quinta-feira, 3 de julho de 2014

Jornalistas ou torcedores?

Sara Carbonero é musa, torcedora ou jornalista?
Foto: Getty Imagens
Qual é o verdadeiro papel do jornalista esportivo? Ou de qualquer jornalista no exercício da sua profissão? Creio que fazer aquilo que foi jurado no momento da formatura e acima de tudo ser parcial em suas opiniões.

Antes de falar do assunto que esse post irá abordar tenho que dizer sobre o caso Suarez e mais uma das suas mordidas. A dentada do uruguaio contra Chiellini gerou inúmeras opiniões, discussões e outros “poréns” ao longo dos dias que se seguiram a punição extremamente ridícula da FIFA. Essa é uma entidade que não tem moral alguma para dar qualquer punição, quanto mais uma tão severa como essa.

As discussões se acirraram de tal modo que os uruguaios começaram a esbravejar contra Deus e o mundo dizendo que todos estavam contra eles e tudo o mais. Besteira! Suarez foi mal, errou e merecia ter sido punido. A única coisa que pode e tem que ser discutida é o tamanho da punição.

Depois, Tabárez fez um discurso em que falou sobre a punição ao seu atleta e sobre como ela foi calcada nas opiniões dos meios de comunicação. O discurso teve momentos de erros e acertos por parte do técnico, mas não é o isso que vou analisar e sim o que aconteceu logo depois: os aplausos dos jornalistas uruguaios ao Tabárez.

Todos têm um time, uma seleção, uma pátria, mas no exercício da profissão um jornalista tem que ser imparcial, pois só dessa maneira se pode analisar o contexto para “através da crítica e análise da sociedade visar um futuro mais digno e mais justo para os cidadãos”. Isso seria o ideal, mas o que vemos é diferente.

O que se vê por aí, é que muitos se sentem parte da delegação de suas seleções, acham que são parte do time. É comum ver jornalistas vestidos com os uniformes de seleções trabalhando na cobertura delas nessa Copa do Mundo. E dá-lhe repórter “musa” em que interessa mesmo é o corpo da menina e não o que ela tem de interessante para trazer para o público.

Jornalistas não podem agir como torcedores, como foi no caso dos aplausos dos uruguaios ao Tabárez, não se trata de ser uruguaio, brasileiro, mas sim de ser jornalista. No dever da profissão o seu dever é analisar o contexto e criticar quando tem que criticar e elogiar quando tem que elogiar.

Torcer é para torcedores, o dever do jornalista não deve ser confundido com os berros do Galvão Bueno e sua cegueira absoluta com a seleção ou as besteiras que tem falado o senhor Alejandro Fantino da Rádio La Red nas transmissões dos jogos da Argentina. Esses dois tem alimentado aquela chata rivalidade Brasil e Argentina que tem vivido alguns momentos difíceis nessa copa e que ultrapassam o nível do bom senso e da brincadeira.


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