Faz alguns
dias o Brasil recebeu com espanto a interdição do Engenhão por problemas
estruturais, mais precisamente por problemas na sua cobertura. Esse fato é
importante para revelar algo que em tempos de muita gastança e construções
bilionárias para a copa do mundo e olimpíadas está sendo esquecido: o legado
esportivo.
No
pan-americano realizado no Rio em 2007 foi vendida a ideia do tal legado, mas
as maravilhosas obras que iriam alavancar o esporte olímpico brasileiro se
transformaram em problemas tão logo acabaram as competições. E agora o fato
chegou ao seu ápice com a interdição bisonha do “moderno” engenhão, um estádio
de apenas 6 anos que custou aos cofres públicos o valor de 360 milhões de
reais.
Vejam amigos, nesses últimos meses que antecedem
a copa e olimpíadas às barbaridades estão acontecendo aos montes. Desde a
privatização do maracanã em um jogo de cartas marcadas e tem se falado até em
uma possível reformulação após o mundial a fim de se adaptar as exigências olímpicas.
E as bizarrices continuam com a transformação da pista de atletismo Célio de
Barros, importante ponto de treinos para atletas, em estacionamento para o novo
Maracanã e o que não dizer do velódromo do Rio, outro legado do pan novinho em
folha, que será desativado.
As autoridades que tem nas mãos o futuro do
esporte brasileiro precisam entender uma coisa: obra não é legado esportivo. Ainda
mais quando feita as pressas no “jeitinho brasileiro” e isso sem levar em conta
o fato de alguns desses parques esportivos se transformarem em verdadeiros
“elefantes brancos” sem a demanda necessária para sua existência logo após a
copa, como por exemplo, a Arena Amazônia.
Legado esportivo é aproveitar esses eventos para dar
subsídios de forma que o nosso esporte se modernize e se desenvolva. É dar
condições para as meninas do futebol feminino atuarem dentro do seu país com
campeonatos regulares e bem organizados, é não esquecer dos atletas de várias
modalidades que estão largados a sua sorte – e isso inclui os medalhistas da
ultima olimpíada - sem lugares para
treinar e se desenvolver minimamente como atletas.
E quanto ao futebol brasileiro organizado pela
CBF de Marin que arruma um amistoso em homenagem ao garoto Kevin Espada onde
todos são homenageados e o garoto, bom, esse é esquecido. O pior é que se
porventura a seleção ganhar a copa do mundo, eles irão se vangloriar do “belo”
trabalho que tem desenvolvido e todos irão esquecer do quão é atrasado o
futebol brasileiro e de como ele podia ser tão melhor sendo uma referência não
apenas dentro de campo (isso se você contar que o futebol brasileiro ainda é
uma referência de futebol, algo que já não é mais faz tempo).
Infelizmente o Brasil vai perdendo a grande
oportunidade de desenvolver e estruturar seu esporte com esses eventos. Não
acreditem na mentira do Brasil como uma potência olímpica até 2016, isso só vai
acontecer quando as autoridades que comandam o esporte abrirem os olhos para o atleta e suas necessidades mais básicas.