segunda-feira, 16 de maio de 2016

Entre Deivid, Fernando Diniz e algumas convicções

Audax chegou a final do estadual em São Paulo
Foto: Divulgação/Folhapress
Após a eliminação do Cruzeiro nas semi do estadual, o novato Deivid foi demitido após alguns meses de futebol opaco, algumas vitórias magras e uma nítida falta de experiência por parte do ex-atacante.

Sim, faltou experiência ao Deivid como técnico em outras praças menores, faltou outras ideias de jogo, faltou coerência da diretoria do clube que resolver “apostar” no técnico novato e depois o demitiu no primeiro fracasso. E faltou também um pouco de tato ao próprio Deivid de saber que por não ter uma casca mais grossa, naturalmente não conseguiria se manter como técnico do Cruzeiro em momentos como esse.

Vendo toda essa situação e o sucesso de Fernando Diniz e seu Audax de futebol arriscado e toque de bola, uma pergunta permeou o meio durante semanas. Será se o técnico teria condições e tempo de em um clube maior aplicar esse tipo de jogo ou logo seria demitido no primeiro fracasso?

Com a demissão do Deivid, a resposta fica clara. Não é dizer que o trabalho dele é bom no nível do Fernando Diniz, claro que não, mas com certeza Diniz teria o mesmo fim do ex-técnico do Cruzeiro na primeira saída de bola errada que ocasionasse em gol do adversário.

Um conjunto de fatores, como o fato de o Audax ser um time pequeno, sem pressão de torcida, dirigentes e da imprensa esportiva resultadista favorecem o trabalho do Diniz. A mesma imprensa em sua maioria que cobra resultados é a mesma que quer ideias diferentes no futebol brasileiro (claro, que existem exceções).

Fernando Diniz no Audax
Foto: Marcos Ribolli 
Faltam projetos e boas ideias de futebol no Brasil, sim, mas o problema também é que o sistema que funciona por aqui não dá aos técnicos as mínimas condições de fazer isso. Primeira derrota importante, passe no RH.

Fernando Diniz teve fatores que jogaram a seu favor e esse futebol arriscado precisa ser treinado e acertado com tempo em qualquer time que ele vá treinar. Algo que em um clube maior não aconteceria ou alguém acha que o “projeto”continuaria depois de derrotas como a contra o São Paulo em 2014? 

No jogo após várias saídas de bola erradas, o Audax tomou um sonoro 4 a 0 no Morumbi. Quer outro exemplo? No primeiro jogo da decisão do paulista quando Tchê Tchê saiu jogando errado e gerou o gol de empate do Santos.

Em uma entrevista ao Globesporte.com, Diniz falou o seguinte: “A questão é que se você tem convicção no seu trabalho, você só cede se for muito covarde. Não é o meu caso. Sou apaixonado por futebol e tenho convicção no que estou fazendo”. Convicção é o que o técnico deixou bem claro com suas escolhas ao longo da carreira, mas o problema mesmo é que os comandantes do futebol brasileiro não têm convicção nenhuma do que quer ser trabalhado como ideia de futebol no seu clube. Olha a demissão do Deivid aí para provar isso ou então a inesquecível procura do “fato novo” no Internacional.

Se Fernando Diniz tem convicção de sua ideia de futebol, a convicção que eu tenho é que seu Audax audacioso é uma das melhores coisas que aconteceram no futebol brasileiro há algum tempo. Isso é fato!

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