quinta-feira, 12 de maio de 2016

Esse aí não passa da décima rodada!

O incrível Leicester City, campeão inglês da 2015/16
Foto: Adrian Dennis/AFP
O fato é que o futebol sempre foi um esporte apaixonante por ser imprevisível, um dia ruim, uma jogada tosca que acaba em gol e pronto, o pequeno ganha do grande, o Davi ganha do Golias. A imperfeição do futebol sempre foi algo apaixonante e que me chamou atenção, tal qual a vida.

Há alguns anos atrás era mais fácil uma zebra acontecer, o futebol mudou não está tão imprevisível assim, os grandes mais endinheirados, mais fortes, ganham com muito mais frequência. Ficou monótono na França com o bilionário PSG, já é assim faz tempo na Alemanha com o Bayern sem rivais em condições econômicas de formar times mais fortes. Ficou rotineiro, mas o futebol assim como a vida prega peças e nessa eu caí como muitos.

Quando o Leicester começou uma boa série de vitórias no início da temporada este que vós escreve assim como muitas pessoas acreditava que aquilo não passaria de brilhareco e logo depois acabaria. A desculpa era algo como meu primo falava: “Esse time aí não passa da décima rodada”, mas o incrível foi que passou. 

Depois veio outras desculpas como o “Ah, ele não vai passar pelo Boxing Day”, mas também passou e depois apareceu o “Não irá conseguir vencer os confrontos com os maiores” e não é que conseguiu vencer! Após a fase de negação, muito natural, eu assim como muitos outros gastaram várias horas tentando entender o que era o fenômeno de azul e branco, muitos tentaram explicar em vão e ainda seguem sem entender.

Eu depois de algum tempo admito meu fracasso e decidi não entender, mas curtir, sentir o que de especial estava acontecendo. Há algumas rodadas atrás a emoção do técnico italiano após a vitória contra o Sunderland tem algo a ver com isso. Ele sempre soube o que queria, fugir do rebaixamento era a meta, mas o tempo foi passando e o Leicester era líder e ele mantinha a postura e a meta era sempre fugir do rebaixamento.

O italiano mostrou uma serenidade incrível. Talvez tenha sido uma forma de negação daquele sucesso todo ou mesmo cabeça no lugar ou ainda as duas coisas ao mesmo tempo. Não sei. Taxado de fracassado com trabalhos ruins e recentemente tendo perdido até para a pequenina Ilhas Faroe quando comandava a seleção grega, o italiano se reinventou e reinventou vários caras esquecidos em ligas menores ou desconhecidos até então. Creio que aquele emoção foi uma forma de extravasar um pouco todo o sentimento que ele deve ter guardado para si.

Dilly Ding Dilly Dong. Ranieri é campeão inglês!
Foto: Divulgação
Nomes como o alemão Huth, Drinkwater, Morgan, taxados de caneleiros por muitos, os impressionantes Vardy e Mahrez ou o Fuchs, lateral veterano que já tinha sido do Schalke 04, o goleiro Schmeichel , sempre visto como filho do seu pai mais famoso que não deu certo. Um time cheio de histórias para contar.

A vida é feita de histórias, de gente de carne e osso, de alegrias, de vitória e derrotas. O futebol atual endinheirado, elitizante e excludente, nos trouxe o popstar da bola, figuras cada vez mais distantes das comunidades que formam o clube, mais distantes da torcida. Por isso, curto muito mais o Leicester e seu jeito rústico de jogar, cheio de vontade, empatia com o torcedor e com a comunidade a sua volta. Prefiro muito mais a alegria daqueles chutões geniais aos dribles de um certo trio sul-americano do Barcelona.

Melhor que ver mais uma taça conquistada por um grande qualquer, o futebol pregou uma peça saborosa com este Leicester. Ele ri de todos nós, os incrédulos neste momento. Que bom, porque este time me fez sonhar um pouco de novo na vida quando tudo que olho a minha volta são dificuldades do tamanho de um Manchester United, um Manchester City, Arsenal, Chelsea e todos olham em volta dizendo: “Esse aí não passa da décima rodada”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário