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| Torcidas sul-americanas têm sido o grande diferencial dessa copa Foto: Stanley Chou/GettyImages |
Começo este post dizendo que o futebol é
pra todos, ele é do negro, do branco, do rico, do pobre e de quem quiser. Futebol
é o esporte-rei diria aquele comentarista e ele é o que é hoje, porque é de
todos.
Bom, dito isso, faz tempo que tenho
percebido que existe uma elitização velada do público no futebol brasileiro. E
acabaram as gerais, o valor do ingresso aumentou, cada vez mais obrigam o
torcedor a ficar sentado todo certinho em sua poltrona acolchoada.
Não digo que não deve ter poltrona, que
não tem que ser acolchoada, mas digo que todos têm o direito de torcer do jeito
que quiser e se for de pé, tudo bem, se for sentado, tudo bem, se eu quiser
levar uma faixa, uma bandeira, tudo bem.
Quando se fala em seleção isso é aumentado
por mil e dá-lhe a torcida toda de verde amarela, sentadinha entoando o único
canto que sabe, o tal do “eu sou brasileiro como muito orgulho” e por aí vai e
depois é muito silêncio e vaias se o time for mal.
Com torcidas cada vez assépticas por
aqui a imprensa esportiva brasileira está se impressionando com o clima que as
seleções sul-americanas têm trazido para os seus jogos. E eles cantam, cantam o
jogo todo, estão perdendo cantam, estão vencendo cantam também.
Uruguaios, chilenos, argentinos ainda não
estão sofrendo essa elitização, a grade maioria deles são ratos de arquibancada,
que ficam no alambrado, que sofrem com o seu time, que torcem em pé, que torcem
sentado, que torcem como torcedor.
Infelizmente, pouco a pouco, estão
afastando uma grande parcela do público do futebol, daqueles que levam
bandeira, que cantam, lembra daquelas figuras que iam as gerais e abrilhantavam
as finais de estadual no Rio de Janeiro, pois bem isso acabou.
No momento que escrevo esse texto acabei
de ver uma vitória fenomenal do Chile sobre a Espanha e os torcedores chilenos berraram
os 90 minutos do Maracanã mais “rojo” da história. Ali eu vejo a diferença de torcedor e
espectador, pois um estádio de futebol não é uma sala de cinema, de teatro é sim
um estádio de futebol.
Essa tem sido uma das melhores edições de Copa do Mundo,
porque os sul-americanos invadiram o Brasil para torcer por sua seleção e eles
não são o que o FIFA quer, um espectador sentadinho e calado, eles são
torcedores, são hinchas que sabem alentar seja na vitória ou na derrota.

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