segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O futebol ainda é do povo?

Protesto inteligente de torcedores que viram
 ingresso no valor de R$ 100
Foto:Luiz Munhoz/Fatopress/Gazeta Press
“Vocês podem protestar antes e depois, mas durante o jogo você quer todo mundo lá. A vida não é fantástica todos os dias. Às vezes ela é entediante, às vezes é difícil, para muitas pessoas. O futebol é um momento de alegria na sua vida, então não deixe passar”.

Começo esse texto com as palavras do técnico do Arsenal, Arsene Wenger a BBC alguns dias antes do protesto dos torcedores que estava marcado para acontecer no confronto que seu time irá fazer contra o Leicester.

O técnico mostra o lado que está com uma desculpa, mas concordo com ele que o futebol é um momento de alegria, mas na Inglaterra e em vários outros países este momento se transformou em algo caro e para poucos no estádio.

Os diversos protestos de torcidas importantes têm evidenciado um problema que está acontecendo em vários estádios ao redor do mundo. Os preços dos ingressos subiram, o público virou consumidor todo sentadinho na cadeira, o clima do estádio acabou. O teatro dos sonhos virou um teatro mesmo, em silêncio com torcida comportadinha. Esta agora virou consumidor, os mais pobres, modestos foram afastados do estádio.

O protesto dos torcedores do Liverpool saindo do Anfield Road antes do fim do jogo foi fenomenal e o que aconteceu depois mais ainda. Sem seu povo o Liverpool que estava ganhando a partida sofreu o empate. O retrato de um clube que vira as costas para sua gente. Se perde a alma, a cor. Sem torcida um clube não é nada.

Protesto dos torcedores do Liverpool. Por lá, eles
conseguiram a diminuição dos preços
 Foto: Reuters
Outro protesto que chamou atenção foi da torcida do Borussia Dortmund que jogou bolinhas de tênis no campo também protestando pelo alto preço do ingresso cobrado pelo Sttugart na Copa da Alemanha.

O futebol virou um rentável negócio e agora enfrenta o dilema de fazer parte da cultura popular e ser uma atividade de entretenimento. Um limite tênue que infelizmente tem pendido para o lado dos negócios. Por isso, é estranho ver Wenger que esteve ao lado de uma das torcidas mais empolgantes da Inglaterra falar tantos absurdos.

Ele mais do que ninguém viu uma torcida fanática se transformar em uma platéia de teatro. O Arsenal perdeu o clima, a alma de Highbury pelo dinheiro do Emirates. Um imenso estádio de mais de 60 mil lugares mortos. Belíssimo, mas um símbolo dos novos tempos.

Wenger ficou do lado do patrão, eu fico do lado das torcidas que reivindicam o seu direto de ir ao estádio. Futebol sem torcida não é nada. Eles estão acabando com o esporte que já foi do povo.

Por aqui, então, o processo de elitização foi acelerado com as “modernas” arenas para a Copa do Mundo, mas o pior por essas bandas é que até nos estádios mais acanhados e para jogos ruins dos estaduais estão cobrando ingressos caros. O “jogaço” entre Internacional e Aimoré tinha o valor mais barato de R$100 em um estádio com uma parte interditada pelos Bombeiros. De bom mesmo em um jogo ruim foi o boneco colocado nas arquibancadas em forma de protesto.

E pior ainda se é que pode ficar pior é que ao contrário de países como a Inglaterra em que torcedores conseguem se fazer ouvidos, por essas bandas juiz para o jogo e fala para jogador fazer um pedido a sua torcida para retirar as faixas de protesto. Como assim? Censura? Isso mesmo censura no jogo do Corinthians.

É meus amigos, tem algo de muito errado com nosso país quando as pessoas nem protestar não podem e ainda levam porrada da Polícia Militar que deveria proteger os interesses da população, mas protege mesmo são os interesses dos poderosos.Como diria Renato Russo:"...não consigo encontrar abrigo, meu país é o campo inimigo".
Zico comemora um gol com vários apaixonados na antiga geral. O futebol ainda é do povo?
Foto: Divulgação

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