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| Wendell Lira e o gol no Serra Dourada ainda pelo Goianésia Foto: O popular |
Conceder o prêmio com a titulação de “O melhor do mundo” não me entra na cabeça em um esporte
coletivo. Poxa, dentro do campo um depende do outro. Para mim não dá premiar um
jogador quando ele está inserido em um todo, um sistema e precisa dele para se
destacar.
Confesso não entender o
motivo de darem tanta importância a esse prêmio. Deve ser porque na nossa
sociedade doente se premie sempre o individualismo em detrimento do coletivo. Talvez
seja. Contudo ainda mais ridículo que isso é a hipocrisia de participar da premiação de uma entidade envolvida em escândalos, corrupção. Nenhum dos astros
falou, ninguém comentou quando um jornalista perguntou, os melhores fugiram do
assunto. Que falta faz um Cantona, um Sócrates ou um Gullit.
Pois bem, no
tapete vermelho da hipocrisia, na tal festa de gala a simplicidade se fez
presente. A história do Wendell Lira chamou atenção porque ele é o jogador de
verdade no Brasil. Desempregado a pouco tempo, daqueles esquecidos pela CBF,
pela elitização do futebol brasileiro, pelo calendário mal organizado, pelos
clubes falidos, pela politicagem e corrupção.
Convido o leitor
a prestar atenção nos gols mais bonitos da eleição. Preste bem atenção, o gol
do Lira é o retrato do futebol brasileiro. Se o gol é uma obra de arte é nosso
dever olhar a moldura. A obra é bonita,
ali tem talento, mas desperdiçado em meio a um estádio vazio, feio, em meio a
um campeonato vazio, desinteressante, em meio a uma partida jogada para meia dúzia
de gatos pingados. A moldura, meus amigos, é feia, carcomida, velha, suja, corrupta, com a cara dos Marco Polos Del Nero da vida, dos coronéis Nunes, dos Maria Marins.
Ver ele ganhar o
prêmio foi como ver o amigo que jogava bola comigo no campinho de terra da
esquina vencer na vida, pelo menos uma vez em toda a sua vida. Eu mesmo que
nunca dei bola para o tal prêmio fui lá e votei no gol
dele pelo menos umas três vezes.

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