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| O criticado Lovren faz o gol da redenção dos Reds Foto: Jon Super/ Associated Press |
São mais de duas da manhã, minha
mulher e filho viajaram, minha mãe, padrasto e irmão postiço dormem no momento
e eu estou aqui pensando em como o Borussia Dortmund me deixa escapar uma vaga
quase certa em Anfield contra o Liverpool.
É como escreveu Nick Hornby em Febre de Bola sobre o futebol ser uma obsessão para ele. Acho
que já devo ter falado nesse livro umas quinhentas mil vezes por aqui, mas
não me canso de mostrar como ele fala sobre essa obsessão em que me pego
pensando neste momento como se aquela obra tivesse lido meus pensamentos todos
esses anos.
São duas e quarenta e três. E estou
aqui pensando em como o Tuchel me cai na tática do caos de Klopp ao jogar o
time inteiro na defesa, contra as cordas com uma substituição de...... (deixa
quieto). Na hora H, Tuchel sempre tem decisões para lá de apáticas, covardonas
mesmo. Sempre isso.
De noite, logo após o jogo, comprei
um refrigerante para tomar no jantar, dirigi o carro em que fui carona por muitos anos
em minha vida. Minha mãe era minha carona! Uma mudança fenomenal para o outrora
moleque, meio filhinho da mamãe e que agora tem uma família. Assustador e
fenomenal! A vida tem mudanças, meus caros.
São duas e cinqüenta da madrugada
e pelo amor de Deus! Estou lembrando que o caos planejado pelo Klopp estava acontecendo
com uma pressão insana e o Tuchel me tira o Reus para colocar o Adrián Ramos. O
que se passa na cabeça do Tuchel em fazer uma substituição pífia dessas? Reus manco
ou com uma perna é melhor que o colombiano em plena forma.
Klopp falou certa vez em que há
momentos na vida que “é preciso um pouco de insanidade para conseguir grandes
coisas”. Sobrou insanidade na noite para eles de vermelho e decepção para mim numa
tarde de sol escaldante que só Palmas é capaz de proporcionar. Nesta tarde me esqueci
de todas as coisas que estão passando em minha cabeça e me peguei esbravejando
assustado contra aquela insanidade que me foi familiar e extremamente agradável
nos tempos de Klopp no Dortmund.
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| Klopp jogando junto como é o habitual dele Foto:Shaun Botterill |
Pois é, vem me faltando dinheiro
para tudo, tenho preocupações que até pouco tempo atrás sequer passariam pela
minha cabeça e pouca coisa mudou das coisas que deixei quando saí de casa da
mãe.
Aqui ainda estão meus livros, revistas, minha velha estante, guarda-roupas e outras coisas. Enfim, hoje moro em outra cidade e estou passando uns dias por aqui. Boas
lembranças quando liguei a velha TV em que cheguei a brigar pelo controle algumas
vezes para assistir a algum jogo que queria.
São três da manhã e me pego
remoendo cada lance desta derrota dolorida como se estivesse vivendo o jogo de novo. E cara, eu escrevi um texto como um torcedor e não como um
pretenso jornalista esportivo que nunca consegui ser. Se minha mulher lesse
este trecho ela iria me dar várias broncas e lições de pensamento positivo. Sei
lá, nem sei se me tornar um jornalista esportivo é um objetivo de minha vida ainda.
Três e meia da manhã e vou tentar
dormir. Sei que vou acordar lembrando que aquela falta cobrada pelo Gündogan no
derradeiro lance da partida num mundo ideal (idealizado por mim, claro) deveria
ter entrado. Fim de temporada praticamente e o Dortmund caiu na tática do caos
que o próprio Dortmund conhecia e aplicava sobre os adversários tão bem. Vida
longa ao Klopp. Espera...... perdi o sono e lá vamos nós de novo apelar aos
céus e perguntar mais uma vez: por que sempre conosco, Deus?


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