascherano a frente da linha de zaga e sem um atacante fixo com Messi e Aguero no ataque. Não deu certo e a defensividade de Sabella acabou travando demais o primeiro tempo dos argentinos. Com esse esquema, faltava sempre um homem no meio, ainda mais com Maxi Rodriguez sumido obrigando o Messi a voltar demais.

Aguero ficou sumido entre a zaga da Bósnia e ao menos o gol saiu logo cedo com a colaboração de Kolasinac. Com uma atuação mais ou menos Sabella mudou e colocou Higuain e Gago, tirou os três zagueiros, passou Messi para o meio e aí ele começou a aparecer, às vezes, muito “fominha”, mas foi decisivo com um golaço.

Para a estreia argetina eu daria uma nota 7,5, mas é preciso que Sabella  decida o que espera do seu time. Joga mais recuado ou com o quarteto de maneira mais ofensiva? Essa é a questão e na minha humilde opinião acho que ele deve vir com o quarteto argentino no onze inicial e colocar os três zagueiros em determinados momentos.

Ficou claro que a ideia é reforçar uma defesa que não é tão segura, mas não dá para tirar o que ele tem de melhor no elenco que é seu quarteto ofensivo. Quanto ao time bósnio se percebe que não é bobo, é uma boa equipe, mas não soube aproveitar do momento ruim da Argentina durante o jogo mesmo com o gol de Ibisevic no fim do segundo tempo. Se não souber aproveitar as chances que aparecem esse bom time pode perder a classificação e ficar de fora da copa logo na primeira fase.

A Celeste Apática

Com ótimo atuação Costa Rica se credencia a classificação
 no Grupo da Morte  Foto: Reuters
Assim como na copa passada, o Uruguai não venceu e desde 1970 que a celeste não vence na estréia. Em 2010, seu início de campanha contra a França não foi bom, pouca movimentação, pouca criatividade e o jogo terminou empatado em 1 a 1, pois aquela França também mostrou tudo isso que falei do Uruguai.

 Agora em 2014, o time uruguaio apresentou simplesmente a mesma coisa na estréia contra a Costa Rica e o grande problema foi que a Costa Rica não foi aquela França. Os costariquenhos bem organizados alternando entre três zagueiros quando tinham a bola e fazendo uma linha de cinco homens sem a bola pararam os uruguaios. E foram acreditando que podiam vencer na bola parada de Bolaños, nas chegadas de Bryan Ruiz e na habilidade e inteligência de Campbell que fez grande partida.

A celeste no 4-4-2 jogou com Forlan e Cavani no ataque e uma falta de criatividade. No meio, Stuani e “Cebolla” Rodriguez ficavam isolados no lado e Gargano e Arevalo não se podia esperar criação, até porque não são atletas de criação.

Forlan repetiu suas atuações apáticas de sempre muito comum nos últimos anos e Cavani isolado não pôde repetir suas boas atuações. Outro ponto a se falar é a distância com que jogam as linhas uruguaias com a zaga sempre distante do meio. O time não é compacto, não joga curto e dessa forma dá espaços ao adversário.

Confesso que não sei até que ponto foi decepcionante a estréia e falta de jogo do Uruguai até porque não é um time de grande qualidade técnica e ainda tem a volta de Suarez, importante para qualquer time, mas mesmo assim foi abaixo da crtica.


O corporativismo no futebol brasileiro e Felipão, o intocável

Felipão e Parreira em entrevista na CBF.
Foto: André Durão/Globoesporte.com
Alguns dias atrás, o agora coordenador técnico da seleção CBF, Carlos Alberto Parreira foi dono de um dos comentários mais bizarros que li nos últimos tempos e que dá um frio na espinha de quem espera alguma melhora nas estruturas do atual futebol brasileiro.

O senhor Parreira falou sobre a inauguração da portentosa sede da Confederação Brasileira de Futebol que a instituição que desorganiza o “maravilhoso” futebol brasileiro é um exemplo e assim sendo é o Brasil que deu e que dá certo.

Além dos enormes problemas que existem por aqui e que clamam por soluções imediatas que muitos da mídia “chapa branca” preferem fechar os olhos fica claro que um desses problemas também é o corporativismo. Os senhores que comandam todas as instituições do futebol se protegem e no corporativismo se perpetuam no poder por anos a fio. Mesmo quando saem sempre deixam filhotes preparados para ocuparem seu lugar e lembro ao leitor e acho que nem preciso que esse não é um fenômemo exclusivo do futebol.

Voltando ao Parreira fica claro que ele é um empregado da CBF e por isso é bem óbvio que ele está protegendo os interesses daqueles determinados  poderosos que o colocaram lá e também seus próprios. No entanto, ele esquece do pífio futebol jogado no Brasil e aí entro nesse clima de oba oba com a seleção da CBF, que parece já é campeã mundial sem nem ter entrado em campo.

Outra coisa que não consigo entender é como o motivo para o senhor Luís Felipe Scolari se tornou um personagem intocável. Na mídia “chapa branca” não faltam histórias de como ele é especial, de como é um paizão que une o grupo e a tal família Scolari e muito blá blá blá. Na boa, não tiro o mérito dele, é de fato um bom técnico, mas não me esqueço do time horroroso do Palmeiras que ele ajudou a montar e que caiu para a série B, sem falar na gloriosa passagem dele pelo Chelsea quando Big Phil acumulou fracassos na montagem da tal família scolari na Inglaterra.

Isso quer dizer é que Felipão tem seus méritos como um bom treinador, mas também não é nenhum intocável e sendo bem rigoroso se fosse pelos seus últimos trabalhos, ele nem estaria nessa copa.

O fato é que ele é o testa de ferro ideal para a atual cúpula da CBF se perpetuar no poder e mesmo em eventual derrota eles tem uma desculpa perfeita para chutar as críticas para longe que podem aumentar em caso de uma derrota dentro de casa.