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| O incrível Leicester City, campeão inglês da 2015/16 Foto: Adrian Dennis/AFP |
O fato é que o futebol sempre foi
um esporte apaixonante por ser imprevisível, um dia ruim, uma jogada tosca que
acaba em gol e pronto, o pequeno ganha do grande, o Davi ganha do Golias. A
imperfeição do futebol sempre foi algo apaixonante e que me chamou atenção, tal
qual a vida.
Há alguns anos atrás era mais
fácil uma zebra acontecer, o futebol mudou não está tão imprevisível
assim, os grandes mais endinheirados, mais fortes, ganham com muito mais frequência.
Ficou monótono na França com o bilionário PSG, já é assim faz tempo na Alemanha
com o Bayern sem rivais em condições econômicas de formar times mais fortes.
Ficou rotineiro, mas o futebol assim como a vida prega peças e nessa eu caí como
muitos.
Quando o Leicester começou uma
boa série de vitórias no início da temporada este que vós escreve assim como
muitas pessoas acreditava que aquilo não passaria de brilhareco e logo depois
acabaria. A desculpa era algo como meu
primo falava: “Esse time aí não passa da décima rodada”, mas o incrível foi que
passou.
Depois veio outras desculpas como o “Ah, ele não vai passar pelo Boxing
Day”, mas também passou e depois apareceu o “Não irá conseguir vencer os
confrontos com os maiores” e não é que conseguiu vencer! Após a fase de
negação, muito natural, eu assim como muitos outros gastaram várias horas
tentando entender o que era o fenômeno de azul e branco, muitos tentaram
explicar em vão e ainda seguem sem entender.
Eu depois de algum tempo admito
meu fracasso e decidi não entender, mas curtir, sentir o que de especial estava
acontecendo. Há algumas rodadas atrás a emoção do técnico italiano após a
vitória contra o Sunderland tem algo a ver com isso. Ele sempre soube o que
queria, fugir do rebaixamento era a meta, mas o tempo foi passando e o Leicester
era líder e ele mantinha a postura e a meta era sempre fugir do rebaixamento.
O italiano mostrou uma serenidade
incrível. Talvez tenha sido uma forma de negação daquele sucesso todo ou mesmo cabeça
no lugar ou ainda as duas coisas ao mesmo tempo. Não sei. Taxado de fracassado
com trabalhos ruins e recentemente tendo perdido até para a pequenina Ilhas Faroe quando
comandava a seleção grega, o italiano se reinventou e reinventou vários caras
esquecidos em ligas menores ou desconhecidos até então. Creio que aquele emoção foi
uma forma de extravasar um pouco todo o sentimento que ele deve ter guardado
para si.
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| Dilly Ding Dilly Dong. Ranieri é campeão inglês! Foto: Divulgação |
Nomes como o alemão Huth, Drinkwater,
Morgan, taxados de caneleiros por muitos, os impressionantes Vardy e Mahrez ou o
Fuchs, lateral veterano que já tinha sido do Schalke 04, o goleiro Schmeichel ,
sempre visto como filho do seu pai mais famoso que não deu certo. Um time cheio
de histórias para contar.
A vida é feita de histórias, de
gente de carne e osso, de alegrias, de vitória e derrotas. O futebol atual endinheirado,
elitizante e excludente, nos trouxe o popstar da bola, figuras cada vez mais
distantes das comunidades que formam o clube, mais distantes da torcida. Por
isso, curto muito mais o Leicester e seu jeito rústico de jogar, cheio de vontade,
empatia com o torcedor e com a comunidade a sua volta. Prefiro muito mais a alegria daqueles chutões geniais aos dribles de um certo trio sul-americano do Barcelona.
Melhor que ver mais uma taça
conquistada por um grande qualquer, o futebol pregou uma peça saborosa com este Leicester.
Ele ri de todos nós, os incrédulos neste momento. Que bom, porque este time me
fez sonhar um pouco de novo na vida quando tudo que olho a minha volta são dificuldades
do tamanho de um Manchester United, um Manchester City, Arsenal, Chelsea e
todos olham em volta dizendo: “Esse aí não passa da décima rodada”.


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