quinta-feira, 24 de março de 2016

O pensador que vestia laranja

O maestro da camisa 14 regendo sua orquestra.
Foto: Divulgação
“E Johan viu a bola....”, com estas palavras existe um poema de Toon Hermans, um cantor, comediante e escritor holandês que falava sobre a genialidade do holandês da camisa 14. Em outro momento da minha vida, já havia lido esse poema e lembrei-me dele assim que soube da morte de Cruyff. Novamente lendo, tive a alegria de rever o poema no texto do jornalista David Butter em homenagem ao holandês lá no Globo Esporte.com. (Muito bom por sinal)

A importância de Cruyff para o futebol não está apenas na sua genialidade com a bola nos pés, enormemente espetacular diga-se, mas também fora dele. O homem foi um pensador que ainda hoje influencia de maneira concreta o futebol. Isso poucos conseguiram e me atrevo a dizer que ninguém o havia feito com tanta maestria como ele. Chegar a tantos com suas idéias é algo tão difícil quanto e elas eram tão inovadoras que foram importantes para um país e atravessaram fronteiras.

Sem ele, não existiria o Ajax tricampeão europeu, clube que antes dele era semi-profissional, não existiria laranja mecânica, não existiria o tão cultuado futebol do Barcelona como o conhecemos. Todos esses times seguem ou seguiram um tanto da máxima de que "qualidade sem resultado não tem sentido e resultado sem qualidade é entediante” como observou um certo pensador.

Hoje costumam analisar tudo em números. Messi é o rei deles. Fenomenal. Pelé fez mais de mil gols. Incrível. Maradona driblou seis ingleses para fazer um dos maiores gols de uma Copa do Mundo. Sensacional. Entretanto, às vezes, os números, os recordes, os mil gols não são tão incríveis como um conjunto de idéias revolucionárias postas em práticas com tanta maestria. E por isso, Cruyff foi mais do que fenomenal, incrível, sensacional.

Nada, mas nenhum número explica o encantamento que muitos tiveram ao ver o debut holandês sobre o Uruguai na Copa do Mundo em 74 ou o olhar desesperado de uruguaios experientes como Pedro Rocha ao ver o balé de movimentações sem sentido dos laranjas por todo o campo. Ali surgia o futebol total de encantamento e paixão.

Infelizmente não pude ver Cruyff em campo. Não sou da sua época e são coisas que não se pode controlar. Mas tentei compensar lendo livros, vendo vídeos e os jogos completos da Holanda no You Tube (Santo You Tube), pois como dizia o velho sábio "Quando você vê um jogador correndo muito rápido, é porque ele saiu atrasado." Nesse caso fui eu que cheguei atrasado, então, tive que correr atrás.

Depois que Johan viu a bola, o futebol não seria mais o mesmo, já que como mostrava aquele sábio holandês, “jogar futebol é muito simples, mas jogar o futebol de modo simples é a coisa mais difícil que há”. Sei que jogar um grande futebol não é nada simples e sei mais ainda que jogar e ver o esporte como Cruyff é só para Cruyff.

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