sábado, 9 de julho de 2016

A lei dos resultados

Ronaldo foi o autor do primeiro gol de Portugal
 contra Gales na semi.Foto: Divulgação
Não é segredo para ninguém que os brasileiros e a maior parte dos que compõem a imprensa esportiva avaliam trabalhos pelos resultados. Trabalhos excelentes são ridicularizados após uma derrota e trabalhos horríveis são vangloriados após conseguir resultados positivos.

O exemplo da vez é Portugal. De futebol sorumbático, desorganizado e sem conceitos de jogo empatou os três jogos da primeira fase e foi responsável por um dos piores jogos desta Euro ao lado da Croácia.

Após outro empate nas quartas de final contra a esforçada Polônia, a seleção portuguesa só veio vencer uma partida nas semifinais contra Gales se aproveitando das individualidades de um dos melhores jogadores da atualidade.

Óbvio que Portugal teve seus méritos, mas também se aproveitou do chaveamento que lhe proporcionou confrontos contra adversários palpáveis ao mesmo tempo que o outro chaveamento juntou seleções do calibre de Itália, Alemanha, Espanha.

Fernando Santos não enganava ninguém quando momentos antes da Euro não sabia que time iria levar para França. Tinha enormes duvidas sobre o time ideal. É inegável também que ele foi montando e trocando peças ao longo da competição. O zagueiro Fonte do Southampton de ótimo nível entrou no lugar do desgastado Ricardo Carvalho e deu mais segurança defensiva a zaga ao lado do Pepe.

Outra foi a entrada do Renato Sanches que proporcionou mais jovialidade, qualidade e força ao meio campo português. Aliás, a entrada do jogador era o que vinha sendo pedido há muito tempo.  A ida de João Moutinho para o banco foi interessante já que ele apesar de ser ótimo jogador não estava rendendo bem.

O que fica de bom para Portugal mesmo que não ganhe o titulo europeu é que Fernando Santos sai com um trabalho tarimbado, ganha tempo para continuar este trabalho e com um esboço de time que pode evoluir e sair da sombra do Cristiano Ronaldo.

Perguntado se Portugal merecia estar
 na final, Fernando Santos deu de ombros Foto:Lusa
Mas pensando nesta Euro, o problema é que o futebol apresentado durante a competição na maior parte foi sofrível de se ver. Fora isso, ainda observei muita gente fazer uma comparação errônea deste time de Portugal com a seleção grega que levou a taça em 2004.

A diferença entre as duas seleções se chama conceito de futebol. Portugal não tem esse conceito e vai tentando formar um ao longo da competição. Foi passando aos trancos e barrancos, mas foi. A Grécia renunciava a bola, seu conceito de jogo era bem formado pelo Otto Rehhagel gostem ou não dele.

Vi muita gente falando que foi a garra e vontade da seleção portuguesa que a fez chegar a final, mas embora possa até ter sido e essas sejam qualidades destacáveis, eu espero bem mais de uma candidata a campeã europeia.

Portugal nem de longe mostrou um grande futebol. Para mim seria um anticlímax maior do que ver a Grécia em 2004 levantar a taça de campeão. Pelo menos algum conceito de jogo se via ali já Portugal nem isso. É feio de qualquer forma que se observe o jogo, mas o que importa são os resultados, não é?

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