Nos últimos anos os brasileiros
dominaram a Libertadores, foram quatro campeões seguidos e a última vez que não
tinha um clube brasileiro nas semi da competição sulamericana foi em 1991.
Antes de tudo, esse ano nenhum
clube brasileiro mereceu nada, tirando o Grêmio que foi mais regular, jogando um
futebol organizado, os outros se arrastaram muitas vezes fazendo o contrário (jogando
mal e desorganizados) e dando aquela
desculpinha “esfarraparada” de que é isso é Libertadores, tem que ser sofrido, tem
que ser na raça.
A partir de agora irão aparecer
os precursores do apocalipse dizendo que é uma vergonha, que o futebol
brasileiro está falido e outras tantas bravatas de gente mais perdida que cego
em tiroteio de quem só analisa os resultados.
Nosso futebol brasileiro e aí
entram também a maioria dos jornalistas esportivos analisam e se centram demais
apenas nos resultados e nem sempre nos números estão as respostas para tudo.
Com isso, querendo ou não o futebol brasileiro não se analisa mais
profundamente como deveria e está sempre ali no superficial.
Nesse sentido é que mora o grande
perigo e as coisas não são tanto ao céu ou tanto ao inferno, mas são essas
situações que devem ser analisadas esquecendo o resultado e a partir disso é
que você encontra diversos fatores.
O completo desnível financeiro
que existe entre o futebol brasileiro e o futebol sulamericano como um todo é
um desses fatores. Em termos continentais, o futebol brasileiro é o mais rico
entre todos e isso faz com eles possam montar equipes melhores, trazer
jogadores de fora, pagar altos salários e seduzir bons jogadores e com isso
dominaram nos últimos anos o torneio continental.
Mas isso não vai garantir que
todo ano um brasileiro seja campeão continental quando o futebol é jogado
dentro de campo e dentro dele é que os times argentinos, uruguaios, bolivianos,
chilenos e outros tem dado uma lavada nos brasileiros.
Então por lá se percebe ideias
novas, bom toque de bola e mesmo se for uma equipe limitada tecnicamente no
mínimo é muito bem organizada taticamente e isso complica os times brasileiros.
O Flamengo quando foi enfrentar o
Bolívar nunca achou que o time boliviano de pouco dinheiro e estrutura muito
pior fosse jogar com bom toque de bola centrando todo o seu jogo na posse da
criança. Foi surpreendido dentro do New Maracanã e na Bolívia quando não
conseguiu ganhar em nenhuma das vezes.
Quanto ao Cruzeiro sequer
conseguiu jogar um bom futebol, perigou cair na fase de grupos, quase caiu para
o Cerro Porteño, comandado pelo Arce, e foi mal em três dos quatro tempos
jogados nessas quartas contra o San Lorenzo.
A grande diferença entre os dois
times não ficou evidente como muitos imaginavam, porque o San Lorenzo é
bastante organizado taticamente e tem sua qualidade, mas não tanta como se
encontra em boas quantidades no Cruzeiro com Everton Ribeiro, Julio Baptista, William
e por aí vai.
E para terminar outra reflexão
tentando fugir da superficialidade da análise dos resultados. Na Libertadores
se joga o futebol jogado, não existe faltinha, não existe juiz parar o jogo por
qualquer esbarrão, por qualquer coisa.
No Brasil o jogo é parado e muito
diga-se. Aqui os juízes comandam o jogo
no apito, o jogo fica chato, lento, não tem dinâmica, porque toda hora é
parado, os jogadores aqui se acostumaram com isso e na Libertadores estranham,
porque isso não existe.
Ontem foi notável isso. Os
cruzeirenses iam na dividida e caiam, inclusive se você ver o início da jogada
que resultou no gol do Nacho Piatti, veja como se joga o William em uma disputa
de bola. E foi assim o jogo inteiro com o juiz deixando o jogo rolar como deve
ser.
O futebol brasileiro jogado por
aqui é referência apenas para quem acha que o Pelé ainda joga no Santos e o
Zico no Flamengo. Não dá para ignorar as qualidades do futebol que é jogado no
resto do continente e isso é feito aqui com o nariz empinado de gente que não
sabe o que acontece além das fronteiras do Brasil.

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