sexta-feira, 15 de abril de 2016

Por que sempre conosco, Deus?

O criticado Lovren faz o gol da redenção dos Reds
Foto: Jon Super/ Associated Press
São mais de duas da manhã, minha mulher e filho viajaram, minha mãe, padrasto e irmão postiço dormem no momento e eu estou aqui pensando em como o Borussia Dortmund me deixa escapar uma vaga quase certa em Anfield contra o Liverpool.

É como escreveu Nick Hornby em Febre de Bola sobre o futebol ser uma obsessão para ele. Acho que já devo ter falado nesse livro umas quinhentas mil vezes por aqui, mas não me canso de mostrar como ele fala sobre essa obsessão em que me pego pensando neste momento como se aquela obra tivesse lido meus pensamentos todos esses anos.

São duas e quarenta e três. E estou aqui pensando em como o Tuchel me cai na tática do caos de Klopp ao jogar o time inteiro na defesa, contra as cordas com uma substituição de...... (deixa quieto). Na hora H, Tuchel sempre tem decisões para lá de apáticas, covardonas mesmo. Sempre isso.

De noite, logo após o jogo, comprei um refrigerante para tomar no jantar, dirigi o carro em que fui carona por muitos anos em minha vida. Minha mãe era minha carona! Uma mudança fenomenal para o outrora moleque, meio filhinho da mamãe e que agora tem uma família. Assustador e fenomenal! A vida tem mudanças, meus caros.

São duas e cinqüenta da madrugada e pelo amor de Deus! Estou lembrando que o caos planejado pelo Klopp estava acontecendo com uma pressão insana e o Tuchel me tira o Reus para colocar o Adrián Ramos. O que se passa na cabeça do Tuchel em fazer uma substituição pífia dessas? Reus manco ou com uma perna é melhor que o colombiano em plena forma.

Klopp falou certa vez em que há momentos na vida que “é preciso um pouco de insanidade para conseguir grandes coisas”. Sobrou insanidade na noite para eles de vermelho e decepção para mim numa tarde de sol escaldante que só Palmas é capaz de proporcionar. Nesta tarde me esqueci de todas as coisas que estão passando em minha cabeça e me peguei esbravejando assustado contra aquela insanidade que me foi familiar e extremamente agradável nos tempos de Klopp no Dortmund.

Klopp jogando junto como é o habitual dele
Foto:Shaun Botterill
Pois é, vem me faltando dinheiro para tudo, tenho preocupações que até pouco tempo atrás sequer passariam pela minha cabeça e pouca coisa mudou das coisas que deixei quando saí de casa da mãe.

Aqui ainda estão meus livros, revistas, minha velha estante, guarda-roupas e outras coisas. Enfim, hoje moro em outra cidade e estou passando uns dias por aqui. Boas lembranças quando liguei a velha TV em que cheguei a brigar pelo controle algumas vezes para assistir a algum jogo que queria.

São três da manhã e me pego remoendo cada lance desta derrota dolorida como se estivesse vivendo o jogo de novo. E cara, eu escrevi um texto como um torcedor e não como um pretenso jornalista esportivo que nunca consegui ser. Se minha mulher lesse este trecho ela iria me dar várias broncas e lições de pensamento positivo. Sei lá, nem sei se me tornar um jornalista esportivo é um objetivo de minha vida ainda.

Três e meia da manhã e vou tentar dormir. Sei que vou acordar lembrando que aquela falta cobrada pelo Gündogan no derradeiro lance da partida num mundo ideal (idealizado por mim, claro) deveria ter entrado. Fim de temporada praticamente e o Dortmund caiu na tática do caos que o próprio Dortmund conhecia e aplicava sobre os adversários tão bem. Vida longa ao Klopp. Espera...... perdi o sono e lá vamos nós de novo apelar aos céus e perguntar mais uma vez: por que sempre conosco, Deus? 

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