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| Público da final da Série D foi o oitavo maior da história do Albertão Foto: Magno Bonfim/Drone/TV Clube |
Umas das características marcantes do futebol brasileiro são os estaduais e sua regionalidade. Foi mantendo as tradições regionais que a modalidade começou, cresceu e se tornou o que é hoje no Brasil. Contudo, uma das mais legais características do futebol por essas bandas está acabando.
Em nome da tal modernização, o
futebol tem sido elitizado de maneira que os torcedores pobres estão sendo
afastados e os clubes que não fazem parte dos 12 “grandes” escolhidos
pela mídia estão sendo relegados. Como escreveu o jornalista Júlio Gomes em seu
blog há alguns meses atrás (veja o texto aqui), este modelo de
Série A atende boa parte do público brasileiro, mas este aprendeu com a
disseminação massacrante da mídia que devem torcer para times do Rio de Janeiro
e São Paulo. Irrelevante dizer que a mídia de massa, aquela com grande poder de
penetração no país está concentrada quase que completamente nos dois estados.
E com isso dá-lhe piauienses
torcendo para o São Paulo, paraenses torcedor para o Fluminense, roraimenses
torcendo para o Corinthians. Veja bem, não sou daqueles que querem ditar regra
e dizer para quem cada pessoa deve torcer ou não, mas confesso que não consigo entender como uma pessoa que mora no Piauí, por
exemplo, consiga se identificar com um clube como o São Paulo de cores e
identidade tão regional que vai até no nome e que em nada tem haver
com a pessoa que mora a quilômetros de distância e de realidade totalmente
diferente.
Estão nacionalizando o futebol
brasileiro nas mãos de poucos desde imprensa, a paixão da torcida e até na base
da formação dos melhores atletas. Dessa forma quando vamos ver um Bahia campeão
nacional novamente? Eu digo que muito difícil ou uma final como Coritiba e Bangu, aí é
que não mesmo.
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| Torcedor piauiense no Albertão para o maior público da Série D neste ano Foto: Abdias Bideh/GloboEsporte.com |
Não acredite na história de que
esse campeonato brasileiro é o mais equilibrado do que outras ligas nacionais.
Não existe equilíbrio esportivo quando o desequilíbrio financeiro é enorme. O Corinthians
foi campeão brasileiro com todas as honras, meus parabéns, mas tenha certeza
que o torcedor vai ver muito mais disso nos próximos anos. O poderio econômico faz esses
clubes queridinhos da mídia terem mais dinheiro, mais alcance no país, mais
torcida em uma fórmula que desequilibra o futebol nacional. Tenho certeza que
vamos chegar ao nível de uma Bundesliga ou La Liga, o campeonato espanhol,
daqui nos próximos anos, é natural.
Por isso, no último sábado fiquei
com olhos marejados ao ver o Albertão em Teresina no Piauí com 40 mil pessoas
para ver não o Vasco, Flamengo ou clubes de fora e sim torcer pelo River- PI na
final da Série D contra o Botafogo-SP. Recorde de público da competição que
bateu o Remo com suas 30 mil pessoas no Mangueirão na semifinal.
Infelizmente essa festa assim como várias outras são mera
nota no cantinho menos nobre dos cadernos de esportes e sites com notícias “nacionais”.
O futebol regional respira por aparelhos, agonizando, tentando manter suas
tradições neste futebol elitizado, cheio de sócios-torcedores, de audiência, de arenas FIFA que em nada lembra que um dia o futebol foi o
esporte do povo. Uma pena.


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